Toxina
botulínica amplia tratamento da enxaqueca crônica
Conhecida
principalmente pelo uso estético, a toxina botulínica tipo A também é utilizada
no tratamento preventivo da enxaqueca crônica, doença neurológica que pode
comprometer o trabalho, a convivência familiar e a qualidade de vida. O
problema atinge aproximadamente 15% da população mundial e ocorre com maior
frequência entre as mulheres, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No
Brasil, estudos utilizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
estimam prevalência de 15,8%.
“A
enxaqueca é uma doença neurológica, e não apenas uma dor de cabeça mais
intensa. Além da dor, as crises normalmente vem acompanhada de náuseas,
vômitos, sensibilidade à luz e aos sons, alterações visuais e grande limitação
para as atividades cotidianas”, explica o neurologista Ricardo Alvim,
coordenador da Equipe de Neurologia do Hospital Mater Dei Salvador.
De
acordo com a Classificação Internacional das Cefaleias, a enxaqueca é
considerada crônica quando o paciente apresenta dor de cabeça em 15 ou mais
dias por mês, durante mais de três meses, sendo pelo menos oito deles com
características de migrânea. “Nos casos crônicos, o paciente pode passar metade
do mês ou até mais convivendo com dor e outros sintomas. Isso repercute na
produtividade, nas relações familiares, na vida social e na saúde emocional”,
ressalta Alvim.
Aplicações
seguem protocolo - A toxina botulínica não interrompe uma crise que já começou.
Seu objetivo é reduzir a frequência, a intensidade e o impacto dos episódios. A
substância interfere na liberação de neurotransmissores envolvidos na
transmissão da dor, diminuindo a sensibilização das terminações nervosas.
“A
aplicação para enxaqueca segue um protocolo médico específico, com doses e
pontos definidos na cabeça e no pescoço. Não se trata de um procedimento
estético e a dose utilizada em cada ponto é menor. O objetivo é atuar nos
mecanismos da dor e diminuir o número de dias em que o paciente sofre com as
crises”, esclarece o neurologista.
As
aplicações são realizadas, geralmente, a cada 12 semanas. Algumas pessoas
percebem melhora após o primeiro ciclo, enquanto outras precisam de mais
aplicações para que o resultado seja avaliado.
Estudos
demonstram benefícios - Os principais estudos sobre o tratamento, conhecidos
como PREEMPT 1 e PREEMPT 2, reuniram 1.384 adultos com enxaqueca crônica. Na
análise conjunta, os pacientes tratados com toxina botulínica apresentaram
redução média de 8,4 dias de dor de cabeça a cada quatro semanas, ante 6,6 dias
no grupo que recebeu placebo.
“É
importante alinhar as expectativas. A toxina botulínica não cura a enxaqueca
nem necessariamente elimina todas as crises. O benefício pode aparecer na
redução dos dias de dor, na menor intensidade dos episódios e na diminuição da
necessidade de medicamentos para alívio imediato”, pontua Alvim.
Em
julho de 2026, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema
Único de Saúde (Conitec) analisou o uso da toxina botulínica A em adultos com
enxaqueca crônica que não responderam, não toleraram ou apresentam
contraindicação a pelo menos três medicamentos preventivos. O relatório
preliminar concluiu que a terapia provavelmente reduz os dias mensais de dor de
cabeça e de enxaqueca.
Indicação
exige avaliação - A indicação deve considerar a frequência das crises, as
doenças associadas, os tratamentos já utilizados e os possíveis efeitos
adversos, como dor no local da aplicação, desconforto cervical, fraqueza
muscular temporária e queda da pálpebra.
“Quando
corretamente indicada e aplicada por profissional capacitado, a toxina
botulínica apresenta um perfil de segurança conhecido. O tratamento deve ser
personalizado e realizado por um médico. Quem apresenta crises frequentes ou
prejuízo das atividades cotidianas deve procurar avaliação neurológica e evitar
a automedicação. Reforçamos que o tratamento não farmacológico é vital para o
controle das crises de enxaqueca, como atividade física, controle do estresse,
alimentação, entre outros”, conclui Ricardo Alvim.
Fonte:
Carla Santana - Assessora de Imprensa

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