Rio:
Como grupos armados sequestram a democracia
Enquanto
a segurança pública ocupa o centro do debate eleitoral no Rio de Janeiro, uma
questão permanece à margem: como exercer a democracia em territórios onde o
medo, a vigilância e a coerção restringem a liberdade de organização e
participação política?
Nas
eleições de 2026 no Rio de Janeiro, a violência armada e as políticas de
segurança pública ocuparam, mais uma vez, um lugar central na agenda e nos
debates de diversas candidaturas, se traduzindo em disputas de posições bem
distintas. De um lado, candidaturas que defenderam a intensificação da “guerra”
nos territórios populares e que, em alguns casos, transformaram sua
participação em operações policiais de elevada letalidade em capital eleitoral,
chegando até a fazer referência aos mortos na Operação Contenção, realizada nos
complexos da Penha e do Alemão em 2025. Não por acaso, nessas eleições,
observamos a presença de candidaturas questionadas pela Justiça Eleitoral por
suspeitas de vínculos com milícias e organizações criminosas, expondo as
diferentes formas pelas quais o controle territorial armado atravessa as
disputas eleitorais e a representação política no Rio de Janeiro.
Em
contraposição, tivemos as candidaturas que defenderam uma política de segurança
como direito de cidadania, universalista e fundada nos direitos humanos.
Candidaturas comprometidas com movimentos sociais e comunitários, e com o
enfrentamento da violência armada, seja esta promovida por grupos criminais,
por policiais ou por agências do Estado. Neste caso, buscava-se colocar no
centro do debate o direito à vida, à memória, à justiça e à participação
política dos moradores dos territórios controlados por grupos armados.
Entre a
celebração da força policial, as disputas pelo controle político dos
territórios e a defesa dos direitos das populações periféricas, as eleições
evidenciaram uma contradição fundamental: a violência que sustenta projetos e
carreiras políticas também restringe as condições de organização coletiva e o
exercício da democracia nas favelas, periferias e bairros da região
metropolitana do Rio de Janeiro.
Nesse
cenário, o estado confirma a eleição de Douglas Ruas (PL) ao governo após uma
decisão do Tribunal Superior Eleitoral que anulou os votos de Anthony Garotinho
e alterou o resultado do primeiro turno. Ruas, que fez da segurança pública um
dos principais temas de sua campanha, defendeu a retomada e a ocupação
permanente de territórios controlados por grupos armados, a ampliação do
monitoramento policial por tecnologias de vigilância e a retirada da letalidade
policial dos indicadores de avaliação das corporações. Suas propostas recuperam
estratégias recorrentes na política de segurança pública fluminense cujos
resultados têm se mostrado limitados na redução duradoura do controle armado e
na garantia de segurança para os moradores. A persistência e a reconfiguração
dos grupos armados deflagram os limites de uma política que privilegia a
intervenção policial sem enfrentar de maneira consistente as redes econômicas,
políticas e institucionais que sustentam seu domínio territorial.
Ao
mesmo tempo, as eleições revelaram dificuldades importantes para a participação
política nos territórios populares controlados por grupos armados. Na Maré, a
abstenção chegou a 28,46% dos eleitores, e 26,86% na Rocinha, ambas acima da
média nacional de 21,08%. A transferência de locais de votação para fora das
comunidades, justificada pela Justiça Eleitoral por riscos de coação, impôs
deslocamentos adicionais aos moradores. Esses números não permitem relacionar
diretamente as abstenções ao controle armado. Contudo, evidenciam que há
condições concretas de exercício dos direitos políticos nos territórios onde a
circulação, a reunião e a organização coletiva estão submetidas a diferentes
formas de cerco.
A
discussão sobre segurança pública costuma ser reduzida ao enfrentamento
policial de organizações criminosas, às operações armadas e às promessas de
retomada dos territórios. Mas há uma dimensão fundamental da violência que
raramente ocupa o centro desse debate: investigar os efeitos sobre a capacidade
dos moradores se organizarem, defenderem seus interesses e participarem das
decisões que afetam diretamente suas vidas.
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O controle armado também é controle sobre a vida associativa
O INCT
Observatório das Metrópoles (IPPUR/UFRJ), o Grupo de Estudos dos Novos
Ilegalismos (GENI/UFF) e o Cidades (UERJ) têm investigado justamente essa
dimensão. Ainda inédito, o estudo mostra que os territórios controlados por
grupos armados têm cerca de 30% menos organizações formalizadas do que os
territórios que não são controlados, levando em conta os associativismos
comunitário, religioso, cultural, de direitos humanos e sociais, e
profissional.
O Mapa
Histórico dos Grupos Armados (2025), produzido pelo GENI/UFF e pelo Instituto
Fogo Cruzado, revela a extensão do controle territorial armado sobre a cidade
do Rio de Janeiro. Segundo o mapa, que apresenta dados referentes a 2024, 42,4%
da população da capital e 31,6% de sua área urbanizada habitada estavam sob
controle ou influência de facções do tráfico de drogas e milícias. O estudo
também evidencia a expansão histórica desses grupos para além das favelas,
alcançando bairros e áreas de urbanização formal, com diferentes formas de
exploração econômica e regulação da vida cotidiana.
Nosso
levantamento identificou 32.736 organizações formalizadas ativas na cidade do
Rio de Janeiro. A partir da comparação com o Mapa Histórico dos Grupos Amados,
nosso levantamento aponta que, desse total, 25.496 estão localizadas em áreas
sem controle armado identificado e 7.240 em territórios controlados por facções
do tráfico de drogas, milícias ou grupos não identificados. A diferença ganha
relevância quando consideramos a distribuição populacional. A pesquisa
identifica uma organização formalizada para cada 136 moradores nas áreas sem
controle armado, contra uma para cada 359 moradores nos territórios
controlados.
Esses
dados não significam que o controle armado seja a única explicação para a
desigualdade na distribuição das organizações e dos diferentes tipos de
associativismos. As diferenças de renda, infraestrutura, urbanização e acesso
às instituições também interferem nas possibilidades de formalização. Além
disso, inúmeras iniciativas comunitárias, culturais e políticas funcionam sem
CNPJ e não aparecem nesse levantamento (nota 1). Ainda assim, os resultados do
levantamento, complementados por entrevistas com lideranças comunitárias, não
deixam dúvidas de que o controle armado afeta as dinâmicas associativas, seja
na quantidade de organizações existentes, seja no seu funcionamento,
delimitando o que e como pode ser realizado no território. Fica evidente que o impacto
sobre o associativismo depende das configurações de controle armado, o que
delineia possibilidades distintas de atuação comunitária em cada território.
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Entre a negociação e a captura da ação coletiva
A
pesquisa aponta que os efeitos do controle armado variam conforme o grupo que
exerce o controle, sua relação com a população e os interesses econômicos e
políticos envolvidos, em especial no que se refere à importância atribuída à
representação de interesses no território. Nos territórios controlados por
facções do tráfico de drogas, por exemplo, as organizações comunitárias,
culturais e religiosas frequentemente precisam negociar suas condições de
funcionamento. A presença de agentes externos, atividades públicas e até mesmo
eventos culturais podem depender de autorizações informais ou da avaliação
sobre o que é considerado aceitável pelo grupo armado.
Essas
negociações não significam adesão ao crime, mas uma condição para a sua atuação
no território controlado. Muitas vezes, constituem estratégias de sobrevivência
institucional em contextos nos quais a organização precisa continuar
funcionando para atender aos moradores. Essa condição limita a autonomia das
organizações porque subordina suas decisões, atividades e formas de atuação aos
limites impostos pelo grupo armado que controla o território. Mesmo quando não
há uma proibição explícita, lideranças comunitárias e agentes culturais
precisam avaliar continuamente quais temas podem abordar, quais atividades
podem promover, com quem podem estabelecer parcerias e até que ponto podem
questionar situações que afetam os moradores. A possibilidade de represálias
produz mecanismos de autocensura e restringe a capacidade de mobilização
coletiva. Assim, uma associação pode continuar oferecendo serviços, realizando
projetos sociais e organizando atividades culturais, mas pode encontrar
dificuldades para denunciar violações de direitos, questionar o controle de
serviços e mercados locais ou reivindicar publicamente mudanças que contrariem
os interesses do grupo dominante. O cerco se manifesta justamente nessa
distância entre a possibilidade de continuar existindo e a liberdade de atuar
politicamente.
Nos
territórios controlados por milícias, a pesquisa identifica indícios de formas
mais diretas de interferência sobre as organizações locais. O controle armado
das milícias está, historicamente, associado à exploração de mercados de
transporte, serviços urbanos, imóveis e outras atividades econômicas. Nesse
contexto, o controle sobre associações comunitárias também pode representar uma
forma de ampliar a capacidade de administrar o território, mediar demandas e
influenciar as relações entre moradores e poder público.
Essa
relação pode ser compreendida a partir da noção de urbanismo miliciano (nota
2), que permite analisar como as milícias participam da produção e da gestão do
espaço urbano, articulando coerção armada, exploração econômica e relações com
agentes e instituições públicas. O controle sobre mercados de transporte
alternativo, distribuição de gás, internet, construção imobiliária e
comercialização de terrenos e imóveis confere a esses grupos poder sobre as
condições cotidianas de moradia, circulação e acesso a serviços. Nesse
contexto, as associações comunitárias adquirem importância estratégica, pois
historicamente desempenham funções de representação dos moradores,
reivindicação de infraestrutura e interlocução com o poder público. Sua captura
ou subordinação pode permitir que os grupos armados interfiram na definição das
demandas apresentadas ao Estado, controlem o acesso a determinados serviços e
utilizem a legitimidade dessas organizações para sustentar seus próprios
interesses econômicos e políticos. Essa dinâmica, portanto, envolve também a
disputa pelas instituições e pelos mecanismos de representação que participam
da produção da cidade. O cerco aos associativismos se expressa, nesse caso, na
possibilidade de transformar organizações originalmente voltadas à defesa de
interesses coletivos em instrumentos de mediação, regulação e reprodução do
controle territorial armado.
Os
dados permitem observar a distribuição das organizações associativas pelos
territórios controlados nas diferentes áreas da cidade. As zonas Oeste e
Sudoeste são formadas por territórios, historicamente marcados pela expansão
das milícias. Na Zona Oeste (AP5), que abrange bairros como Campo Grande, Santa
Cruz e Bangu, existem 3.063 organizações formalizadas em territórios sob
controle armado, das quais 2.389 estão em áreas de milícias, aproximadamente
78% do total. Na Zona Sudoeste (AP4), que reúne Barra da Tijuca, Jacarepaguá,
Cidade de Deus e Recreio dos Bandeirantes, a concentração é semelhante: das
1.147 organizações localizadas em territórios controlados, 922 estão em áreas
milicianas, cerca de 80%. O associativismo comunitário apresenta um padrão ainda
mais expressivo: das 41 associações registradas em áreas controladas da AP5, 36
estão em territórios de milícias; na AP4, são 38 das 39 associações
comunitárias. Chama a atenção a quantidade expressiva de organizações
formalizadas em territórios sob controle de milícias, especialmente nessas
áreas. Essa presença indica que o controle armado miliciano ao mesmo tempo em
que provoca uma redução do associativismo, também pode conviver com certas
formas associativas, desde que estas se ajustem às dinâmicas locais de poder,
às vezes pelo seu controle direto por agentes vinculados aos grupos milicianos.
A Zona
Norte (AP3) reúne 2.555 organizações formalizadas em áreas sob controle armado,
incluindo 51 associações comunitárias, enquanto a Zona Sul e a região da Tijuca
(AP2) registram 314 organizações, das quais apenas quatro são comunitárias.
Essas diferenças revelam configurações territoriais distintas com possibilidade
de organização autônoma muito heterogênea, tornando necessário investigar suas
dinâmicas associativas.
Nesse
contexto, argumentamos que a existência de associações comunitárias nos
territórios controlados por grupos armados pode estar relacionada à importância
que as estruturas de representação e de gestão de serviços locais assumem para
o exercício do controle territorial pelos grupos armados. A questão decisiva
passa a ser compreender em quais condições essas associações conseguem
preservar sua autonomia e quando passam a integrar, direta ou indiretamente, as
estruturas de poder dos grupos armados.
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O cerco que não aparece nas estatísticas de violência
Em
entrevistas realizadas com lideranças comunitárias e agentes culturais, foi
possível revelar uma dimensão quase imperceptível desse processo. O controle
armado pode ocorrer por meio de confrontos, ameaças e demonstrações ostensivas
de força, mas também se manifesta pela vigilância cotidiana, pelo monitoramento
de redes sociais, pela presença de homens armados em espaços comunitários e
pela imposição de limites à circulação de informações. Em determinados
territórios, a possibilidade permanente de sofrer represálias é suficiente para
esvaziar reuniões, afastar lideranças e restringir atividades culturais ou
políticas. Organizações históricas continuam existindo, embora sua capacidade
de mobilização e representação dos interesses coletivos seja progressivamente
reduzida.
Há, no
entanto, diferenças importantes nas formas de cerco impostas por facções do
tráfico de drogas e milícias. Nos territórios controlados pelo tráfico, as
organizações comunitárias tendem a preservar certa autonomia de funcionamento,
embora submetidas a mecanismos de vigilância, autorização informal e negociação
permanente sobre suas atividades, parcerias e possibilidades de manifestação
pública. Já nos territórios milicianos, são observadas formas mais diretas de
interferência e captura das organizações locais, especialmente das associações
de moradores, que podem ser incorporadas às estruturas de gestão territorial,
exploração de mercados urbanos e mediação política com o poder público. Essas
diferenças não constituem padrões rígidos, visto que os mecanismos de coerção e
controle variam conforme as configurações territoriais e as relações
estabelecidas entre grupos armados, moradores e instituições estatais. Em ambos
os casos, contudo, o cerco aos associativismos compromete as condições de
participação democrática – seja pela imposição de limites à atuação política
das organizações, seja pela apropriação de seus espaços de representação e de
sua capacidade de reivindicação coletiva.
Esse
processo possui consequências profundas para a democracia. Afinal, a
participação política depende de condições que antecedem o momento do voto, bem
como a possibilidade de reunir pessoas, discutir problemas comuns, formular
reivindicações, disputar representações e cobrar respostas do poder público.
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A democracia em disputa nos territórios
A
conjuntura eleitoral torna esse debate ainda mais urgente. A elevada abstenção
em determinadas favelas, as dificuldades de acesso aos locais de votação e as
denúncias de interferência de grupos criminosos exigem atenção. Mas seria um
equívoco reduzir o problema democrático nesses territórios ao momento
eleitoral. A pesquisa indica que as restrições à participação se acumulam ao
longo do tempo. Quando lideranças são ameaçadas, organizações comunitárias
perdem autonomia e espaços coletivos passam a funcionar sob vigilância, as
condições de representação política já estão comprometidas muito antes da
abertura das urnas.
Também
é necessário reconhecer o papel do próprio Estado na reprodução dessas
dinâmicas. A relação entre agentes públicos e grupos armados, a tolerância
seletiva com mercados ilegais e a dependência de negociações informais para
garantir serviços públicos podem fortalecer os mecanismos de controle
territorial. Ao mesmo tempo, operações policiais que interrompem atividades
comunitárias e culturais contribuem para a fragilização das organizações
locais.
A
conjuntura atual impõe desafios que dificilmente serão enfrentados por
políticas centradas exclusivamente na ampliação do aparato repressivo. É
necessário investigar as conexões entre grupos armados, mercados urbanos e
instituições públicas, assegurar a prestação de serviços sem mediação
coercitiva e criar mecanismos efetivos de proteção às lideranças e organizações
comunitárias. O fortalecimento da participação popular precisa ocupar um lugar
central nessa agenda. Isso envolve garantir condições para que associações de
moradores, organizações culturais, religiosas e de defesa de direitos possam
atuar com autonomia, inclusive nos territórios em que a presença de grupos
armados limita a liberdade de organização.
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Segurança pública também é o direito de participar
A
eleição de um novo governo estadual – e a centralidade da segurança pública na
disputa presidencial de 2026 – deveriam abrir espaço para uma discussão mais
ampla sobre os caminhos para enfrentar a violência e o crime organizado. No
plano nacional, o governo Lula colocou em debate a PEC da Segurança Pública,
voltada à reorganização e à integração das instituições responsáveis pela área,
e avançou em iniciativas de investigação e desarticulação das estruturas
econômicas das organizações criminosas. Entre elas estão a Lei Antifacção,
sancionada em março de 2026, e o programa Brasil Contra o Crime Organizado,
lançado em maio, que prevê ações de inteligência, cooperação federativa e
enfrentamento à lavagem de dinheiro e ao patrimônio acumulado por essas organizações.
Esse
deslocamento do debate para a economia política do crime organizado é
fundamental para compreender as dinâmicas de controle territorial nas cidades
brasileiras. No Rio de Janeiro, facções do tráfico e milícias articulam o uso
da força à exploração de mercados, à regulação de serviços urbanos e a
diferentes formas de interlocução com agentes públicos. As investigações sobre
o financiamento dessas organizações precisam, portanto, alcançar também os
circuitos econômicos e institucionais que sustentam seu controle sobre os
territórios. Como apontamos, o controle armado se reproduz também por meio da
interferência sobre organizações comunitárias, lideranças e espaços de
representação política. São essas relações que permitem aos grupos armados
disputar legitimidade, mediar demandas e estabelecer limites à atuação coletiva
dos moradores.
Os
dados da pesquisa – em desenvolvimento – contribuem ao evidenciar como o
controle armado interfere nas dinâmicas associativas, ainda que não determine
seu desaparecimento. Os associativismos territoriais continuam atuando,
construindo estratégias de negociação, adaptação, contornamento e resistência.
Entretanto, sua permanência pode ocorrer sob condições que restringem
profundamente a autonomia política. Uma cidade em que os moradores podem votar,
mas encontram obstáculos para se reunir, reivindicar direitos e organizar
coletivamente suas demandas, convive com limites substantivos ao exercício da
democracia.
Por
isso, a reorganização da política nacional de segurança pública e o
enfrentamento das bases econômicas do crime organizado precisam considerar
também as condições de exercício da cidadania nos territórios populares.
Investigar fluxos financeiros, redes de proteção institucional e mercados
controlados por grupos armados é indispensável, assim como enfrentar as
relações de coerção que atravessam a produção da cidade e a representação dos
interesses coletivos. A proteção de lideranças, a autonomia das organizações
comunitárias e o acesso a serviços públicos sem intermediação armada devem
integrar essa agenda. Afinal, a efetividade de uma política de segurança
pública também precisa ser medida pela capacidade de garantir que os moradores
possam participar das decisões sobre seus territórios, organizar suas demandas
e exercer seus direitos sem medo, vigilância ou submissão a poderes armados.
Fonte:
Por Taísa Sanches, Clara Polycarpo, Utanaan Reis, Bruno Frazão e Orlando Santos
Junior, em Outras Palavras

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