terça-feira, 26 de março de 2024

A luta histórica da Rússia contra o terrorismo

O ataque terrorista ocorrido na última sexta-feira (22), no Crocus City Hall, em Moscou, causou enorme comoção internacional. Vale lembrar que como um dos principais países na linha de frente contra o terrorismo, a Rússia detém um longo histórico de luta contra esse que é um dos fenômenos mais nefastos dos nossos tempos.

Para a Federação da Rússia, conforme rege a Lei Federal nº 35 de 2006 (Artigo 3.1), o terrorismo é caracterizado como o uso ilegal da violência e intimidação direta da população destinado a influenciar órgãos do governo, autoridades locais ou organizações internacionais em seu processo de tomada de decisão. Ataques terroristas, como foi o caso do triste episódio de sexta no Crocus City Hall, direcionam-se tradicionalmente contra civis indefesos, no intuito de ceifar o maior número possível de vítimas e de chocar a opinião pública doméstica e internacional.

No entanto, apesar de ter sido o ataque terrorista mais brutal vivenciado pela Rússia nos últimos anos, desde a década de 1990 que o país vem sendo vítima de atentados terroristas covardes, especialmente em suas principais cidades, Moscou e São Petersburgo. Pouco antes de Vladimir Putin chegar ao poder em 2000, por exemplo, ataques terroristas em Moscou culminaram na explosão de diversos apartamentos residenciais, matando cerca de 200 pessoas e deixando pelo menos 180 feridos. Na época, os ataques foram perpetrados por rebeldes separatistas chechenos. Pouco tempo depois, após o 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos, a Rússia passou a ser considerada uma aliada do Ocidente no combate ao terrorismo internacional. Vale lembrar que o presidente Putin foi o primeiro líder mundial a telefonar para George W. Bush após os ataques às Torres Gêmeas, estendendo-lhe condolências pelas vítimas do atentado. Para além disso, a Rússia consentiu com o estacionamento de tropas americanas no Afeganistão para o combate à Al-Qaeda de Osama bin Laden, gesto impensável no período da Guerra Fria.

Ainda assim, apesar da colaboração internacional no combate ao terrorismo da Al-Qaeda, no plano doméstico a Rússia continuou a ser vítima de sucessivos ataques. Em 2002, um grupo de sequestradores ligados ao separatismo checheno invadiu o teatro Dubrovka, também em Moscou, antes da apresentação de um espetáculo musical, fazendo 912 reféns. Passados três dias do sequestro, uma operação-relâmpago de resgate envolvendo as Forças Especiais russas invadiram o local após ventilarem um gás de efeito tóxico não identificado pela tubulação de ar, eliminando os cerca de 40 sequestradores. O resgate, no entanto, não pôde impedir infelizmente com que 130 reféns perdessem sua vida.

Dois anos depois, em setembro de 2004, um novo grupo de aproximadamente 35 rebeldes invadiram uma escola primária em Beslan, ao norte do Cáucaso, culminando a morte de mais de 340 pessoas, entre elas, 186 crianças. Na ocasião, outras 700 pessoas terminaram feridas. Ainda em 2004, um mês antes do atentado em Beslan, dois voos comerciais de passageiros sofreram um ataque terrorista perpetrado por mulheres-bomba, provocando a morte de 90 pessoas. O incidente foi então reclamado pelo grupo terrorista Al-Qaeda, contra o qual uma coligação de potências internacionais havia sido formada logo após o 11 de Setembro.

Já no começo de 2010, uma série de atentados terroristas envolvendo a detonação de explosivos em trens de Moscou matou cerca de 60 pessoas, ocasionando ferimentos a outras 200. O grupo Caucasus Emirate (ou Emirados do Cáucaso), organização nacionalista sunita formada em 2007, reclamou a autoria dos ataques provocando novos atentados terroristas em Volgogrado (antiga Stalingrado) em 2011 e 2013. Ainda em 2011, um ataque suicida praticado por um dos membros desse grupo na área de desembarque do aeroporto Domodedovo, em Moscou, causou a morte de 37 pessoas, deixando outras 168 feridas. Todos esses episódios servem para demonstrar o quanto a luta da Rússia contra o terrorismo é histórica e, infelizmente, muitas vezes ignoradas pelo Ocidente.

No contexto da guerra contra terrorismo na Síria, aliás, a Rússia foi a principal potência a combater as formações do Daesh, que se autodenominava "Estado Islâmico", no Oriente Médio, grupo que ameaçava ganhar predominância regional em meio ao contexto de profunda instabilidade política provocada pela intervenção ocidental nos países árabes. Como uma espécie de retaliação às ações russas no auxílio à Síria e à Bashar al-Assad, o Daesh reclamou a autoria da explosão em outubro de 2015 na região do Sinai de um voo comercial de passageiros operado pela companhia russa Metrojet, que voava do aeroporto internacional Sharm el-Sheikh, no Egito, causando a morte de todos os tripulantes. O incidente, no entanto, não impediu que a Rússia comprimisse sua missão de praticamente eliminar as forças do Daesh na Síria, mantendo assim a integridade territorial do país árabe.

Em suma, seja no aspecto doméstico, regional ou internacional, a Rússia tem lutado contra o terrorismo no decorrer de décadas. Mesmo sendo vítima de sucessivos ataques ao longo desse tempo, a força do povo russo e a resiliência de seu governo nunca foram abaladas por essas ações covardes. Pelo contrário, mais do que proteger os seus próprios cidadãos de futuros atentados, Moscou continuará a empreender esforços para vencer — de uma vez por todas — o terrorismo internacional, onde quer que ele se manifeste. Enquanto isso, a Rússia não renunciará a outras lutas igualmente importantes, como a defesa de sua soberania política, a integridade territorial e o afastamento da interferência externa em seus assuntos domésticos. Por fim, há determinados aspectos que ainda não estão muito claros quanto aos responsáveis pelo ataque ao Crocus City Hall na última sexta. Mas o que está claro desde já é que a Rússia não será abalada por essa tragédia. Afinal, diante das dificuldades e da dor, os russos geralmente terminam ainda mais unidos, solidários e fortes.

 

Ø  Como notório terrorista do Daesh conseguiu viver tranquilamente na Ucrânia durante meses?

 

Embora Kiev rejeite publicamente as acusações de ser "hospitaleiro" ao terrorismo internacional, até os jornalistas ucranianos admitem que as autoridades do país "estranhamente" fazem vista grossa à questão.

O membro do alto escalão do Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países), Caesar Tokhosashvili, também conhecido como al-Bara al-Shishani, viveu "discretamente" com sua esposa e três filhos na cidade ucraniana de Belaya Tserkov por mais de um ano antes de ser rastreado e detido pela Agência Central de Inteligência (CIA) em 2019, revelaram relatórios.

A notícia mina a posição oficial da Ucrânia de oposição ao terrorismo e indica que o país continua sendo um porto seguro para esses agentes.

A operação da CIA para capturar Tokhosashvili — que é de origem georgiana — foi conduzida em colaboração com o Ministério do Interior da Geórgia e o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU, na sigla em ucraniano). Até a mídia ocidental se perguntou na época: "Por que escolheram não o prender antes?"

·        O que se sabe sobre o notório terrorista do Daesh?

# Em agosto de 2017, acreditou-se que Tokhosashvili e a sua família tinham sido mortos em um ataque aéreo na província síria de Deir ez-Zor. No entanto, mais tarde descobriu-se que a sua morte foi encenada para desviar a atenção da sua mudança para a Ucrânia;

# É importante notar que Tokhosashvili foi para Belaya Tserkov com um passaporte genuíno, de modo que a SBU estava ciente de sua afiliação ao Daesh;

# O SBU admitiu que, quando esteve na Ucrânia, Tokhosashvili continuou a recrutar radicais para as fileiras do Serviço de Segurança do Daesh;

# É importante ressaltar que o SBU ocultou cuidadosamente o fato de a CIA ter detido al-Shishani para evitar a propagação de informações sobre o papel do SBU no fornecimento de refúgio seguro aos terroristas do Daesh em território ucraniano;

# Tokhosashvili está atualmente cumprindo pena na Geórgia sob a acusação de terrorismo.

A sua prisão há cinco anos ganhou as manchetes globais, com o The Independent citando Philip Ingram, um antigo oficial de inteligência britânico, admitindo que o governo "frouxo" de Kiev tinha criado "uma vulnerabilidade óbvia ao terrorismo internacional", algo que, segundo ele, "Kiev não parece totalmente interessada em abordar".

O ex-oficial foi ecoado por Vera Mironova, especialista em jihad e pesquisadora visitante da Universidade de Harvard, que disse ao The Independent que "centenas" de ex-militantes do Daesh haviam "fugido para a Ucrânia".

"Quando estes terroristas chegam à Ucrânia, raramente encontram problemas com as autoridades", segundo Mironova.

Um tom semelhante foi adotado pela jornalista Katerina Sergatskova, radicada em Kiev, que sublinhou que as autoridades ucranianas permanecem "estranhamente relaxadas em relação ao assunto".

"Sempre que escrevi sobre o assunto, funcionários do governo me acusaram de inventar o problema. Mas a prisão de um dos principais comandantes do Daesh aqui em Kiev, mesmo debaixo dos nossos narizes, sugeriria certamente que muitos dos homens mais perigosos do mundo pensam na Ucrânia como uma casa segura. A corrupção em todos os órgãos do Estado — polícia, tribunais e procuradores — abre portas ao abuso", destacou.

O SBU rejeitou repetidamente as alegações de que Kiev "era de alguma forma hospitaleira ao terrorismo internacional". Mironova alertou que as autoridades ucranianas teriam "um grande problema nas mãos" se mais membros do Daesh baseados na Ucrânia "ficassem aterrorizados com a possibilidade de serem presos".

 

Ø  Kremlin sobre ataque ao Crocus: cooperação internacional é necessária na luta contra o terrorismo

 

A cooperação internacional é necessária quando se trata de luta contra o terrorismo, mas o diálogo está atualmente suspenso devido à escalada das tensões no mundo, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, nesta segunda-feira (25).

"A luta contra o terrorismo é um processo constante que exige cooperação internacional em grande escala, mas você vê que agora, devido ao período de confronto muito tenso, essa cooperação não está sendo realizada na íntegra, não está sendo realizada de forma alguma", disse o porta-voz aos repórteres.

Um tiroteio ocorreu na noite de sexta-feira (22) na sala de concertos Crocus City Hall, na cidade de Krasnogorsk, nos arredores de Moscou, seguido por um grande incêndio. Um correspondente da Sputnik que testemunhou o ataque relatou que pelo menos três homens camuflados invadiram a sala de shows, atirando nas pessoas à queima-roupa e jogando bombas incendiárias. As autoridades russas afirmaram que pelo menos 137 pessoas morreram em decorrência direta do ataque.

·        Sem ajuda de outros países

Os serviços especiais da Rússia estão trabalhando de forma independente no ataque terrorista em Crocus City Hall, e não se fala de qualquer ajuda de outros países, disse o porta-voz do Kremlin.

"Nossos serviços [especiais] trabalham de forma independente, não se fala de qualquer ajuda aqui agora", disse Peskov aos repórteres quando questionado sobre detenções de países ocidentais.

·        Putin vai presidir reunião sobre segurança e combate ao terrorismo

O presidente russo, Vladimir Putin, presidirá uma reunião para discutir as medidas tomadas após o ataque terrorista mortal na sala de concertos perto de Moscou, disse o porta-voz do Kremlin.

"À noite [de segunda-feira], o presidente pretende realizar uma reunião para discutir as medidas tomadas após o ataque terrorista. A reunião contará com a presença dos chefes do departamento de segurança, do departamento social e dos chefes de duas regiões – Moscou e região de Moscou. Esperamos que [a reunião] tenha início. Repito mais uma vez, será em algum momento mais próximo da noite", disse Peskov aos repórteres.

Putin continua a receber relatórios de todos os serviços sobre o ataque terrorista, acrescentou o responsável.

·        Kremlin não está discutindo pena de morte

O Kremlin não está participando de discussão sobre a abolição da moratória à pena de morte na Rússia neste momento, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, nesta segunda-feira.

"Atualmente não estamos participando desta discussão", disse Peskov.

 

Ø  Cada vez mais ucranianos duvidam da vitória de Kiev no conflito, diz mídia norte-americana

 

O Politico fala de um ceticismo cada vez maior entre a população ucraniana, com o anterior "fervor patriótico" desaparecendo em meio à realidade do conflito armado.

Cada vez mais pessoas na Ucrânia estão começando a duvidar da capacidade de Kiev de vencer o conflito com a Rússia, disse nesta segunda-feira (25) o jornal norte-americano Politico.

De acordo com a mídia, o "fervor patriótico" na Ucrânia está enfraquecendo ante uma realidade de crescentes baixas militares e ânimos pessimistas sobre o futuro do conflito.

Cada vez mais pessoas estão "questionando se a Ucrânia será capaz de derrotar as forças de Moscou", escreve o Politico.

Dados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev em fevereiro de 2024 mostram que mais de 70% dos ucranianos acreditam que é necessário buscar uma maneira diplomática de resolver o conflito no país, o que é um número superior aos que defendiam esta opção em maio de 2022.

Moscou tem indicado repetidamente que está pronta para negociações, mas que a Ucrânia proibiu tal opção a nível legislativo, e que o Ocidente ignora as constantes recusas de Kiev de dialogar. O Kremlin declarou anteriormente que não coloca pré-condições para uma solução de paz na Ucrânia, mas que agora a prioridade absoluta da Rússia é atingir os objetivos da operação especial, e atualmente isso só é possível por meios militares.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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