Copa
do Mundo: O big data por trás do futebol
A Copa
do Mundo da FIFA de 2026, que teve
início em 11 de junho, ela será o
torneio mais movido a dados da história do esporte: marcações de impedimento
assistidas por IA, uma bola equipada com sensores, scans em 3D de todos os
1.248 jogadores e um assistente de IA para cada seleção. Rastreamento em tempo
real, modelos de recrutamento e painéis táticos são hoje ferramentas comuns do
futebol profissional. Por trás de cada um desses pontos de dados estão
trabalhadores que a transmissão de TV raramente mostra.
As
conversas sobre tecnologia na Copa do Mundo param nas telas: a linha de
impedimento, o VAR, as estatísticas ao vivo. Poucos perguntam quem produz os
dados por trás disso, onde e em que condições. No meu novo projeto de pesquisa,
Trabalhadores de Tecnologia no Futebol (Tech Workers in Football), financiado
pelo Creative Labour and Critical Futures da Universidade de Toronto, estou
mapeando a força de trabalho por trás das cadeias de valor de dados do futebol.
E isso
não é novo. A inteligência artificial, em qualquer lugar, funciona com dados,
com o trabalho humano que anota e valida esses dados e com infraestrutura
física. O futebol depende desse tipo de trabalho há muito mais tempo do que
sugere a empolgação atual com a IA. Há mais de uma década, um dos maiores
clubes do Reino Unido, o Arsenal, comprou uma pequena empresa de análise de
dados com a qual já trabalhava e a incorporou ao clube como um departamento
interno de ciência de dados — uma empresa cujas imagens de jogos eram, por sua
vez, codificadas por uma força de trabalho de dados no Camboja e no Laos. Isso
foi em 2014. A força de trabalho de dados do futebol vem se formando há mais de
10 anos, e tem recebido pouca atenção.
Há três
camadas principais nas cadeias de valor de dados do futebol. Mais perto do jogo
estão os trabalhadores de tecnologia internos aos clubes: os analistas e
cientistas de dados que os clubes contratam diretamente, atuando ao lado das
comissões técnicas. Mesmo entre clubes de uma mesma liga, não há uma forma
única de organizar esse trabalho. Os departamentos recebem nomes diferentes e
ocupam cantos diferentes do clube, os arranjos de trabalho variam, e os
profissionais vêm de formações bastante distintas — doutorados em física ou
matemática, pessoas recrutadas nas grandes empresas de tecnologia (Big Tech) e,
em lugares como o Brasil, formação em educação física. Esses arranjos variam de
um clube para outro, e os clubes costumam mantê-los em segredo. O modo como os
diferentes clubes organizam seus departamentos de ciência de dados varia, assim
como podem variar os arranjos entre a comissão técnica e a equipe de
trabalhadores de tecnologia. Até hoje, nenhuma pesquisa documentou o perfil
desses trabalhadores de tecnologia no futebol.
Para
além dos clubes estão os fornecedores de dados, e eles não são de um único
tipo. Alguns coletam os dados oficiais de eventos, o registro estruturado das
ações com a bola, e parte deles também detém os direitos de coletar e
distribuir o feed oficial de uma liga para a mídia e para as casas de apostas.
Outros se especializam em rastreamento (tracking), usando câmeras nos estádios
para fixar a posição de cada jogador em campo, e são seus engenheiros que
transformam vídeo bruto em dados. Uma startup francesa, por exemplo, constrói
dados de rastreamento de jogadores apenas a partir das imagens de transmissão.
Ao
redor deles há um ecossistema mais amplo: fabricantes de vestíveis (wearables)
com GPS e sensores inerciais que medem o quanto e com que intensidade os
jogadores correm, plataformas de vídeo que gravam e etiquetam as partidas,
bancos de dados de scouting que os clubes vasculham em busca da próxima
contratação, consultorias de análise de dados que modelam o desempenho a partir
de dados próprios ou de terceiros, empresas nascidas na indústria das bets que
hoje vendem previsões, e sistemas de gestão de atletas que tentam prever o
risco de lesões. Em todas essas camadas, quem faz o trabalho costuma ser
funcionário em tempo integral, muitas vezes vinculado a acordos de
confidencialidade e concentrado em poucos polos de negócios. E o campo está se
estreitando: um pequeno número de empresas hoje controla os dados de que a
maioria dos clubes de futebol depende, várias delas montadas por meio de
sucessivas ondas de aquisições, e o setor tem atraído capital de private equity
e dinheiro do mercado de ações à medida que se consolida.
Mais
distante dos olhares do público, na base, estão os trabalhadores de dados que
anotam o que acontece em campo. Eles assistem aos jogos e transformam cada
passe, desarme e finalização em dados estruturados, correndo contra a
transmissão enquanto fazem isso. O trabalho se concentra em cidades de salários
mais baixos: mais de 100 trabalhadores de dados anotam jogos a partir de um
único escritório em Ternópil, na Ucrânia, e uma força de trabalho semelhante
faz o mesmo no Cairo, no Egito. No nível mais baixo, boa parte desses dados ao
vivo é coletada por pessoas contratadas jogo a jogo, como prestadores autônomos
pagos por peça. Uma empresa alemã, hoje parte de uma empresa australiana de
tecnologia esportiva, tem seus jogos anotados por uma equipe de dados nas
Filipinas, onde os trabalhadores podem levar de três a quatro horas em um único
jogo.
No
livro Expected Goals, Rory Smith conta que todo novo anotador de dados em
Manila aprende o ofício a partir de uma única partida: a vitória da Alemanha
por 7 a 1 sobre o Brasil na semifinal da Copa de 2014. Naquele jogo, apesar de
finalizar e tocar a bola mais do que o adversário, o Brasil foi atropelado, e
os trabalhadores de dados aprenderam quais outros dados precisam ser levados em
conta na hora de assistir aos jogos e etiquetar os dados.
Essas
camadas sustentam o modo como o futebol é hoje assistido e gerenciado em suas
diferentes dimensões: os gráficos na transmissão, o número de probabilidade de
vitória na tela, as decisões sobre tempo de jogo e táticas, o jogador que um
clube acabou de contratar com base em dados. Esses trabalhadores são hoje
essenciais ao futebol, mas pouco conhecidos do grande público. Mesmo os
cientistas de dados, os mais visíveis entre eles, raramente são conhecidos pelo
nome fora de seus clubes. Quanto mais embaixo na cadeia, menos o trabalho é
visto, enquanto a decisão no topo é a coisa mais pública do jogo. Algumas das
pessoas que coletam dados ao vivo acabaram nos tribunais, entre elas torcedores
e estudantes pagos com pouco mais do que ingressos para os jogos, presos em
disputas entre os gigantes dos dados a quem fornecem seus feeds.
A
cadeia de valor de dados no futebol também tem uma geografia. O trabalho de
análise de dados de alto valor se concentra em um punhado de centros ricos,
enquanto a anotação de dados se concentra em cidades no Leste Europeu, na
África, no Sul da Ásia e no Sudeste Asiático. Clubes fora das ligas dominantes,
no Brasil, por exemplo, muitas vezes pagam esses fornecedores em moeda
estrangeira pela infraestrutura de que dependem seus próprios trabalhadores de
tecnologia. Mas seria um erro entender essas ligas fora da Europa como
simplesmente atrasadas. O futebol brasileiro, por exemplo, tem construído seus
próprios arranjos. Há empresas de dados que montam suas próprias equipes para
registrar cada jogo a partir do sinal de televisão, e consultorias de dados que
treinam os analistas que os clubes agora correm para contratar. E há um mercado
de trabalho de ciência de dados que circula dentro da América Latina,
construído em torno de departamentos internos de análise de dados que transitam
entre os clubes brasileiros.
Compreender
as complexas relações político-econômicas e geográficas das cadeias de valor de
dados no futebol é uma tarefa para a pesquisa futura. Um mecanismo
transfronteiriço, em especial, merece atenção: um número crescente de
investidores é dono de vários clubes em diferentes países e os administra como
um único portfólio. Métodos, dados e profissionais se movem entre esses clubes
como transferências internas: a direção de um clube brasileiro afirma usar, por
contrato, os mesmos analistas de desempenho, dados e software que o clube
inglês no topo de seu grupo proprietário.
A Copa
do Mundo vai colocar os dados e a IA do futebol no maior palco que existe.
Centenas de milhões de pessoas vão assistir aos jogos e discutir os números na
tela. Os trabalhadores de dados correndo contra o relógio da transmissão, os
fornecedores de dados vendendo dados a terceiros, os analistas de dados
preparando relatórios e negociando com as comissões técnicas não vão aparecer
na tela, mas nada desse espetáculo existiria sem eles. O futebol atualmente
funciona tanto com o trabalho deles quanto com o dos jogadores. Pesquisadores,
imprensa e mesmo os clubes precisam levar essa força de trabalho mais a sério,
e entender os seus perfis: quem são, onde trabalham, quanto ganham e que voz
têm sobre as tecnologias das quais dependem. E diferentemente do beisebol, o
esporte que os dados conquistaram primeiro, o futebol nunca se rende por
completo aos números. Ele continua mágico, imprevisível. E, claro, sabemos
disso melhor do que ninguém.
• O que o número na camisa da seleção
revela sobre a história do Brasil na Copas
A
camisa mais famosa do futebol brasileiro esteve ausente do jogo de estreia da
Seleção na Copa do Mundo, quando o Brasil empatou com o Marrocos, no sábado
(13/6), no Metlife Stadium, em Nova Jersey.
Confirmado
no dia 29 de maio como portador da camisa 10 até o final da Copa, o atacante
Neymar estava afastado dos gramados desde o dia 17 com lesão na panturrilha
direita.
O
jogador do Santos usou o número mítico da Seleção pela última vez há exatos
dois anos e oito meses.
Na
ocasião, em 17 de outubro de 2023, o Brasil foi derrotado por 2X0 para o
Uruguai em partida válida pelas eliminatórias da Copa.
Desde
aquela terça-feira em Montevidéu, a dezena verde-amarela vinha sendo ostentada
por Vini Jr., atacante do Real Madri, a quem agora cabe o número 7 - e a quem
coube também salvar o Brasil na estreia - foi ele quem marcou o gol de empate,
depois de a seleção começar o jogo perdendo.
A aura
— e o carma — associados à numeração de camisetas são daqueles detalhes que
fazem o futebol assumir às vezes ares de esoterismo de chuteiras.
Apresentadora
do programa Balanço da Copa, do SBT, Carol Barcellos afirma que o número da
camisa da Seleção traz mais força do que peso a quem a veste.
"Ter
a chance de vestir uma camisa que tem um encanto, é mágica, para pouquíssimos
seres vivos, é uma grande oportunidade. E para a gente, vai ter sempre muita
magia", diz a jornalista à BBC News Brasil.
Mais do
que exigência regulamentar, os algarismos exibidos nas costas dos uniformes
tornaram-se substantivos comuns utilizados até por quem nunca assistiu a um
jogo.
Em
português, camisa 10 é sinônimo de protagonismo, maestria, alta performance —
ou, no mínimo, elevada expectativa.
Afinal,
essa foi a peça vestida por Pelé nas três primeiras Copas do Mundo conquistadas
pela Seleção Brasileira — em 1958, 1962 e 1970.
Inspirados
no rei do futebol, seleções nacionais e times passaram a reservar o número aos
melhores atletas.
Entre
eles, estão Diego Maradona e Lionel Messi, da Argentina, Michel Platini e
Zinedine Zidane, da França, Roberto Baggio, da Itália, além dos brasileiros
Zico, Raí, Ronaldinho Gaúcho e Kaká.
A par
de seus múltiplos talentos e diferenças, todos esses jogadores lendários
tiveram em comum o número 10.
"O
número da camisa pesa de jeitos diferentes, conforme o olhar de cada um",
opina o jornalista e escritor Juca Kfouri à BBC News Brasil.
"Pesa
muito para quem olha a camisa 10 e identifica nela o melhor do time desde que o
rei Pelé a ressignificou, por acaso."
Por
azar, a Seleção Brasileira de 1958 cometeu um escorregão burocrático e não
enviou com antecedência os nomes e números dos jogadores ao comitê organizador
da Copa na Suécia.
O
incidente, que tinha tudo para se resumir ao ridículo — o goleiro Gilmar entrou
em campo com a camiseta número 3, o ponta-direita Garrincha, com a 11 —,
ascendeu ao sublime ao brindar o então adolescente Edson Arantes do Nascimento
com o número 10. O resto é história.
História,
pondera Kfouri, que pode ser distinta a depender da perspectiva nacional.
"O
holandês dirá que bom mesmo é quem usa a 14, de Johan Cruyff", lembra.
O
futebol teria sido outro se a numeração de jogadores não tivesse surgido no
início do século passado como forma de facilitar a identificação dos atletas em
um esporte que se massificava.
"Em
1911, houve uma inovação sensacional em uma partida local de 'Futebol
Australiano' em Sydney quando os jogadores dos dois times vestiram um número
diferente às costas", afirma a Federação Internacional de História e
Estatística do Futebol.
Mesmo
essa primazia, entretanto, é controversa: imagens de um jogo entre Fitzroy e
Collingwood, da Austrália, mostram jogadores usando números em maio de 1903.
Em
1939, a Liga de Futebol britânica decretou que todos os times deveriam usar
camisas de 1 a 11, mas a eclosão da Segunda Guerra Mundial e o fechamento dos
estádios adiou a implantação da norma.
Nos
primeiros tempos, a ordem da numeração variava. O goleiro invariavelmente era
identificado com o número 1. A partir dele, a distribuição dos algarismos
prosseguia entre os jogadores de linha, da esquerda para a direita (do ponto de
vista oposto ao do goleiro), até o ponta-esquerda, a quem era atribuído o 11.
Mudanças
na forma de jogar complicaram o esquema inicial. A formação clássica tinha dois
zagueiros, três meio-campistas e cinco atacantes (o famoso 2-3-5).
Quando
o antigo centro-médio, com o número 5, recuou para se tornar zagueiro central,
posicionando-se entre os números 2 e 3, a sequência embaralhou-se para sempre.
Na
primeira Copa do pós-Segunda Guerra, a de 1950, a numeração começou a ser
adotada, mas os critérios variavam de país para país. Nos seis jogos da Seleção
Brasileira no Mundial, a única sequência de jogadores e números repetida foi a
da semifinal e final: Barbosa (1), Augusto (2), Juvenal (3), Bauer (4), Danilo
Alvim (5), Bigode (6), Friaça (7), Zizinho (8), Ademir Menezes (9), Jair da
Rosa Pinto (10) e Chico (11).
A
numeração fixa dos 22 jogadores titulares e reservas só passou a valer na Copa
seguinte, a de 1954, na Suíça, quando o 10 ficou com José Lázaro Robles, o
Pinga.
Jair da
Rosa Pinto, com 22 gols pela Seleção, e Pinga, com 10, foram exímios jogadores,
mas não a ponto de imortalizar o número da camisa.
Com o
seu próprio 10 na biografia — o número de Copas que cobriu nos países-sede de
1982 a 2022 —, Kfouri aponta outro fator capaz de desequilibrar a balança dos
números das camisetas: a história clubística.
"Memphis
Depay (atacante do Corinthians) fez questão de tomar a 10 de Rodrigo Garro, o
argentino que cultiva o número da camisa de Diego Maradona e Lionel Messi
(atacantes da Seleção da Argentina), mas acabou com a 8 do Doutor Sócrates,
muito mais importante que a 10 de Roberto Rivellino para o corintiano",
diz o comentarista.
Para o
redator-chefe da revista Placar, Luiz Felipe Castro, o critério da numeração
nos clubes — ou a falta dele — deveria ser levado mais a sério pelos clubes.
"Recentemente,
vimos bons jogadores como Gabigol, então no Flamengo, e Rony, no Palmeiras,
herdarem o número que, por uma série de razões, não lhes convinha (o 10), e não
aguentarem essa pressão", argumenta.
Autor
de Além das quatro linhas (2016), Democracia Fútbol Club (2019) e Um outro
futebol (2026) o jornalista e escritor Roberto Jardim afirma que o holandês
Ajax chegou a aposentar a camisa 14 para celebrar os 60 anos de seu eterno
titular, Cruyff.
A
medida pode proteger jovens da pressão da comparação com ídolos consolidados.
"Não
lembro, por exemplo, de nenhum camisa 5 ou 9 do Internacional que tenha tido o
desempenho ou a qualidade de Falcão ou Fernandão, respectivamente, depois
deles", explica.
"O
mesmo vale para a 7 do Grêmio, imortalizada por Renato Portaluppi. A 10 do
Flamengo só encontrou similaridade com Zico em Petkovic e, agora, de
Arrascaeta."
Outro
veterano em coberturas de Copas — esteve na Argentina, em 1978, pelo Jornal do
Brasil, e na Espanha, em 1982, pela Folha da Tarde —, o jornalista Nilson Souza
diz que todas as camisetas pesam.
"Algumas
pesam alguns gramas, outras pesam quilos, e a número 10 pesa toneladas pela
quantidade de jogadores talentosos que já a vestiram", afirma.
Não há
camiseta que compense a falta de qualidade do atleta, alerta Souza, utilizando
o exemplo do volante gaúcho Claiton.
"Ele
usou a camisa 5, de Falcão, no Internacional, a camisa 7, de Garrincha, no
Botafogo, e a camisa 10, de Pelé, no Santos. Só vestiu camisas pesadas, e
pesaram tanto que ele nunca se destacou."
Um
mergulho na cabala das camisas seria incompleto se não incluísse a 9, que na
Seleção foi de Zózimo (1958), Coutinho (1962), Tostão (1970), Zinho (1994) e
Ronaldo Fenômeno (1998, 2002 e 2006), recaindo hoje sobre Matheus Cunha.
"E
tem a 7", acrescenta Kfouri, lembrando que a camiseta vestiu "Mané
Garrincha, o mais irreverente gênio da História do futebol, e veste Cristiano
Ronaldo, o mais perfeccionista".
"Mas,
veja: Zagallo usou a 7 em 1958, na Suécia, embora jogasse na
ponta-esquerda", complementa.
"Depois
a 21, em 1962, no Chile, múltiplo de sete. No Flamengo e no Botafogo usou a 11,
mas ficou ligado ao 13, embora não votasse no PT..."
Se
fosse vivo (faleceu em 2024), o supersticioso Zagallo talvez lembrasse de um
detalhe que une as Copas de 1958 e 2026: em ambas, a Seleção estreou sem o 10
(na Suécia, lesionado, Pelé ficou no banco até o terceiro jogo, contra a União
Soviética).
E não
esqueceria de ressaltar que "Estados Unidos" tem 13 letras, e a
bandeira do país, 13 listras.
Fonte:
Por Rafael Grohmann, em Outras Palavras/BBC News Brasil

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