Luis
Mauro Filho: Europa aposta em rearmamento bilionário e escala conflito com
Rússia - quem pagará a conta?
A União
Europeia intensificou, ao longo deste ano, sua retórica militar, adotando
medidas concretas para reforçar o aparato bélico do continente. O movimento
mais expressivo nesse sentido foi a aprovação de um plano de rearmamento de €
800 bilhões, articulado pela Comissão Europeia, com o objetivo de ampliar
rapidamente a capacidade de defesa da região e assumir protagonismo no apoio à
Ucrânia, em guerra com a Rússia desde 2022.
Esse
plano, informalmente chamado de “Rearmar a Europa”, combina duas frentes de
financiamento: € 150 bilhões provenientes de empréstimos da própria União e
aproximadamente € 650 bilhões a serem aportados pelos países-membros ao longo
de quatro anos. Trata-se da maior mobilização militar da UE desde a Guerra
Fria.
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Segundo
a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o objetivo é assegurar
a segurança coletiva do bloco. “Estamos determinados a investir mais, investir
melhor e investir mais rápido”, afirmou. O posicionamento foi reforçado pela
presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola: “É algo que pedimos há muito
tempo. Precisamos estar preparados, produzir e proteger”.
Como
parte da estratégia, o plano prevê a flexibilização temporária das regras
fiscais europeias, permitindo que os gastos com defesa ultrapassem os tetos
usuais de déficit público. A medida conta com apoio de países como Polônia,
Estônia e Lituânia, que defendem há anos uma linha mais dura em relação à
Rússia e argumentam que o atual contexto de conflito justifica uma resposta
excepcional.
De
forma paralela, os gastos militares da UE já apresentaram aumento expressivo.
Em 2024, segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de
Estocolmo (SIPRI), os investimentos em defesa cresceram 17%, atingindo US$ 693
bilhões — o maior avanço proporcional entre todas as regiões do mundo. Reino
Unido e França lideraram esse crescimento, com orçamentos estimados em US$ 82
bilhões e US$ 65 bilhões, respectivamente.
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Impasses impedem avanço de negociações
Apesar
da mobilização orçamentária, os esforços diplomáticos do bloco têm sido
ineficazes. Propostas recentes de cessar-fogo, encabeçadas por países como
Áustria e Irlanda, não avançaram diante do impasse entre as partes. A Rússia,
atualmente em vantagem militar, condiciona qualquer negociação ao
reconhecimento das quatro regiões ucranianas anexadas em 2022 — Donetsk,
Lugansk, Kherson e Zaporíjia — após referendos realizados sob ocupação militar.
O
Kremlin sustenta que os plebiscitos expressam a autodeterminação das populações
locais e exclui qualquer possibilidade de devolução dos territórios. O
chanceler russo, Sergei Lavrov, resumiu essa posição ao afirmar: “Não faz
sentido convidar os europeus [para negociações]. Eles falam de paz, mas querem
a continuação da guerra”.
Já o
Ocidente rejeita a legitimidade desses referendos, alegando que violam o
Memorando de Budapeste, assinado em 1994, no qual a Rússia se comprometia a
respeitar a integridade territorial da Ucrânia em troca da devolução do arsenal
nuclear herdado da URSS. Para Estados Unidos e União Europeia, a anexação
constitui ruptura grave das garantias pós-Guerra Fria.
Em
contrapartida, Moscou acusa o Ocidente de também violar compromissos assumidos
nos anos 1990. A principal queixa refere-se à expansão da Organização do
Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em direção ao leste europeu. Segundo o
governo russo, teria havido acordos verbais de que a aliança não se expandiria.
No entanto, historiadores ocidentais argumentam que não há documentos formais
que sustentem essa alegação e ressaltam que as adesões à OTAN ocorreram por
decisão soberana dos novos membros.
Nesse
ambiente de desconfiança mútua, as tensões se agravaram ainda mais com a
recente declaração do chanceler alemão Friedrich Merz, que autorizou
publicamente a Ucrânia a utilizar armamentos ocidentais para atacar alvos em
território russo. A medida, inédita até então, representou uma inflexão na
posição de Berlim e ampliou o grau de envolvimento europeu no conflito.
A
reação de Kiev veio rapidamente. No último domingo (1), a Ucrânia lançou seu
maior ataque aéreo contra bases militares russas desde o início da guerra.
Utilizando mais de 100 drones, o país atingiu instalações em diversas regiões
do território russo, incluindo Murmansk, Irkutsk, Ivanovo, Riazan e Amur —
algumas delas localizadas a mais de 4.000 km da fronteira ucraniana.
De
acordo com o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), os alvos atingidos tinham
uso estratégico e serviam de base para ataques russos contra cidades
ucranianas. Imagens de satélite e relatórios de inteligência indicam que até 40
aeronaves, incluindo bombardeiros Tu-95 e Tu-22, foram destruídas ou
danificadas. Estima-se que o prejuízo supere US$ 7 bilhões.
Em
resposta, Moscou lançou uma ofensiva de retaliação no mesmo fim de semana,
disparando centenas de drones e mísseis contra infraestruturas energéticas e
áreas urbanas na Ucrânia. O governo de Volodymyr Zelensky relatou pelo menos 20
mortes e quedas no fornecimento de energia em diversas regiões centrais do
país.
No
contexto dessa escalada, o presidente norte-americano Donald Trump, que assumiu
em janeiro seu segundo mandato, tem enfrentado dificuldades para cumprir a
promessa de campanha de encerrar a guerra “em 24 horas”. Embora tenha
estabelecido um canal de diálogo com Moscou, mediado pela Arábia Saudita e à
margem da UE e da Ucrânia, os encontros até agora não produziram resultados
concretos.
Informações
de bastidores indicam que Trump estaria disposto a congelar o status dos
territórios ocupados e vetar a entrada da Ucrânia na OTAN, em troca de um
cessar-fogo. O Congresso dos EUA, com maioria republicana, tem se mostrado
dividido. Enquanto parte da bancada mantém apoio a Kiev, outra ala pressiona
por uma saída negociada e pela redução do envolvimento norte-americano.
O
presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, por sua vez, resiste à possibilidade
de qualquer acordo que implique perda territorial. Ainda assim, diante da
suspensão temporária de pacotes de ajuda militar por parte dos Estados Unidos,
aceitou iniciar conversas com Trump. A crescente pressão por um desfecho
diplomático é sentida tanto na Europa quanto em Washington.
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Interesses por trás da manutenção da guerra
Paralelamente
ao campo político e militar, o rearmamento europeu está profundamente vinculado
a interesses econômicos. A indústria de defesa tem sido uma das maiores
beneficiárias da guinada armamentista. Estimativas apontam que, desde 2022,
cerca de dois terços das compras de armas feitas pelos países da UE foram
supridas por empresas norte-americanas.
Em
resposta, o novo plano europeu prevê estímulos à produção militar interna, com
o objetivo de reduzir a dependência externa e impulsionar cadeias produtivas no
próprio continente. Ainda assim, há críticas crescentes sobre o impacto social
dessa política. O caso do Reino Unido, que anunciou cortes em ajuda humanitária
para financiar o aumento dos gastos com defesa, exemplifica os dilemas
orçamentários enfrentados por diversos governos.
Apresentado
como instrumento de dissuasão, o rearmamento europeu pode, na prática, fomentar
uma escalada prolongada do conflito. Ao ampliar o alcance e a intensidade dos
ataques, a UE se distancia de soluções diplomáticas e coloca em risco não
apenas a estabilidade regional, mas também a sustentabilidade de suas contas
públicas.
A
ausência de uma estratégia clara para a resolução da guerra, somada ao
fortalecimento das capacidades bélicas de ambos os lados, aponta para a
consolidação de um cenário de conflito permanente.
Para os
cidadãos europeus, isso significa não apenas custos elevados, mas também o
risco real de que a guerra se normalize como horizonte político — com
implicações profundas para a segurança global.
¨
Ucrânia causa danos irreparáveis no arsenal de Putin
O 1194º
dia da guerra de agressão russa provavelmente ficará como uma lembrança
especial em Moscou e em Kiev. No domingo passado (01/06), o serviço secreto
ucraniano deflagrou a Operação Teia de Aranha. A Ucrânia comemora
ter atingido mais de 40 aeronaves militares russas – e também está concentrando
sua atenção na segunda rodada de negociações diretas em Istambul, na Turquia.
O
ataque surpresa de drones ucranianos que teve como alvo várias bases aéreas
russas que abrigam bombardeiros estratégicos com capacidade nuclear foi sem
precedentes em seu escopo e sofisticação. Pela primeira vez, ataques ucranianos
chegaram até a Sibéria, em um duro golpe para os militares russos.
A Ucrânia disse que mais de 40 bombardeiros, ou
cerca de um terço da frota de bombardeiros estratégicos russos foram
danificados ou destruídos no domingo, embora Moscou tenha dito que apenas
alguns aviões foram atingidos. As alegações conflitantes não puderam ser
verificadas de forma independente, e o vídeo do ataque publicado na mídia
social mostrou apenas alguns bombardeiros atingidos.
O
presidente ucraniano, Volodimir
Zelenski, disse que foram empregados 117 drones e "um número
correspondente" de operadores de drones, afirmando que foram atingidos 34%
dos bombardeiros estratégicos capazes de transportar mísseis de cruzeiro. O
Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) avaliou os danos em 7 bilhões de dólares
e publicou vídeos mostrando alguns dos ataques.
A
audaciosa ofensiva demonstrou sobretudo a capacidade da Ucrânia de atingir
alvos de alto valor em qualquer lugar da Rússia, desferindo um golpe humilhante no Kremlin e infligindo
perdas significativas à máquina de guerra de Moscou.
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Possível uso inédito de AI
"Vemos
que esses drones provavelmente foram equipados com alguma forma de inteligência
artificial (IA) e navegação autônoma. Talvez seja a primeira vez que vemos a IA
em uma operação especial como essa, a longa distância", disse Kateryna
Bondar, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em
Washington.
A
missão também revelou grandes lacunas na defesa aérea russa: "Vemos
aeronaves estacionadas em uma fileira que estão completamente desprotegidas,
não há proteção eletrônica nem sistemas de defesa de drones", diz Bondar.
"Essa é a única razão pela qual drones FPV simples conseguiram atacar
alvos estratégicos tão importantes."
Enquanto
alguns blogueiros militares russos compararam o ataque a outro infame ataque
dominical surpresa – o ataque do Japão à base dos EUA em Pearl Harbor em 1941 –
outros rejeitaram a analogia, argumentando que o dano real foi muito menos
significativo do que a Ucrânia alegou.
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Quais aviões de guerra foram atingidos
Há
décadas, os bombardeiros de longo alcance fazem parte da tríade nuclear
soviética e russa, que também inclui mísseis balísticos intercontinentais
(ICBM) terrestres e submarinos movidos a energia atômica que transportam esses
mísseis. Os bombardeiros estratégicos realizaram patrulhas regulares em todo o
mundo, demonstrando o poderio nuclear de Moscou.
Durante
a guerra de três anos na Ucrânia, a Rússia usou os
pesados aviões para lançar ondas de ataques com mísseis de cruzeiro em todo o
país.
O
Tupolev Tu-95, que recebeu da Otan o codinome Bear, é um avião turboélice de
quatro motores projetado na década de 1950 para rivalizar com o bombardeiro
americano B-52. A aeronave tem alcance intercontinental e carrega oito mísseis
de cruzeiro de longo alcance que podem ser equipados com ogivas nucleares ou
convencionais.
Antes
de domingo, estimava-se que a Rússia tivesse uma frota de cerca de 60 aeronaves
do tipo.
O
Tupolev Tu-22M é um bombardeiro supersônico bimotor projetado na década de 1970
que recebeu da Otan o codinome Backfire. Ele tem um alcance menor em comparação
com o Tu-95, mas durante as negociações de controle de armas entre os EUA e a
União Soviética na década de 1970, Washington insistiu em contá-lo como parte
do arsenal nuclear estratégico soviético devido à sua capacidade de atingir os
EUA se reabastecido em voo.
A
versão mais recente do avião, o Tu-22M3, carrega mísseis de cruzeiro Kh-22, que
voam a mais de três vezes a velocidade do som. É datado da década de 1970,
quando foi projetado pela União Soviética para atacar porta-aviões dos EUA. Ele
tem um grande impacto, graças à sua velocidade supersônica e à capacidade de
transportar 630 quilos de explosivos. Mas seu sistema de orientação
desatualizado pode torná-lo altamente impreciso contra alvos terrestres,
aumentando a possibilidade de danos colaterais.
Alguns
Tu-22Ms foram perdidos em ataques ucranianos anteriores, e estima-se que a
Rússia tinha entre 50 e 60 Tu-22M3s em serviço antes do ataque de drones de
domingo.
A
produção do Tu-95 e do Tu-22M terminou após o colapso da União Soviética em
1991, o que significa que qualquer um deles perdido no domingo não poderá ser
substituído.
A
Rússia também tem outro tipo de bombardeiro estratégico com capacidade nuclear,
o supersônico Tu-160. Menos de 20 deles estão em serviço, e o país acaba de
iniciar a produção de sua versão modernizada, com novos motores e
equipamentos eletrônicos.
O A-50,
que as autoridades ucranianas também disseram ter sido atingido nos ataques, é
uma aeronave de alerta antecipado e controle, semelhante aos aviões Awacs dos
EUA, usados para coordenar ataques aéreos. Apenas alguns desses aviões estão em
serviço com os militares russos, e qualquer perda prejudica muito a capacidade
militar da Rússia.
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Reposição exigirá sacrifícios de Moscou
A
Rússia perdeu uma parte significativa de sua frota de bombardeiros pesados no
ataque "sem nenhuma capacidade imediata de substituí-la", disse
Douglas Barrie do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, observando
que o plano anunciado por Moscou para desenvolver a próxima geração de
bombardeiros estratégicos ainda está em sua fase inicial.
"Ironicamente,
isso pode dar um impulso a esse programa, porque quando se quer manter a frota
de bombardeiros em tamanho adequado, há de se fazer algo em algum
momento", disse ele.
De
acordo com Bondar, os supostos bilhões em danos na pista de pouso não são o
fator decisivo. "A Rússia terá que reconstruir sua indústria aeronáutica
para compensar as perdas. Portanto, ela precisará de tempo e recursos para
restaurar suas capacidades."
O
especialista militar russo independente Nikolai Mitrokhin acredita que o setor
de aviação da Rússia não está atualmente em condições de substituir as
aeronaves perdidas.
Ele diz
que ainda há bombardeiros em funcionamento suficientes para manter o bombardeio
em massa da Ucrânia, ressalta, entretanto que "a cada ataque desse tipo –
e esses ataques continuarão a ser realizados – o número dessas aeronaves será
reduzido. E há o risco de que a Rússia fique sem essas aeronaves em algum
momento".
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Realocação de bombardeiros e proteção improvisada
Os
repetidos ataques ucranianos à base aérea de Engels, a principal para
bombardeiros estratégicos russos com capacidade nuclear, perto da cidade de
Saratov, à margem do rio Volga, levaram Moscou a realocar os bombardeiros para
outras bases mais distantes do conflito.
Uma
delas foi Olenya, na península ártica de Kola, de onde Tu-95s voaram em várias
missões para lançar mísseis de cruzeiro contra a Ucrânia. Vários bombardeiros
em Olenya aparentemente foram atingidos pelos drones ucranianos no domingo, de
acordo com analistas que estudaram imagens de satélite antes e depois do
ataque.
A
Ucrânia disse que 41 aeronaves – Tu-95s, Tu-22Ms e A-50s – foram danificadas ou
destruídas no domingo no ataque que, segundo a Ucrânia, vinha sendo preparado
há 18 meses, no qual enxames de drones saíram de contêineres carregados em
caminhões que estavam estacionados perto de quatro bases aéreas.
O
secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, foi informado sobre o ataque, que
representou um nível de sofisticação que Washington nunca havia visto antes,
disse uma autoridade sênior da defesa sob condição de anonimato.
O
Ministério da Defesa da Rússia disse que o ataque incendiou vários aviões de
guerra em bases aéreas na região de Irkutsk, no leste da Sibéria, e na região
de Murmansk, no norte, mas ressaltou que os incêndios foram extintos.
A pasta
disse ainda que a Ucrânia também tentou atacar duas bases aéreas no oeste da
Rússia, assim como outra na região de Amur, no Extremo Oriente da Rússia, mas
que esses ataques foram repelidos.
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Efeitos psicológicos
Marina
Miron, do King's College de Londres, acredita que não se trata tanto das perdas
materiais, mas sim do efeito psicológico. "A Ucrânia está dizendo:
‘Podemos atingi-los em qualquer lugar'", afirmou. "É muito importante
que tanto a população russa quanto a liderança recebam essa mensagem. Esse
símbolo é muito mais importante do que o dano real."
Os
ataques com drones geraram também protestos de blogueiros militares russos, que
criticaram o Ministério da Defesa por não ter aprendido com ataques anteriores
e protegido os bombardeiros. A construção de abrigos ou hangares para aviões
tão grandes é uma tarefa difícil, e os militares tentaram algumas soluções
improvisadas que foram criticadas como frágeis.
Imagens
de satélite mostraram Tu-95s em várias bases aéreas cobertos por camadas de
pneus velhos – medida de eficiência duvidosa que gerou zombaria nas mídias
sociais.
Fonte:
Brasil 247/DW Brasil

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