É
improvável que brasileiro preso pelo governo Trump seja chefe do PCC e do CV
O
Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS, na sigla em inglês)
afirmou que prendeu o brasileiro Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla e o
apontou como comandante tanto do Primeiro Comando da Capital (PCC) quanto do
Comando Vermelho (CV).
Dell
Aquilla foi preso por agentes do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega dos
Estados Unidos. Ele entrou ilegalmente nos EUA em data e local desconhecidos.
A
detenção ocorreu em 5 de junho na Carolina do Norte, após uma perseguição, mas
só veio a público na noite de segunda-feira (15/6).
Em
nota, as autoridades americanas afirmam que "Aquilla já havia sido
comandante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV),
ambos classificados [pelos Estados Unidos] como organizações terroristas
estrangeiras".
No
entanto, investigadores da Polícia Federal (PF) que atuam no combate ao crime
organizado disseram à BBC News Brasil, em caráter reservado, que a indicação de
que Dell Aquila teria exercido cargos de liderança no PCC e no CV é considerada
inusitada por dois motivos.
O
primeiro é pelo fato de que, historicamente, PCC e CV são facções rivais que
disputam mercados e rotas de escoamento de drogas há décadas. Por isso, uma
"mudança de lado" entre integrantes com cargo de direção é
considerada uma possibilidade remota.
O
segundo motivo é o fato de que Dell Aquilla, segundo dados de inteligência, não
constaria como membro nem do PCC nem do CV até o momento.
De
acordo com os investigadores com quem a BBC News Brasil conversou, Dell Aquilla
teria um histórico de crimes de extorsão e até poderia ter prestado algum
serviço para facções, mas não haveria indícios de que ele exerceria cargos de
lideranças nestas organizações.
Em São
Paulo, uma autoridade que atua há décadas no combate ao crime organizado disse
à BBC News Brasil, em caráter reservado, que duvida que Dell Aquilla seja
membro de alguma das duas facções.
Por
outro lado, segundo o sociólogo Gabriel Feltran, diretor de pesquisa no Centre
National de la Recherche Scientifique (CNRS) e professor titular da Sciences
Po, em Paris, já não é possível falar em chefes ou líderes das organizações
criminosas modernas.
De
acordo com ele, que é autor de Irmãos: Uma História do PCC, as facções se
organizam de uma maneira que "existem posições ocupadas por pessoas que
têm responsabilidades com os grupos", mas que não necessariamente
"mandam" neles.
"Não
conheço esse preso e nunca tive informação de que fosse integrante ou líder do
PCC. Duvido muito que seja integrante das duas facções", diz Feltran.
As
autoridades americanas disseram que havia um mandado internacional emitido pelo
Brasil contra Dell Aquilla por acusações de associação criminosa e extorsão.
Mas, até o fim da manhã de terça-feira (16/6), seu nome constava na lista
vermelha pública da Interpol.
No
Brasil, há dois mandados nacionais de prisão — por coação no curso do processo
e extorsão agravada.
A BBC
News Brasil pediu informações sobre o brasileiro ao Ministério da Justiça e ao
Itamaraty, mas não obteve resposta.
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PCC e CV classificados como terroristas
Recentemente,
o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou as PCC e o CV como
organizações terroristas.
Em
comunicado publicado no último dia 28, o secretário de Estado, Marco Rubio,
afirmou que ambas as facções "são duas das organizações criminosas mais
violentas do Brasil" e que elas serão designadas como Organizações
Terroristas Estrangeiras a partir do dia 5 de junho.
"A
Administração Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para
proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo drogas
ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo os fluxos de receita que financiam
narcoterroristas violentos", afirmou.
A
medida também possibilita que pessoas ligadas ao PCC e CV tenham bens e ativos
que estejam sob jurisdição dos EUA congelados sem aviso prévio.
Também
proíbe transações financeiras entre pessoas ou empresas americanas e essas
organizações e prevê sanções contra indivíduos ou entidades que forneçam apoio
material, financeiro ou logístico a esses grupos.
O
anúncio ocorreu um dia após o senador e pré-candidato à Presidência da
República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com Marco Rubio, e na mesma em que
ele pediu que o presidente Donald Trump designasse as facções brasileiras como
organizações terroristas, durante encontro na Casa Branca.
A
decisão do governo americano foi comemorada pelo senador nas redes sociais.
"Grande dia", escreveu Flávio no X, compartilhando o comunicado de
Rubio.
A
decisão do governo Trump confere às facções brasileiras o mesmo status jurídico
de grupos que são alvo, há mais de um ano, de duras intervenções de Washington
na América Latina, como os cartéis de Sinaloa e Jalisco Nova Geração, no
México, o Tren de Arágua, na Venezuela, e o Clã do Golfo, na Colômbia.
Segundo
especialistas consultados pela BBC News Brasil, com exceção do caso
venezuelano, a designação como terrorista não levou, pelo menos até o momento,
ao enfraquecimento dessas organizações ou a uma diminuição da criminalidade.
Mas a
classificação significou, em alguns casos, penas mais duras para criminosos
capturados e extraditados para os Estados Unidos e, principalmente, sanções
econômicas específicas e um monitoramento muito mais rigoroso das transações
financeiras dos grupos nos EUA e com empresas que possuem laços em território
americano.
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Quem é o brasileiro preso nos EUA
Autoridades
americanas disseram na segunda-feira (15/06) que prenderam um brasileiro que
teria sido comandante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando
Vermelho (CV).
Segundo
o departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS), a detenção de Felipe Linares
De Oliveira Dell Aquilla aconteceu no dia 5 de junho na Carolina do Norte, após
uma perseguição.
Ele foi
preso por agentes do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados
Unidos. Aquilla entrou ilegalmente nos EUA em data e local desconhecidos.
As
autoridades americanas disseram que informações da polícia indicavam que ele
mantinha a própria esposa em cárcere privado enquanto se preparava para fugir
para o México.
O DHS
disse que Aquilla tentou fugir da abordagem policial em seu veículo, dando
início a uma perseguição que terminou com ele colidindo com outros carros
parados.
"Ele
então tentou fugir a pé, mas foi preso logo em seguida. Uma busca em seu
veículo resultou na apreensão de diversos celulares, laptops, dinheiro e uma
pistola 9mm. Durante um interrogatório, a esposa de Aquilla confirmou que havia
sido mantida em cárcere privado", diz a nota.
Segundo
as autoridades americanas, ele era conhecido como "Don" e possuía um
mandado de prisão internacional no Brasil por acusações de associação criminosa
e extorsão.
Até o
momento, o nome de Aquilla não consta na lista vermelha pública de procurados
da Interpol, a organização internacional de cooperação policial.
Ele
possui dois mandados nacionais de prisão no Banco Nacional de Mandados de
Prisão do Conselho Nacional de Justiça, ambos expedidos pela 3ª Vara Criminal
Central do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Um
deles é de 2019 para prisão preventiva por coação no curso de processo. O
outro, de 2024, é por extorsão agravada — crime para o qual foi condenado em
primeira instância a nove anos e sete meses de prisão em regime fechado. Crime
de extorsão é obrigar alguém, com ameaça ou violência, a entregar dinheiro ou
vantagem indevida.
As
autoridades americanas dizem em sua nota que "Aquilla já havia sido
comandante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV),
ambos classificados [pelos Estados Unidos] como organizações terroristas
estrangeiras".
Mas
segundo o sociólogo Gabriel Feltran, diretor de pesquisa no Centre National de
la Recherche Scientifique (CNRS) e professor titular da Sciences Po, em Paris,
já não é possível falar em chefes ou líderes das organizações criminosas
modernas.
Segundo
ele, que é autor de Irmãos: Uma História do PCC, as facções se organizam de uma
maneira que "existem posições ocupadas por pessoas que têm
responsabilidades com os grupos," mas que não necesariamente
"mandam" neles.
Desde o
dia 5 de junho — mesmo dia da prisão de Aquilla — o PCC e o CV passaram a ser
considerados organizações terroristas pelo governo dos EUA, em decisão que
havia sido anunciada no mês passado.
A
medida americana desagradou o governo brasileiro, que diz que ela pode colocar
em risco a soberania nacional ao abrir espaço para ações militares dos EUA sob
o pretexto de combate ao terrorismo. O governo brasileiro também alega que a
medida vai contra a legislação brasileira que faz uma distinção entre as
atividades praticadas por facções criminosas e o terrorismo.
"Esta
prisão demonstra o compromisso inabalável do HSI em proteger nossas comunidades
de criminosos internacionais perigosos", disse Mark M. Zito, agente
especial do departamento de Investigações de Segurança Interna nos Estados da
Carolina do Norte e do Sul.
"Ao
prender um líder conhecido de organizações terroristas estrangeiras violentas —
procurado por crimes graves, incluindo associação criminosa e extorsão —
evitamos maiores danos a pessoas inocentes aqui e no exterior."
Aquilla
foi levado para uma prisão local e deverá ser indiciado por fuga para evitar
prisão, porte ilegal de arma de fogo e sequestro.
Fonte:
BBC News

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