terça-feira, 25 de agosto de 2026

Sem vergonha na cara, mídia volta a flertar com golpismo

Discutir a apresentação de projetos para os poderes públicos é crime? Não.

Apresentar uma autoridade para um parceiro de negócios é crime? Não.

Conversar sobre sobre contratos que não se concretizam é crime? Não.

Oferecer empregos que não se transformam em nomeação é crime? Não.

Frequentar mansão de amiga empresária é crime? Não

Existe corrupção quando os cofres públicos em nenhum momento sangraram? Não.

Pois, a sanha para prejudicar a candidatura de Lula chegou a tal ponto de degradação jornalística que a imprensa comercial vem estampando verdadeiros pastéis de vento como se fossem delitos de corrupção e peculato comprovados.

Já condenados pelo tribunal da mídia, Fábio Luis Lula da Silva e Marcola são vítimas de linchamentos diários.

Com base em vazamentos criminosos e descontextualizados, fruto de uma parceria entre o ministro bolsonarista do STF, André Mendonça, e a ala de extrema direita da Polícia Federal, Globo, Folha, Veja e Estadão reeditam o golpismo de passado recente, que levou o saudoso jornalista Paulo Henrique Amorim a cunhar a expressão PIG (Partido da Imprensa Golpista) para se referir a esses veículos de comunicação..

Pesa contra o filho do presidente a vaga acusação de tráfico de influência. Mas que tráfico, cara pálida? Onde está o contrato superfaturado? Qual foi o valor do orçamento público desviado para esquemas fraudulentos?

Não tem nada. Pode torcer, torcer, espremer, espremer que não se extrai o corpo de delito.

Contudo, para a nossa imprensa isso pouco importa. O negócio da nova Lava Jato é manter Lula na defensiva e nas cordas até a eleição. Repare que a montanha de dinheiro recebido por Flávio Bolsonaro do banqueiro Vorcaro sumiu do noticiário.

Depois de tudo que o Brasil passou com a tentativa de golpe perpetrada pela quadrilha bolsonarista, a Globo, sem corar, retoma sua histórica falta de compromisso democrático e, sem um pingo de vergonha na cara, comanda o pelotão de fuzilamento ao filho de Lula.

Que se danem as consequências disso para o país.

E o jogo sujo parece já estar surtindo efeito, pois são fortes os rumores de que as próximas pesquisas, a começar pela do Datafolha a ser divulgada hoje, mostram uma reação do Bolsonarinho.

Vale destacar que Lula vem respondendo mal à onda de ataques, se limitando a repetir que não se envolverá e que Fábio Luis terá que provar sua inocência.

Como assim, se uma das premissas do estado democrático de direito é que o ônus da prova cabe ao acusador, não ao acusado?

Não só Lula, mas o PT, aliados e suas figuras públicas importantes devem partir para a desqualificação das investidas vazias e inócuas,  denunciando a nova parceria entre a imprensa corporativa e os golpistas.

•        A velha mídia rasga a fantasia e investe na produção de escândalos. Por Florestan Fernandes Jr

Além do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, no pós-ditadura militar, passamos a contar com uma nova forma de “propaganda eleitoral”: o horário eleitoral dos interesses do capital.

Entramos na décima eleição direta para presidente e, mais uma vez, surge, no chamado horário eleitoral privado, uma enxurrada de vazamentos seletivos de investigações judiciais, numa tentativa de pré-condenar Fábio Luís, filho do presidente Lula, que ganhou dessa mídia o “simpático” apelido de Lulinha. A mesma mídia que afasta o sobrenome Bolsonaro de Flávio, o candidato da extrema-direita.

A técnica utilizada na construção de um escândalo segue o conhecido roteiro: uma sequência de vazamentos ao arrepio da legalidade, cujos trechos são previamente selecionados e publicizados com o objetivo de interferir no processo eleitoral, criando uma narrativa que associe o adversário político à corrupção, ou à conivência com práticas criminosas.

Desde o chamado Mensalão e, posteriormente, a Operação Lava Jato, investigações ainda em andamento passaram a ser noticiadas de maneira a levar a opinião pública a um julgamento antecipado, muitas vezes antes do encerramento das apurações e da apresentação de provas materiais. Sem que se perceba, a mera suspeita pode se transformar, pela repetição, em uma condenação pública.

As manchetes dos jornais e as escaladas dos telejornais são peças importantes nesse processo. Trata-se de um trabalho diuturno para manter determinado assunto aquecido até o dia da eleição. A percepção do eleitor de que “há alguma coisa por trás de tantas notícias negativas” ganha uma dimensão ainda maior quando essas informações chegam às redes sociais. Naquele ambiente dominado pelos algoritmos, a mera suspeita pode ser transformada em um escândalo de grandes proporções, pela repetição exaustiva da mesma narrativa.

Na falta de provas apresentadas publicamente, os artifícios utilizados agora para pré-condenar o filho de Lula por suposto tráfico de influência, chegam ao limite da desfaçatez.

É o caso da manchete publicada pelo jornal O Globo, nesta sexta-feira (21/8): “Casa usada por Lulinha foi alugada por dentista que disse à Lava-Jato morar no sítio de Atibaia”.

Esclareça-se: Fábio Luís nunca morou nessa casa em Brasília, e, segundo seu advogado, Marco Aurélio de Carvalho, não cometeu qualquer irregularidade, nem participou de reuniões com empresários ligados a Roberta Luchsinger. Mas isso parece não ser o que importa. O que importa, nesse tipo de cobertura, é alimentar suspeitas, criar conexões e, neste caso, estabelecer uma ligação indireta com a Lava Jato.

Uma operação que após a revelação de irregularidades processuais e de sua instrumentalização política, passou a ser duramente questionada. Foi naquele contexto que Lula acabou condenado e preso, no caso do triplex do Guarujá. Isso, embora o imóvel nunca tenha estado registrado em seu nome, ou no de qualquer de seus parentes.

Enquanto isso, no caso Dark Horse, em que há provas irrefutáveis contra Flávio Bolsonaro, permanecem sem respostas públicas questões envolvendo suas relações com Daniel Vorcaro. Lembro aqui que o senador chegou a afirmar que não sabia quem era o banqueiro, posteriormente teve divulgada uma conversa na qual chama Vorcaro, que dizia sequer conhecer, de “irmão”, a quem pede dinheiro.

Também completa hoje 100 dias, sem que tenha apresentado publicamente o contrato de mais de R$ 130 milhões, relacionado ao suposto patrocínio do filme Dark Horse por empresas de Daniel Vorcaro.

Se existe alguém que deve explicações à Justiça e aos eleitores, é Flávio Bolsonaro. Contra ele existe excesso de provas, como no caso das chamadas “rachadinhas”, das questões envolvendo a antiga loja de chocolates Kopenhagen e da compra de uma mansão em Brasília.

São assuntos que, diante da dimensão que poderiam alcançar, parecem receber uma atenção muito menor por parte da mídia tradicional.

Mais uma vez, a história se repete. Mudam os personagens, mudam as manchetes, mas permanece a velha fórmula: selecionar suspeitas, amplificá-las e interferir no processo eleitoral.

<><> Os mafiosos sem rosto dos arcabouços da Faria Lima. Por Moisés Mendes

A Operação Carbono Oculto completa um ano agora, dia 28, sem que tenha um rosto e um nome que a identifique. Falta um rosto com a tatuagem do PCC na testa, para que não restem dúvidas de que o mercado financeiro da Faria Lima é cúmplice não só dos garimpeiros que destroem terras indígenas, mas também do crime urbano organizado.

Um rosto que, de tanto ser observado, se transforme no que a Faria Lima representa como sabotagem ao país, e não só ao governo Lula. Mas, nesse caso, esse rosto criminoso não existe. Não existe um nome. Em um ano, não há uma figura que nos contemple com a demanda de que todo o escândalo precisa de um bandido que o identifique.

Não existem rostos e nomes porque a grande imprensa escondeu os desdobramentos das investigações. O ministro Fernando Haddad repete que aquela foi a maior operação contra o crime organizado na área financeira. E por isso mesmo, por ser a maior e a mais efetiva, não rende manchetes.

Os jornalões estão ocupados com outras investigações bem carimbadas. Inventaram o apelido Lulinha para o filho de Lula. O assessor de Lula que recebeu empréstimo de uma lobista é Marcola. E a cobertura fala em tráfico de influência e cita Marcola como se citasse o grande chefe do crime organizado. Temos a exposição de Lulinha, e ainda há um Marcola, que seria um traficante de influências.

Mas os investigados da Faria Lima, esses não têm um retrato. Não há nem mesmo um Cara de Cavalo na Faria Lima. Ninguém ficou famoso na Carbono Oculto por ser a face da estrutura que o PCC montou na Faria Lima. Ninguém sabe de cor o nome de uma, apenas uma, das mais de 40 fintechs flagradas prestando serviços ao crime organizado.

A Operação Carbono Oculto ficou tão oculta na grande imprensa que seu primeiro aniversário não tem relevância alguma para o brasileiro. Mesmo que as investigações estejam avançando e que o desfecho dos inquéritos conduza a figuras ilustres do mundo financeiro, a maioria não sabe nada da Carbono Oculto.

Os bandidos aliados ao PCC na Faria Lima não conseguem virar celebridades com o calibre de um Daniel Vorcaro, porque foram escondidos pelos jornalões. A conexão da bandidagem organizada com a Faria Lima envolve lavagem de dinheiro, sonegação e fraudes no setor de combustíveis. Entre 2020 e 2024, a estrutura mafiosa teria movimentado mais de R$ 50 bilhões.

Enquanto lavavam dinheiro, cobravam rigor do governo no cumprimento do arcabouço fiscal. Continuam, como farsa, cobrando déficit zero, porque só assim os juros poderiam cair. Mas não continuam, como faziam até um ano atrás, produzindo manchetes nos jornalões com chamadas em que apareça a grife Faria Lima.

As chamadas de capa em que o nome Faria Lima aparecia no começo de qualquer frase, na base de “Faria Lima exige isso e aquilo” ou “Faria Lima prevê o fim do governo para 2026”, não existem mais. Faria Lima virou quase um nome maldito, e por isso os jornalões voltaram a se referir apenas ao mercado.

É o mercado, e raramente a Faria Lima, que se reúne com Flávio Bolsonaro e aplaude encontros com Renan Santos. O grande mercado tenta transmitir que seus interesses não são os mesmos das fintechs primas pobres e prostituídas, e voltou a falar de grave desequilíbrio fiscal e de ameaça de calote.

Mas está seguro de que ninguém do meio vai aparecer em manchetes por envolvimento com o PCC. Não teremos os retratos de altos executivos suspeitos de siglas como BK Bank, Ceopag, Ceopar, Fundopay, XBR, America Payment, Sispay, Vpay, May Servex, Smart Solutions, Smart Safe, Reag, Yaw e Ello com chefões do tráfico.

Há dois meses, um desdobramento da Carbono Oculto, batizado de Fluxo Oculto, identificou fintechs que operavam na Faria Lima em substituição às que haviam sido flagradas em agosto do ano passado. Continuavam fazendo o que era feito pelas que deixaram de operar com o PCC.

Os jornalões deram manchetes semelhantes: “Nova operação do Ministério Público e da Receita Federal mira seis fintechs”. Não há nas reportagens os nomes das fintechs, nem dos seus donos ou executivos.

Os bandidos da Faria Lima continuam sem cara e sem identidade. E não há, na vida real e na ficção do cinema e da literatura, mafiosos sem rosto.

 

Fonte: Por Bepe Damasco, em Brasil 247

 

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