André
Mendonça é o Sergio Moro desta eleição
Com a
tranquilidade de um gângster cuja vida dedicada ao crime é recompensada com a
impunidade, Flávio Bolsonaro disse na cara dura que o escândalo sobre os R$ 61
milhões recebidos de Daniel Vorcaro e depositados em conta bancária controlada
pelo seu irmão Eduardo nos EUA é “página virada”.
Flávio
se sente seguro em mentir descaradamente. Os precedentes são tranquilizadores
para ele e sua família mafiosa. Afinal, ele passou incólume por todos
escândalos de corrupção.
A
blindagem institucional propiciada por agentes bolsonaristas e antipetistas nas
polícias e MP do Rio; e, também, na PF e nos judiciários estadual e federal,
sempre garantiu essa impunidade à família.
Todos
seus processos foram arquivados ou abafados. Como aconteceu em relação ao
esquema de lavagem de dinheiro da fantástica loja de chocolates; ao caso das
“rachadinhas” [apelido mimoso para o crime de peculato]; aos vínculos com
Queiroz e o Escritório do Crime; à compra da mansão sem comprovação da origem
lícita do dinheiro; aos imóveis comprados com dinheiro vivo etc.
A
depender do ministro André Mendonça, do STF, esse protocolo de blindagem,
proteção e impunidade continuará intacto.
Mendonça
se empenha em abafar tudo que possa causar prejuízos eleitorais ao bolsonarismo
ou à campanha do filho do Jair.
E, ao
mesmo tempo, instrumentaliza politicamente o inquérito do Fábio Luís, o filho
do Lula, com aberrações processuais que fariam Sergio Moro parecer um amador em
matéria de deturpação do sistema de justiça.
No dia
1º de outubro de 2018, a apenas seis dias para o primeiro turno da eleição, o
então juiz de Curitiba liberou o conteúdo daquela delação que a Lava Jato
montou com Antonio Palocci com a mentira de que “Lula sabia do esquema de
corrupção na Petrobrás”.
A farsa
poderá se repetir novamente na eleição deste ano sob a batuta do Mendonça.
Fontes do Planalto afirmam que Mendonça considera concluir o inquérito sobre
Fábio Luís na primeira semana de outubro, na véspera da eleição. Não é preciso
grande esforço de imaginação para prever o impacto disso na votação.
Enquanto
Fábio Luís é atingido por uma avalanche de vazamentos do inquérito que é
sigiloso e é controlado por Mendonça, Flávio Bolsonaro desfruta da
tranquilidade de ser protegido na denúncia de corrupção passiva, lavagem de
dinheiro e evasão de divisas no caso Master.
Mendonça
atendeu o pedido da defesa de Fábio Luís e mandou a PF apurar a autoria do
crime de vazamento no que pode ser visto como uma pantomima, pois é bastante
crível a hipótese de que o vazamento se origina no próprio gabinete dele, como
mostram as evidências.
Em
decisão que tem sido muito criticada por caracterizar ingerência na PF e
interferência na investigação, Mendonça obrigou a PF a transferir para seu
gabinete todo acervo da apuração do escândalo do INSS, o que inclui material
apreendido da Roberta Luchsinger.
E, em
outra decisão muito estranha que adotou ao assumir as relatorias do INSS e do
Master, Mendonça proibiu o acesso do Diretor-Geral da PF Andrei Rodrigues às
investigações e restringiu o conhecimento de informações sobre os processos aos
“policiais e agentes diretamente envolvidos na análise e condução dos
procedimentos”, proibindo-os de repassar informações “aos superiores
hierárquicos e a outras autoridades públicas”.
Ora, se
todas provas estão armazenadas no gabinete do Mendonça, e se somente pessoas
autorizadas por ele podem acessar os documentos, qual seria o outro lugar que
não o gabinete dele, e quem, se não alguém com acesso permitido ao gabinete
dele, poderia estar abastecendo setores da imprensa com os vazamentos?
Não
parece curioso que todo material da investigação do escândalo Master do Flávio,
também guardado no gabinete do Mendonça e de acesso restrito somente a quem ele
autoriza, não tenha sido vazado para a mídia, como aconteceu com o Fábio Luís?
Trata-se de mera coincidência, ou é direcionamento policial e judicial para
atingir Lula?
Os
vazamentos criminosos já causaram importantes prejuízos à campanha de reeleição
do presidente Lula. Se há vazamento criminoso que abala a candidatura do Lula,
que seja dada publicidade imediata às investigações do Flávio Bolsonaro que
estão dormindo no gabinete do ministro Mendonça.
• “Mendonça é o novo Moro”, diz Liana
Cirne
A
vereadora de Recife, Liana Cirne (PT-PE), 1ª suplente de deputada federal e
candidata à Câmara nas eleições deste ano, fez duras críticas ao ministro André
Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em relação à condução do caso
envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).
Durante
participação no Fórum Onze e Meia desta segunda-feira (24), Liana comparou a
postura de Mendonça ao ex-juiz Sergio Moro, que atuou de forma parcial contra
Lula quando comandava a Operação Lava Jato: “Mendonça é o novo Moro”.
Liana,
que também é professora de direito, classificou a situação como “outro projeto
de lavajatismo que a gente está testemunhando. A gente já passou por isso. Tem
uma ‘pescaria’ probatória desavergonhada. A gente tem, até hoje, aquele áudio
de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, que não foi investigado. Mendonça
sentou em cima do processo em relação a Flávio Bolsonaro e fica determinando
produção de provas imaginárias contra Fábio Luís para que haja repercussão na
campanha de Lula. Tudo isso, com timing eleitoral explícito”, analisou.
A
vereadora foi enfática se referindo a Mendonça: “Nós temos um ministro
bolsonarista, empenhado na campanha de Flávio Bolsonaro e que, de modo
acintoso, faz ‘pescaria’ probatória contra Fábio Luís, mesmo sem encontrar
nada, e que sentou no processo de Flávio Bolsonaro. É óbvio o interesse
eleitoral na forma como os processos estão tramitando. É muito ruim que nós
tenhamos dois ministros explicitamente bolsonaristas. Um que está no comando
dos processos do Banco Master (André Mendonça) e outro que está na presidência
do TSE (Kássio Nunes Marques”.
Liana
enfatizou a falta de investigações no caso do filho do ex-presidente condenado,
Jair Bolsonaro (PL). “O áudio de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, as
visitas de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro usando tornozeleira eletrônica
em prisão domiciliar, nada disso foi investigado. Não há o menor interesse em
que seja produzida uma única prova. Há fatos jurídicos relevantes”, apontou.
“Mendonça
não vai permitir. A gente não se iluda porque até o final das eleições ele não
vai determinar nenhum ato de investigação, de produção de provas contra Flávio
Bolsonaro. Mendonça é um ministro bolsonarista. Ele tem lado e está
comprometido com o lado dele. Ele vai usar lawfare, a batalha judicial, contra
Lula e vai blindar Flávio Bolsonaro”, avaliou a vereadora.
Para
completar, Liana comparou: “Mendonça é o novo Moro. A postura dele é idêntica à
do Moro. A metodologia é idêntica à do Moro. A única coisa é que ele tem mais
cuidado do que o Moro em relação a esses vazamentos. No caso do Moro, era o
próprio Moro que vazava para a mídia, como ele vazou a conversa entre Lula e
Dilma para a Rede Globo antes mesmo de juntar aos autos a conversa. Mendonça
está tomando mais cautela nesses vazamentos. Mas a metodologia é rigorosamente
a mesma e Mendonça é o novo Moro, eleito queridinho da mídia para representar
os interesses antipopulares com os quais a mídia corporativa tem tanto
compromisso”, reiterou.
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Campanha em Pernambuco
Em
relação à luta para se eleger deputada federal, Liana disse que “fazer campanha
em Pernambuco é muito bom. A maioria esmagadora é lulista, sobretudo quando se
faz campanha nas comunidades. E minha campanha está atrelada ao presidente
Lula. Eu digo que se Lula não se eleger, nosso projeto cai por terra. Por isso,
primeiro peço votos para Lula e depois pra mim. Sou uma candidata a deputada
lulista”.
Liana
mencionou, ainda, que o governo Lula tem muito mais acertos do que erros. “O
voto em Lula não é crítico, é um voto inteligente, de quem faz a leitura da
contingência política, mesmo tendo críticas a aspectos pontuais do governo. Só
o governo Lula pode nos livrar de um modelo fascista e neoliberal que quer
acabar com políticas sociais”.
• Flávio Dino toma nova decisão sobre
investigação de filme sobre Bolsonaro
O
ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia
Federal a acessar dados da investigação conduzida pela Polícia Civil de São
Paulo contra a Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse,
cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A
decisão foi divulgada inicialmente pela colunista Bela Megale, de O Globo.
Dino é
relator, no STF, de ações que apuram possíveis irregularidades na destinação de
recursos indicados por parlamentares. Com a autorização, a PF poderá utilizar
informações apreendidas pela polícia paulista para aprofundar a investigação
sobre o possível uso de emendas parlamentares no financiamento do filme.
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PF terá acesso a dados apreendidos em São Paulo
A
decisão atende a um pedido da Polícia Federal para compartilhar informações
reunidas pela Polícia Civil de São Paulo.
Os
dados foram coletados durante uma investigação que envolve a Go Up
Entertainment e a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), ambas ligadas a Karina
Ferreira da Gama.
Com o
aval de Dino, esse material poderá ser incorporado à apuração federal sobre o
financiamento de Dark Horse.
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Investigações têm objetos diferentes
As
apurações conduzidas pela Polícia Federal e pela Polícia Civil de São Paulo não
investigam exatamente os mesmos fatos.
A PF
apura o possível uso de emendas parlamentares para financiar o filme sobre Jair
Bolsonaro.
Já a
investigação paulista mira suspeitas de fraudes e desvios de recursos públicos
em um contrato firmado pela ONG ICB com a Prefeitura de São Paulo para
fornecimento de pontos de wi-fi.
O elo
entre as duas frentes está em Karina Ferreira da Gama, que aparece ligada tanto
à produtora quanto à ONG.
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Karina Ferreira foi alvo de operação
Karina
Ferreira da Gama foi alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo em
junho.
Na
ocasião, foram realizadas buscas nas sedes da Go Up Entertainment e do
Instituto Conhecer Brasil, além de dois endereços residenciais ligados a ela.
A
investigação estadual apura possíveis irregularidades no contrato firmado entre
a ONG e a Prefeitura de São Paulo.
Agora,
o material apreendido nesse procedimento poderá ser analisado também pela
Polícia Federal.
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Caso envolve emendas parlamentares
A
investigação federal apura a possível destinação de emendas parlamentares para
financiar Dark Horse.
O caso
envolve cinco parlamentares.
Entre
eles está o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que destinou R$ 2 milhões em
emendas, em 2024, ao Instituto Conhecer Brasil.
Frias
já afirmou publicamente que os recursos indicados para a ONG não foram
utilizados na produção do filme sobre Bolsonaro.
A
Polícia Federal, no entanto, segue investigando o destino das verbas.
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Investigação já havia sido autorizada no STF
Em
julho, o ministro André Mendonça, também do STF, já havia autorizado a Polícia
Federal a investigar o financiamento de Dark Horse.
A nova
decisão de Flávio Dino amplia o conjunto de informações disponíveis para os
investigadores, ao permitir o acesso aos dados reunidos pela Polícia Civil de
São Paulo.
Com
isso, a PF poderá cruzar informações das duas apurações e verificar se há
relação entre recursos públicos, emendas parlamentares e a produção da
cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Fonte:
Por Jeferson Miola, em Viomundo

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