O que é homeostase e quais seus mecanismos?
A
palavra homeostase deriva
dos radicais gregos homeo (o mesmo) e stasis (ficar)
e foi cunhada pelo médico e fisiologista americano Walter Cannon. O termo é
utilizado para indicar a propriedade de um organismo de permanecer em
equilíbrio, independente das alterações que acontecem no meio externo. Contudo,
o processo em si foi descoberto por Claude Bernard.
A homeostase é garantida por um
conjunto de processos que previnem variações na fisiologia de um organismo. Se
as condições do ambiente externo sofrem variações constantes, os mecanismos
homeostáticos são o que garante que os efeitos dessas mudanças para os organismos
sejam mínimos.
·
Mecanismos homeostáticos
Os
mecanismos que controlam temperatura corporal, pH, volume dos líquidos
corporais, pressão arterial, batimentos cardíacos e concentração de elementos
no sangue são as principais ferramentas utilizadas para manter o equilíbrio
fisiológico. Em geral, esses mecanismos funcionam por meio de um feedback negativo.
O feedback negativo
ou retroalimentação negativa é um dos mecanismos mais importantes para a
manutenção da homeostase.
Esse mecanismo garante uma mudança contrária em relação à alteração inicial, ou
seja, atua na redução de um determinado estímulo, garantindo o equilíbrio
adequado para o corpo. A regulação da quantidade de glicose no sangue é
um exemplo de feedback negativo.
Quando
nos alimentamos, a taxa de glicose no sangue aumenta, estimulando a produção de
insulina. Esse hormônio garante que as células absorvam glicose e armazenem seu
excesso na forma de glicogênio, reduzindo os níveis de açúcar no sangue. Quando
a redução dos níveis de glicose acontece, a insulina para de ser liberada.
Por
outro lado, quando os níveis de açúcar estão abaixo do normal, ocorre a
secreção de glucagon. Esse hormônio, ao contrário da insulina, libera a glicose
que está armazenada na forma de glicogênio, aumentando os níveis da substância
no sangue. Com o aumento dos níveis de glicose, a secreção de glucagon é
interrompida.
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Divisão da homeostase
A homeostase pode ser dividida em
três subáreas:
#
homeostase ecológica,
#
homeostase biológica
e
#
homeostase humana.
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Homeostase ecológica
A homeostase ecológica refere-se ao
equilíbrio em nível planetário. Segundo a hipótese de Gaia, elaborada pelo
cientista James Lovelock, o planeta Terra é um imenso organismo vivo, capaz de
obter energia para seu funcionamento, regular seu clima e temperatura, eliminar
seus detritos e combater suas próprias doenças, ou seja, assim como os outros
seres vivos, o planeta é um organismo capaz de se autorregular.
Essa
hipótese sugere também que os seres vivos são capazes de modificar o ambiente
em que vivem, tornando-o mais adequado para sua sobrevivência. Dessa forma, a
Terra seria um planeta cuja vida controlaria a manutenção da própria vida
através de mecanismos de feedback e de interações diversas. Sob este ponto de
vista, o planeta inteiro mantém homeostase.
A
concentração de dióxido de carbono (CO2)
na atmosfera é um exemplo. Sem a presença de organismos
fotossintetizantes, os níveis de gás carbônico na atmosfera seriam altíssimos,
ofuscando a existência dos gases oxigênio e nitrogênio. Com o surgimento de
seres que realizam fotossíntese, a concentração de
gás carbônico diminuiu substancialmente, aumentando os níveis dos gases
oxigênio e nitrogênio, o que permitiu condições adequadas para o aparecimento e
sobrevivência de outros organismos.
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Homeostase biológica
A homeostase biológica corresponde
à manutenção do ambiente interno dentro de limites toleráveis. O ambiente
interno de um organismo vivo consiste basicamente nos seus fluidos corporais,
que incluem o plasma sanguíneo, a linfa e outros líquidos inter e
intracelulares (líquido intersticial). A manutenção de condições estáveis
nesses fluidos é essencial para os seres vivos. Caso fiquem inconstantes, eles
podem ser prejudiciais ao material genético.
Diante
de uma determinada variação do meio externo, um organismo pode ser regulador ou
conformista. Os organismos reguladores são aqueles que gastam energia para
manter o seu meio interno com as mesmas características. Já os organismos
conformistas preferem não gastar energia para controlar o seu meio interno.
Os
animais endotérmicos, por exemplo, são capazes de manter sua temperatura
corporal constante a partir de mecanismos internos. Os animais ectotérmicos,
por sua vez, precisam de fontes externas de calor para elevar e manter a sua
temperatura corporal constante. Por isso, mamíferos podem ficar longos períodos
sem se expor ao sol, enquanto répteis e anfíbios necessitam do calor do
ambiente para se aquecer.
·
Homeostase humana
Para
garantir a homeostase humana,
são necessários determinados processos fisiológicos que ocorrem nos organismos de
maneira coordenada. Os mecanismos que controlam temperatura corporal, pH,
volume dos líquidos corporais, pressão arterial, batimentos cardíacos e
concentração de elementos no sangue são as principais ferramentas utilizadas no
controle fisiológico, como citado anteriormente. Se esses fatores estiverem em
desequilíbrio, podem afetar a ocorrência de reações químicas essenciais para a
manutenção do corpo humano.
A
regulação térmica é um exemplo de mecanismo fisiológico que o corpo utiliza
para manter sua temperatura constante. Quando praticamos uma atividade física,
a temperatura do nosso corpo tende a subir. No entanto, essa alteração é
captada pelo sistema nervoso e endócrino, que desencadeiam a liberação do suor,
responsável pela regulação da temperatura.
·
Conclusão
Manter
o meio interno em equilíbrio é essencial para o funcionamento adequado
dos sistemas que compõem o
corpo de qualquer ser vivo. As enzimas, por exemplo, são substâncias que atuam
como catalisadores biológicos, acelerando a velocidade de várias reações. Para
desempenhar sua função, necessitam de um ambiente adequado, com temperatura e
pH dentro de uma faixa de normalidade. Portanto, um corpo em equilíbrio é um
corpo saudável.
Fonte:
eCycle
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