Parcerias
externas, digitalização e divergências internas: os desdobramentos da cúpula do
Mercosul
Cúpula
no Paraguai destaca expansão de parcerias internacionais e modernização do
Mercosul, enquanto diferenças políticas e econômicas limitam avanços internos.
Nesta
terça-feira (30), a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do
Mercosul terminou em Assunção, no Paraguai, após uma agenda marcada por
avanços técnicos, debates sobre maior integração regional entre países-membros
e associados, redução de assimetrias e ampliação das parcerias externas do
bloco. O encontro também marcou os 35 anos do Tratado de Assunção, acordo
que deu origem ao Mercosul em 1991.
Anteriormente,
especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil afirmaram que a falta de consenso entre os
Estados-membros fez o bloco priorizar parcerias externas, a fim de
diversificar as suas relações comerciais e ter maior inserção internacional.
Isso se
refletiu na assinatura do acordo com a União Europeia e também nas negociações
de acordos de livre comércio com os Emirados Árabes Unidos e países
do continente asiático, entre eles China, Japão e Coreia do Sul.
À Sputnik
Brasil, Larissa Silva, doutoranda em relações internacionais pelo Programa
de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (PPGRI/UERJ), afirmou que as negociações anunciadas durante a cúpula reforçam
a relevância do Mercosul no cenário internacional, em um contexto marcado por
uma crise do multilateralismo e pelo aumento da desconfiança em instituições
internacionais. "Não dá para tirar isso que está acontecendo com o
Mercosul desse panorama muito maior do cenário internacional, que é essa crise
do multilateralismo", afirmou.
Segundo
a pesquisadora, o bloco vive um momento simultâneo de fortalecimento e
fragilidade. Por um lado, avanços como as negociações com a União Europeia e o
Japão demonstram que o Mercosul mantém capacidade de articulação externa.
Por outro, divergências políticas, econômicas e comerciais entre os
países-membros dificultam a construção de consensos e limitam novos
avanços internos. "A gente tem essas divergências entre os países-membros
em temas comerciais, políticos, e isso acaba dificultando a construção de
consensos", explicou.
Apesar
dos desafios, a internacionalista avalia que o momento atual não representa uma crise apenas do
Mercosul,
mas uma fase de fragilidade diante das mudanças no cenário global. Em
outras palavras, o bloco continua relevante, mas precisa superar suas
divisões internas para transformar os avanços externos em maior integração
regional.
Silva
ressalta que, das medidas anunciadas no evento, a incorporação do setor
automotivo às discussões do Mercosul e os avanços na agenda digital estão entre
os pontos de maior destaque. A integração do setor produtivo pode, ao seu ver,
reduzir barreiras comerciais dentro do bloco, fortalecer cadeias regionais e
gerar impactos econômicos, como aumento da circulação de produtos e criação de
empregos.
Em
destaque, a digitalização é uma das áreas com maior potencial de transformar o
funcionamento do Mercosul. Para ela, iniciativas como o reconhecimento de
identidades digitais e a modernização de processos comerciais podem
reduzir burocracias, facilitar operações de empresas e melhorar a circulação de
cidadãos entre os países-membros.
Ao dar
exemplos, ela cita medidas como a emissão digital de certificados de origem,
que pode contribuir para baratear processos de exportação e importação e
fortalecer a integração econômica do bloco.
"Eu
acho que a agenda digital é uma das mais interessantes, porque ela consegue
reduzir burocracias, facilitar negociações, condução de negócios e tornar a
integração regional muito mais funcional no dia a dia."
Em
outros tópicos como o Pix e terras raras, a pesquisadora avalia que podem
representar caminhos estratégicos para ampliar o papel do Mercosul além da
agenda comercial tradicional.
A
integração digital, especialmente por meio de sistemas de pagamentos regionais,
pode reduzir custos, facilitar transações e modernizar a integração
econômica entre
os países-membros. "Se conseguissem utilizar o Pix, por exemplo, para
pagamentos regionais, seria muito interessante porque abre espaço para reduzir
custos, facilitar transações e modernizar a integração econômica desses
países", afirmou.
A
cooperação em minerais críticos — como terras raras — também foi apontada pela
pesquisadora como uma área estratégica diante da disputa global por recursos
essenciais ao desenvolvimento tecnológico e à transição energética. Ela pontua
que uma atuação coordenada entre os países do Mercosul poderia fortalecer
cadeias produtivas regionais, ampliar a autonomia do bloco e aumentar sua
relevância no cenário internacional.
"A
cooperação em minerais críticos é muito importante, ela não pode ser deixada de
lado", explicou. Para a pesquisadora, o avanço nessa área pode transformar
o papel do Mercosul, mas depende da capacidade de diálogo entre os governos e
da construção de estratégias conjuntas entre os países-membros.
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Assimetria entre membros
Um dos
pontos abordados também foi como reduzir a assimetria entre os
países-membros do Mercosul. O atual presidente do bloco, o presidente do
Paraguai, Santiago Peña, argumentou que a condição geográfica do país
exige tratamento diferenciado, julgando que o acordo de livre comércio
firmado aprofunda essas diferenças.
"Sendo
um país sem saída para o mar, isso nos impõe uma assimetria que deve ser
corrigida como questão de justiça. O Mercosul tem que permitir que o Paraguai
cresça", disse Peña.
A
internacionalista destaca que as divergências entre os governos sobre temas
como integração regional, política externa e comércio dificultam a construção
de consensos — elemento central para o funcionamento do Mercosul. Segundo ela,
enquanto alguns países defendem maior autonomia para negociar acordos
bilaterais, outros defendem a preservação de uma atuação conjunta do bloco.
"Hoje
a gente tem governos com visões muito distintas sobre a própria integração
regional, sobre política externa e, consequentemente, sobre comércio, que são
as bases do Mercosul", explicou, dizendo que essas diferenças
acabam impactando a capacidade do bloco de avançar em novos acordos e
mudanças estruturais.
"A
gente não consegue falar em avanços, em mudanças, em grandes acordos do
Mercosul quando não tem consenso", afirmou, destacando que os
desafios econômicos e políticos estão entre os principais obstáculos para o
fortalecimento da integração regional.
Embora
o Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem, no acrônimo em
espanhol) possa ser um caminho para ajudar na redução das desigualdades
dentro do bloco, esse não seria o único instrumento necessário ou, como avalia
Silva, "sozinho não faz milagre". O fundo foi um dos pontos
abordados pelos chefes de Estado durante a cúpula e recebeu um aporte
brasileiro de US$ 100 milhões (cerca de R$ 517 milhões) para
financiar projetos voltados à redução das assimetrias entre os países-membros.
Para a
pesquisadora, o Focem tem um papel importante por financiar infraestrutura e
contribuir para uma integração regional mais forte e coesa. No entanto, ela
destaca que as diferenças dentro do Mercosul são estruturais e envolvem
fatores que vão além da infraestrutura.
A
internacionalista avalia que o fundo tem potencial para reduzir parte das
desigualdades, mas defende a criação de outros mecanismos complementares para
enfrentar diferenças históricas entre os países. "Ele tem potencial,
mas a gente precisa também de outras ferramentas que consigam trabalhar essas
questões estruturais", explicou.
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Líderes do Mercosul defendem união diante de tensões
globais e anunciam negociações comerciais
Assunção
recebe cúpula histórica dos 35 anos do Mercosul com foco em comércio e
soberania.
Na
celebração dos 35 anos do Mercosul, os chefes de Estado do bloco se reúnem
nesta terça-feira (30), em Assunção, capital do Paraguai, para a 68ª
Cúpula de Chefes de Estado. O encontro marca a transferência da
presidência pro tempore do Paraguai para o Uruguai e tem como principais
temas a ampliação da integração regional, a abertura de novos mercados, a
redução das assimetrias entre os países-membros e a segurança regional.
A
cúpula também ocorreu em meio aos debates sobre as cotas tarifárias do
acordo entre Mercosul e União Europeia e não contou com a presença do
presidente argentino, Javier Milei.
Na
abertura da reunião, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, destacou o
significado histórico do encontro. "Hoje é dia de celebrar a amizade, a
integração, em que celebramos os 35 anos do Mercosul. Sou um fanático da
integração. Se há um país que sofreu pela ausência de instituições que
promovessem a integração, provavelmente é o Paraguai, mas isso jamais
desmotivou os paraguaios a seguir lutando nesse processo", afirmou.
Peña
reconheceu os avanços obtidos pelo bloco, mas defendeu maior ambição: "Não
há dúvida de que obtivemos avanços, mas há um sentimento de insatisfação, que é
a vontade de fazer muito mais".
O
presidente também elogiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma
força motora da integração regional e convidou os Estados associados —
Equador, Chile, Peru, Colômbia, Guiana e Suriname — a se incorporar
efetivamente ao Mercosul, a exemplo da recente adesão da Bolívia, ainda em
processamento.
Ao
abordar o cenário internacional, o presidente paraguaio ressaltou que "o
mundo vive hoje um momento relevante para nós, principalmente no que diz
respeito aos conflitos do mundo. Nós na América do Sul somos uma região de
paz". Em seguida, voltou a defender mudanças no acordo com a União
Europeia. "Assinamos o acordo com a União Europeia e percebemos que a
união do Mercosul não era tão forte assim. O Paraguai mantém sua posição sobre
as instruções do acordo. Não é um capricho, é uma questão de justiça."
Peña
argumentou que a condição geográfica do país exige tratamento diferenciado,
julgando que o acordo de livre comércio firmado aprofunda as assimetrias.
"Sendo um país sem saída para o mar, isso nos impõe uma assimetria"
que deve ser corrigida "como questão de justiça": "O Mercosul
tem que permitir que o Paraguai cresça". Também negou que sua posição seja
"inflexível", afirmando que "o forte e o fraco devem ser
colocados em igualdade de condições".
Na área
de integração física, defendeu que "nossos controles transfronteiriços têm
de deixar de operar em separado". Também anunciou o início das negociações
de um acordo de livre comércio com o
Japão, "um
passo histórico que fortalece nossa conexão com a Ásia".
Segundo
ele, também seguem as negociações com os Emirados Árabes Unidos, houve
avanços com o Canadá e ampliação dos acordos com a Índia. Acrescentou que
o Uzbequistão, representado na cúpula, "vê o Paraguai como uma porta
de entrada ao bloco comercial" e defendeu que "temos que focar os
acordos que já avançamos".
Sobre a
situação política regional, Peña comentou os protestos na
Bolívia: "Afirmo
nosso mais firme rechaço à tentativa de desestabilizar a Bolívia. Damos todo o
apoio e respaldo ao presidente Rodrigo Paz". Também estendeu a mão
aos venezuelanos
afetados pelos terremotos no país: "Envio minha solidariedade aos irmãos
da Venezuela e espero que o país volte a ser uma democracia plena".
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Lula defende acordo com China e destaca o Pix
Em seu
discurso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou manifestando
solidariedade às vítimas do terremoto na Venezuela. "Ontem falei com a
presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, e quero pedir um minuto de
silêncio para as vítimas do terremoto."
Ao
analisar o contexto internacional, Lula afirmou que "hoje o mundo está
profundamente transformado, com tensões geopolíticas; o protecionismo ressurge,
a fragmentação da economia mundial impõe desafios severos". Para
enfrentar esse cenário, defendeu a ampliação da integração econômica.
"Nessa
cúpula daremos um passo além iniciando as tratativas com o Japão, e logo
estaremos trabalhando para fazer o mesmo com a China". Também afirmou que
"o projeto de integração deve estar acima das ideologias".
O
presidente brasileiro defendeu o avanço da integração energética, com
maior cooperação na área elétrica e de gás, e afirmou que "desenvolver
cadeias de valor agregado é uma questão de segurança nacional e
soberania". Também destacou a proposta apresentada pelo Paraguai para
minerais estratégicos. "O mapa do caminho de minerais críticos proposto
pelo Paraguai pode ser um ponto de partida para reforçar a autonomia dos nossos
países."
Na área
financeira, Lula afirmou que "o Pix é uma referência internacional e sua
arquitetura pode servir de base para uma infraestrutura de pagamentos que
beneficie todos os cidadãos do Mercosul". Também destacou a cooperação com a
Interpol para
combater o crime organizado na Amazônia e anunciou que "o Brasil vai
financiar a presença de delegados em Buenos Aires, onde está a sede
regional" da organização.
Ao
comentar o cenário político interno brasileiro, ressaltou os avanços econômicos
do governo e afirmou: "Vou disputar essas eleições para assegurar que o
Brasil permaneça um país democrático".
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Uruguai anuncia prioridades
O
presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, destacou a ajuda humanitária prestada à
Venezuela e defendeu que "o mundo mudou muito rápido e a resposta deve ser
mais diálogo e cooperação". Segundo ele, "queremos um Mercosul mais
moderno e mais dinâmico, que gere resultados concretos para seus
cidadãos".
Orsi
afirmou que a prioridade uruguaia será avançar na implementação dos acordos
comerciais recentemente firmados com a União Europeia e a Associação
Europeia de Comércio Livre (EFTA, na sigla em inglês). Também destacou que
buscará ampliar as negociações com Japão, Canadá, Vietnã e Índia.
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Rodrigo Paz alerta sobre 'narcoterrorismo' e protestos
O
presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, pediu solidariedade às vítimas dos
bloqueios provocados pelos protestos sociais no país. Segundo ele, "todas
as democracias estão ameaçadas, e devemos reagir de forma imediata".
Afirmou ainda que "a Bolívia atravessa um momento complexo, impulsionada
por radicais financiados por economias ilícitas e pelo crime organizado".
Paz
declarou que o estado de exceção implementado por ele "serve para retornar
à normalidade", defendeu que "o narcoterrorismo deve ter uma
resposta" e afirmou que "há de se levar em conta a espécie de
primavera árabe no nosso continente".
Além
dos discursos, a integração regional avançou no plano institucional. Na véspera
da cúpula, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, assinou
três instrumentos durante a 68ª Reunião Ordinária do Conselho do Mercado Comum
(CMC): o Acordo do Mercosul sobre o Reconhecimento Mútuo de Meios de
Identificação e Autenticação Eletrônica; o Acordo Modificativo do Anexo I do
Acordo sobre Documentos de Viagem e de Retorno dos Estados Partes do Mercosul e
Estados Associados; e o Protocolo Bilateral sobre Regulamentação do Transporte
de Cargas Menores entre Brasil e Paraguai.
O
encontro também ressaltou os resultados alcançados pelo Mercosul desde sua
criação, em Assunção, há 35 anos. Nesse período, o comércio entre os
países do bloco cresceu 500%, enquanto as exportações para mercados fora do
Mercosul aumentaram mais de 800%.
Outro
tema de destaque foi o Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul
(Focem, no acrônimo em espanhol), após o anúncio de um aporte brasileiro de US$
100 milhões (cerca de R$ 517 milhões) para reduzir as assimetrias entre os
países-membros.
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Mercosul abre negociações para acordo com Japão e prepara
diálogo com China, diz Lula
Na
abertura da 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Assunção, que
celebra os 35 anos do bloco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a
ampliação da agenda comercial do grupo em meio às transformações da economia
mundial e ao avanço do protecionismo.
"Nesta
cúpula daremos um passo além, iniciando as tratativas com o Japão, e logo
estaremos trabalhando para fazer o mesmo com a China", afirmou Lula nesta
terça-feira (30).
O
presidente Lula criticou o avanço do
unilateralismo no
mundo e disse que a fragmentação econômica ameaça comércio, investimentos
e desenvolvimento sustentável. A resposta, segundo Lula, deve ser ampliar a
presença internacional do Mercosul e fortalecer a integração sul‑americana.
©
telegram SputnikBrasil
"O
Mercosul permanece como principal espaço institucional em uma região cada vez
mais polarizada. O projeto de integração sul-americana deve estar acima de
qualquer divergência ideológica", afirmou.
Ainda
segundo Lula, a integração precisa se aprofundar em outras áreas, como a
financeira, citando o Pix como uma "referência internacional e sua
arquitetura pode servir de base para uma infraestrutura de pagamentos que
beneficie todos os cidadãos do Mercosul".
Ele
destacou a evolução do comércio interno do
bloco,
que passou de US$ 4,5 bilhões (cerca de R$ 25,2 bilhões) em 1991 para US$
50 bilhões (mais de R$ 280 bilhões) em 2025, além do crescimento de mais de
100% no intercâmbio com o mundo em relação a 2024, chegando a US$ 770 bilhões
(aproximadamente R$ 4,3 trilhões).
Para
além disso, o presidente defendeu o desenvolvimento das "cadeias de valor
agregado", afirmando ser "uma questão de segurança nacional e
soberania", e acrescentou: "o mapa do caminho de minerais críticos
proposto pelo Paraguai pode ser um ponto de partida para reforçar a autonomia
dos nossos países".
Por
fim, Lula destacou a importância da hidrovia Paraguai‑Paraná, que movimenta
quase 100 mil toneladas por ano, como eixo central da logística do
Mercosul, reforçando o caráter do bloco como instrumento de proteção econômica
e expansão comercial
regional em
um ambiente internacional mais competitivo.
A 68ª
Cúpula do Mercosul em Assunção marca os 35 anos do tratado fundacional do bloco
sul-americano, assinado nesta mesma capital.
Ao
mesmo tempo, marca o início das negociações de um acordo de livre comércio com
o Japão e ocorre em um momento de ampliação das parcerias comerciais
internacionais do Mercosul, incluindo o acordo com a União Europeia (UE) e
novas aproximações com mercados asiáticos, como Índia e Vietnã.
Fonte:
Sputnik Brasil

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