Gustavo
Tapioca: Bolsonaros, nunca mais
Da
rebeldia da juventude que tomou as praças após o primeiro turno à indignação
ensurdecedora das janelas, o Brasil trabalhador entra em vigília antifascista
para barrar o projeto do atraso da extrema-direita aliada a ultradireita de
Trump e Rubio.
Há
datas que marcam o compasso da história não apenas pelos votos depositados nas
urnas, mas pelo som cru, vibrante e coletivo das ruas e das casas. Os dias
seguintes ao dia 4 e a noite de ontem, 16 de outubro, entraram para o
calendário das grandes reações populares do Brasil.
Exatamente no momento em que a televisão
exibia a face e o discurso do candidato Bolsonaro Filho à Presidência, as
janelas de dezenas de cidades se abriram num estrondo.
O que
irrompeu dali — unindo o ronco persistente de quem ocupa as ruas e praças,
desde 5 de outubro, à fúria metálica das panelas da noite do dia 16 — não foi
apenas ruído. Foi a voz inegociável de uma população que se recusa a flertar
novamente com o abismo do fascismo, do negacionismo e da barbárie.
Das
metrópoles aos bairros populares, de São Paulo ao Rio de Janeiro, de Recife a
Salvador, o metal bateu ritmado contra o metal, transformando sacadas em
trincheiras urbanas contra a tentativa desesperada de normalizar um projeto
político que destruiu lares e zombou da vida. De milhares de vidas.
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A centelha que veio do primeiro turno
Esse
eco que ressoou nas janelas encontra sua raiz mais viva na energia que tomou o
país logo após o resultado do primeiro turno, em 4 de outubro.
Secundaristas, universitários e a nova geração
do primeiro voto decidiram que não ficariam em silêncio.
Com
cartazes, bandeiras e a força de quem tem o futuro inteiro pela frente, esses
jovens voltaram às ruas e puxaram os mais velhos para o centro da praça.
A
juventude brasileira mostrou que “ainda está aqui” e que recusa o projeto de
desmonte da pátria, num movimento que não se via desde as Diretas Já, em 1983 e
1984. Uma campanha que ganhou as ruas e mobilizou milhões de brasileiros.
Um
marco da luta pela redemocratização do país, transbordando das praças para as
sacadas e unindo gerações no mesmo grito de resistência.
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A crueldade criminosa
Não
podemos esquecer, e jamais esqueceremos, a crônica de uma tragédia
anunciada.
Mais de
700 mil vidas brasileiras foram tragadas pela Covid-19, sendo que cerca de 400
mil dessas mortes poderiam ter sido evitadas se houvesse ciência, empatia e
vacina no tempo certo.
E não a
sabotagem sistemática, o deboche e a necropolítica praticadas por Jair
Bolsonaro, o pai e padrinho político que agora tenta retornar ao poder com o
nome do filho, Flávio.
Os
órfãos da pandemia, as famílias enlutadas e o povo brasileiro carregam essa
ferida aberta que explode nas ruas, nas calçadas e nas redes, em memória das
vítimas da irresponsabilidade criminosa dos Bolsonaro.
O
bolsonarismo tem as mãos marcadas pelo sangue e pela desolação de centenas de
milhares de lares destruídos. Os órfãos da tragédia voltam às urnas munidos da
certeza de que estão aqui para dizer
“não
podemos e não vamos esquecer o que vocês fizeram no governo de Jair
Bolsonaro.”
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A herança do caos
O
candidato Flávio, filho mais velho de Jair, repete com orgulho que tem
“Bolsonaro no sangue” e que vai “honrar o legado do meu pai”, e arremata:
“ele
vai subir a rampa comigo em janeiro de 2027″.
Mas
qual é, de fato, esse legado que Bolsonaro Filho afirma que vai honrar sobre
todas as coisas?
A
tragédia do governo de Jair, que Flávio Bolsonaro jura Deus que vai continuar,
é responsável por medidas e desastres profundos contra a população que marcaram
o período de 2019 a 2022.
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A herança maldita
Os
pontos nevrálgicos dessa herança catastrófica revelam-se em dez fatos
inegáveis:
1. A gestão criminosa da pandemia da
Covid-19, que resultou em centenas de milhares de mortes evitáveis, zombando da
ciência e sabotando vacinas.
2. O desmonte histórico das políticas de
proteção ambiental e o incentivo institucional à devastação da Amazônia e dos
territórios originários.
3. O retorno vergonhoso do Brasil ao Mapa da
Fome, impulsionado pela disparada da inflação dos alimentos e pelo arrocho da
renda.
4. O desmantelamento de direitos sociais e
trabalhistas, precarizando ainda mais a vida da classe trabalhadora e da
juventude.
5. O aprofundamento do isolamento
internacional do país, submetendo a política externa a alinhamentos subalternos
e vexatórios.
6. A proliferação sistemática de escândalos
de corrupção e a imposição de sigilos de 100 anos para blindar aliados e
familiares.
7. Os ataques diários e coordenados às
instituições democráticas, à imprensa livre e ao sistema eleitoral brasileiro.
8. A herança de um país endividado,
desorganizado administrativamente e socialmente fraturado pelo discurso de
ódio.
9. A recusa frontal em aceitar o resultado
das urnas quando perdeu as eleições de 2022 para Lula.
10. A articulação criminosa de uma tentativa de
golpe de Estado contra a Democracia, que previa o assassinato do presidente
Lula e do vice-presidente Alckmin.
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As ruas contra o projeto do caos e da morte
Enquanto
nos estúdios da mídia hegemônica a tentam conferir verniz de normalidade
institucional a um herdeiro político do caos, o mundo real, a outra metade da
população, já deu o seu veredito nas pesquisas.
O ronco das ruas e o barulho das panelas
invadiu a sala de estar de milhões de brasileiros para lembrar que o fascismo
não passará incólume pela nossa história.
Estamos
a oito dias exatos do momento em que o Brasil vai às urnas. Em disputa está um
candidato da extrema-direita, aliado de primeira hora aos Estados Unidos de
Trump e Rubio, aos quais Bolsonaro Filho jurou entregar as riquezas
brasileiras.
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Biografia
Não
podemos esquecer e não vamos esquecer a biografia manchada de crimes e mortes
do filho de Jair, de prenome Flávio — o herdeiro que jurou “honrar o legado de
meu pai” para repetir o desastroso e trágico governo Bolsonaro.
Faltam
apenas oito dias para o segundo turno. Dia 25 de outubro. Pegue sua arma chamada título de eleitor.
Procure seu lugar na fila da seção eleitoral. E vote em quem merece seu voto.
Escolham
o melhor. Votem consciente com duas perguntas na cabeça:
quem é
o candidato que está mais próximo do meu modelo de presidente da
República?
Qual
dos dois tem biografia mais próximo da que eu considero o melhor?
É
chegada a hora de o ronco ensurdecedor das ruas e o barulho metálico das
panelas se transformarem em voto para o grito definito:
Bolsonaros,
nunca mais!
• Rogério Correia: “Flávio Bolsonaro é um
estelionatário eleitoral”
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG)
acusou o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) de adotar
uma estratégia para conquistar o apoio dos trabalhadores ao anunciar seu voto
favorável à proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala
6×1. Em entrevista ao programa Boa Noite 247, da TV 247, o parlamentar afirmou
que o posicionamento do senador contrasta com propostas de alteração da
legislação trabalhista defendidas por integrantes de seu campo político.
“Na
verdade, o que ele está fazendo agora é um estelionato eleitoral”, declarou
Correia. Segundo o deputado, Flávio pretende apoiar a redução da jornada de
trabalho durante a campanha presidencial, mas poderá defender mudanças nas
garantias trabalhistas caso vença o segundo turno contra o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT).
O
parlamentar relacionou essa avaliação à PEC 12, que atribui a Flávio Bolsonaro
e ao senador Rogério Marinho (PL-RN). De acordo com Correia, a proposta
estabelece mecanismos de remuneração por hora trabalhada e amplia a
possibilidade de acordos entre empregadores e empregados prevalecerem sobre
disposições legais.
“Ele
vota amanhã no fim da 6×1, porém, caso ganhe as eleições, isso não vai
acontecer. Ele vai simplesmente colocar em pauta a PEC 12, que está lá, que é
assinada por ele e pelo Rogério Marinho”, afirmou.
Na
interpretação do deputado, o modelo defendido pelos parlamentares do PL
alteraria a relação entre empregados e empregadores, especialmente no que diz
respeito à definição da jornada, à remuneração e à proteção dos direitos
previstos na legislação.
“Se na
Constituição o negociado vale mais que o legislado, acabou tudo quanto é lei.
Vale a negociação”, argumentou.
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Pagamento por hora e direitos trabalhistas
Um dos
pontos destacados por Rogério Correia é a possibilidade de ampliação de
contratos baseados no pagamento por hora trabalhada. Para o parlamentar, essa
modalidade poderia transferir ao empregado parte dos riscos associados à
organização da jornada, uma vez que a quantidade de horas oferecidas dependeria
das decisões do empregador.
Correia
contestou o argumento de que a flexibilização permitiria aos trabalhadores
escolher livremente quanto tempo desejam trabalhar.
“O
trabalhador poderá escolher quantas horas ele vai trabalhar. Mentira, né? O
patrão vai dizer quantas horas ele vai trabalhar e quantas horas ele vai
pagar”, afirmou, ao reproduzir e criticar o argumento utilizado por defensores
desse modelo.
O
deputado também manifestou preocupação com os efeitos que as mudanças poderiam
produzir sobre o 13º salário e a remuneração das férias. Segundo ele, a
proposta defendida pelo grupo político de Flávio Bolsonaro prevê pagamentos
proporcionais, o que, em sua avaliação, poderia reduzir os valores recebidos
pelos trabalhadores.
“Nessa
PEC deles ainda tem uma ressalva em relação ao 13º, um terço de férias, que
eles dizem que aí o trabalhador receberá proporcionalmente”, declarou.
A
remuneração proporcional, por si só, não significa necessariamente redução de
direitos, pois depende das regras de cálculo, da jornada contratada e das
garantias preservadas. Correia, entretanto, sustenta que o conjunto das
alterações poderia diminuir a proteção assegurada aos empregados.
Para o
parlamentar, o debate ultrapassa a discussão sobre o número de dias trabalhados
por semana. Ele considera que estão em disputa dois modelos de organização das
relações de trabalho: um baseado na redução da jornada com preservação dos
direitos e outro centrado na ampliação da negociação individual e da
remuneração vinculada às horas efetivamente trabalhadas.
O
deputado associou a segunda orientação às propostas de flexibilização das
relações de trabalho defendidas por setores empresariais.
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Apoio à PEC seria uma estratégia eleitoral
Na
avaliação de Rogério Correia, o anúncio do voto favorável ao fim da escala 6×1
não representa uma mudança na orientação de Flávio Bolsonaro sobre os direitos
trabalhistas.
O
parlamentar sustenta que o candidato tenta responder à pressão popular pela
redução da jornada sem abandonar compromissos com representantes do
empresariado contrários à proposta.
“Isso é
de mentirinha, essa votação deles amanhã, porque depois eles vão vir com algo
muito pior do que já existe hoje”, declarou.
Correia
afirmou que sua interpretação não se baseia apenas nas declarações recentes do
candidato. Segundo ele, emendas apresentadas durante a discussão sobre o fim da
escala 6×1 na Câmara já indicariam a intenção de modificar o alcance da
proposta.
“As
emendas deles no fim da 6×1 na Câmara dos Deputados já tinham essa emenda que
eu falei agora, que é o que eles querem”, disse.
O
deputado também destacou que, segundo seu relato, a PEC 12 permanece em
tramitação e não foi retirada por seus autores. Para ele, a manutenção da
proposta reforçaria a possibilidade de retomada da discussão após a eleição
presidencial.
“Eles
não retiraram ela de lá”, ressaltou.
A
existência de uma proposta legislativa, entretanto, não comprova por si só um
acordo para sua aprovação futura. A acusação de que Flávio Bolsonaro teria
negociado previamente a revisão dos direitos trabalhistas corresponde à
avaliação política apresentada por Correia durante a entrevista.
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Propostas diferentes para a jornada de trabalho
A
discussão ocorre em meio à tramitação da PEC 221/2019, aprovada pela Câmara dos
Deputados, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois
dias de descanso remunerado e preservação dos salários. A proposta conta com o
apoio do governo Lula e está na pauta do Senado nesta quarta-feira (14).
Já a
PEC 12/2026, apresentada por Rogério Marinho e subscrita por Flávio Bolsonaro,
propõe a possibilidade de contratação por hora trabalhada, com remuneração
proporcional e maior espaço para acordos individuais. A autoria e a
participação de Flávio entre os signatários constam dos registros oficiais do
Senado.
A
diferença entre os textos está no alcance da proteção trabalhista. Enquanto a
PEC apoiada pelo governo estabelece uma redução da jornada sem diminuição
salarial, a proposta de Marinho cria uma alternativa contratual na qual a
remuneração acompanha as horas efetivamente trabalhadas.
As
declarações de Correia também encontram correspondência em informações
publicadas pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo. Segundo a reportagem,
Flávio Bolsonaro sinalizou a aliados e representantes empresariais que pretende
rever pontos da PEC do fim da escala 6×1 caso seja eleito presidente. A
intenção seria permitir negociações entre empresas e trabalhadores após a
aprovação da mudança.
Para
Rogério Correia, essa possibilidade demonstra a necessidade de examinar não
apenas o voto anunciado pelo candidato, mas também as propostas que seu grupo
político pretende defender depois das eleições.
O
deputado sustenta que a redução da jornada precisa ser acompanhada da
manutenção dos direitos trabalhistas para representar uma mudança efetiva nas
condições de trabalho.
Ao
relacionar o apoio de Flávio Bolsonaro à PEC com a possibilidade de alterações
posteriores, Correia concluiu que a disputa em torno da escala 6×1 se tornou
parte do confronto entre os projetos de Lula e do candidato do PL para o
mercado de trabalho.
“Então,
o que eles estão pretendendo fazer é um estelionato eleitoral. Temos que
denunciar isso”, afirmou.
Fonte:
Brasil 247

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