quinta-feira, 1 de maio de 2025

Uso de cigarro eletrônico prejudica função vascular, revela estudo

O uso dos chamados cigarros eletrônicos pode gerar diversos problemas à saúde. Pesquisas já identificaram que os vapes aumentam a probabilidade de infarto, de lesões pulmonares agudas, de insuficiência cardíaca e até de desenvolvimento de câncer.

Cientistas ainda destacam que alguns usuários apresentaram alterações no DNA e maior exposição a metais pesados, aumentando o risco de intoxicação. Agora, um estudo aponta para um novo efeito prejudicial causado pela utilização dos produtos, mesmo aqueles que não têm a presença de nicotina.

<><> Redução na função vascular

Os pesquisadores responsáveis pelo trabalho afirmaram que, embora a vaporização exponha os usuários a menos produtos químicos tóxicos do que os cigarros, ela ainda pode ser prejudicial à função vascular e à saúde geral.

No total, 31 fumantes com idades entre 21 e 49 anos participaram da pesquisa. Eles fizeram três sessões de exames de ressonância magnética, antes e depois de fumar tabaco, vape com nicotina e a versão sem a substância.

Os resultados mostraram que, após fumar, os participantes tiveram uma diminuição significativa na velocidade do fluxo sanguíneo em repouso na artéria femoral superficial. Este quadro foi ainda mais acentuado no caso de vapes contendo nicotina.

Em outras palavras, o experimento comprovou que uma menor quantidade de oxigênio no sangue retornou ao coração. Por longos períodos de tempo, isso pode causar graves problemas de saúde, uma vez que prejudica a função vascular.

Por isso, os pesquisadores ressaltam que o uso de vapes não é recomendado e não serve para ajudar a parar de fumar, uma vez que ele também pode levar à dependência (com danos importantes ao corpo humano). As conclusões foram descritas em estudo publicado na Radiological Society of North America.

<><> Uso dos vapes é proibido no Brasil

•        No Brasil, o uso dos cigarros eletrônicos é ilegal.

•        Em abril deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu pela manutenção da proibição da fabricação, venda, importação e propaganda dos vapes.

•        O transporte e armazenamento desses dispositivos também não são permitidos.

•        A determinação da Anvisa seguiu decisões internacionais, como da Organização Mundial da Saúde (OMS), que também é contrária aos cigarros eletrônicos.

•        Apesar disso, é fácil encontrar os produtos sendo vendidos nas ruas do país.

•        Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 17% dos estudantes de 13 a 17 anos já usaram o cigarro eletrônico.

•        Vape causa “pulmão de pipoca” em jovem de 17 anos; entenda

Uma adolescente foi diagnosticada com um quadro conhecido como “pulmão de pipoca” após usar cigarro eletrônico em segredo por três anos. O termo técnico para a condição é bronquiolite obliterante devastadora — e pode ser fatal.

Ao The Daily Mail, a mãe de Brianne Cullen, Christie Martin, contou que a jovem de 17 anos começou a usar os vapes descartáveis aos 14 anos para “aliviar a ansiedade” causada pelo retorno às aulas depois da pandemia de Covid-19.

Quatro meses atrás, a líder de torcida de Nevada, nos Estados Unidos, ligou para casa em pânico, relatando dificuldade para respirar. No mesmo dia, os exames confirmaram a doença já instalada no pulmão da jovem.

<><> O que é a condição?

A bronquiolite obliterante devastadora é desencadeada pela inflamação nos bronquíolos, as menores vias aéreas dos pulmões. A condição pode ser minimizada por inaladores e esteroides, mas casos graves podem levar a um transplante de pulmão.

Os sintomas precisam ser controlados ao longo de toda a vida, e os doentes precisam evitar a poluição do ar, a fumaça do cigarro e contato com pessoas doentes, que podem transmitir infecções mais facilmente.

“Eles me disseram que ela conseguiria se recuperar totalmente porque descobrimos o problema muito cedo, mas que isso também pode causar problemas como câncer no futuro”, explicou a mãe.

<><> Relação com vapes

Cientistas já estudaram a possível ligação entre o “pulmão de pipoca” e uma substância química encontrada em alguns vapes, chamada diacetil, mas os resultados não foram conclusivos até o momento.

Em 2016, o produto foi proibido em líquidos para cigarros eletrônicos em uma diretriz da União Europeia, mas ainda pode ser encontrado em vapes vendidos nos EUA, de acordo com a reportagem.

Uma em cada quatro crianças já experimentou os dispositivos, enquanto uma em cada dez os usa regularmente, segundo uma pesquisa realizada no Reino Unido. As taxas sobem para até uma em cada seis entre jovens de 16 a 17 anos.

“Gostaria de pedir aos pais que conscientizem. Este é um alerta para não deixar seus filhos usarem cigarros eletrônicos, aconteça o que acontecer”, alertou a mãe. “Foi preciso um diagnóstico fatal para ela parar.”

•        Cigarro eletrônico aumenta risco de cárie e altera os dentes

O uso de cigarros eletrônicos pode aumentar o risco de cáries e alterar a superfície dos dentes, segundo estudo feito pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP. A pesquisa foi publicada no periódico científico Archives of Oral Biology.

Os chamados vapes são dispositivos eletrônicos recarregáveis com refis usados para inalar líquido vaporizado com nicotina (incluindo sais de nicotina e nicotina sintética). No Brasil, a comercialização, importação e propaganda são proibidas pela Anvisa desde 2009.

A pesquisa da USP buscou contribuir com outros estudos sobre os impactos do cigarro eletrônico após a popularização do dispositivo. Até então, os estudos mais robustos se restringiam aos problemas cardiovasculares e respiratórios.

“A literatura científica aponta a ausência de um consenso definitivo sobre os riscos de longo prazo que o uso de cigarros eletrônicos pode causar na saúde oral”, explica o professor Manoel Damião de Sousa-Neto, que coordenou a pesquisa.

<><> Como foi feita a pesquisa sobre cigarro eletrônico?

•        O Departamento de Odontologia Restauradora da Forp criou máquina de teste de cigarro eletrônico que simula trago e inalação do vapor de vapes em dentes humanos, segundo o Jornal da USP;

•        Para avaliar o efeito nos dentes, foram usados molares humanos obtidos do Biobanco de Dentes Humanos da Forp;

•        Os dados foram analisados após inalação por três segundos, com intervalos de um minuto entre cada trago, em rotina de quatro horas diárias ao longo de 30 dias consecutivos;

•        No total, foram 104 horas de experimento, com inalação de 2.600 mg de nicotina. Isso equivale a 86 maços de cigarro, segundo os pesquisadores. As principais descobertas foram as seguintes:

•        Houve redução da “microdureza do esmalte, da dentina e da dentina radicular”: na prática, isso torna os dentes mais vulneráveis;

•        O aquecimento do líquido dos vapes cria ambiente mais propício ao desenvolvimento de cáries devido a processo de desmineralização.

“Em resumo, o estudo destacou que o vapor do cigarro eletrônico pode aumentar o risco de cáries, além de comprometer a integridade dos tecidos dentários”, afirmou a professora Aline Gabriel, que também orientou o estudo.

 

Fonte: Olhar Digital

 

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