"O
maior obstáculo para a longevidade é o etarismo", diz autora e ativista
A
americana Ashton Applewhite, ativista e autora do livro "This chair rocks:
A manifesto against ageism", defendeu que um passo fundamental para
aumentar a expectativa e a qualidade de vida da população é combater o etarismo
– preconceito e discriminação com base na idade de uma pessoa.
Em sua
obra, ainda sem edição em português, a escritora dos EUA explica as raízes do
preconceito etário e analisa seus impactos individuais e sociais.
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Durante
participação no 18º Fórum da Longevidade, na terça-feira (21), Applewhite disse
que é necessário parar de negar o envelhecimento. "O etarismo se alimenta
de negação. Todos estão envelhecendo desde o momento em que nascemos.
Envelhecer não é algo triste que acontece com as pessoas mais velhas. Viver é
envelhecer", falou.
A
associação do envelhecimento a algo negativo pode, inclusive, ter impactos
físicos. "Hoje nós sabemos que nossa atitude em relação à idade afeta o
modo como nosso corpo envelhece. Pessoas com uma visão positiva se curam mais
rápido, vivem mais e vivem melhor", explicou ela.
Applewhite
também ressaltou que é impossível falar sobre os efeitos do etarismo sem
abordar outras formas de discriminação – o envelhecimento traz desafios
diferentes para mulheres, pessoas não-brancas ou pessoas com deficiência.
"Quando
mudamos o mundo para que seja um lugar melhor para as pessoas mais velhas, ele
também se torna um lugar melhor para as mulheres e para os humanos de maneira
geral", concluiu Applewhite.
• Apenas 17% dos brasileiros acham que
envelhecer é ruim, diz estudo
No
Brasil, apenas 17% das pessoas enxerga o envelhecimento de forma negativa,
enquanto 97% demonstram algum nível de interesse pelo tema. É o que aponta a
nova edição do Indicador de Longevidade Pessoal (ILP), pesquisa realizada pela
Edelman para o Grupo Bradesco Seguros.
O
trabalho, divulgado na segunda-feira (20) à imprensa, mostra que, embora a
consciência sobre a longevidade seja alta, ainda existem lacunas em
planejamento e prática para envelhecer com qualidade. O dado é relevante diante
do crescimento da expectativa de vida do brasileiro e da população idosa no
Brasil: em 2050, a expectativa é de que quase 30% da população (mais de 66
milhões de pessoas) terá mais de 60 anos, de acordo com o Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE).
A
segunda edição do ILP foi realizada com 4.400 respondentes de todas as regiões
do Brasil, com idade igual ou superior a 18 anos. O objetivo da pesquisa era
entender como os brasileiros encaram o envelhecimento e se estão preparados
para viver mais e melhor.
Para
isso, foram analisados seis pilares, desenvolvidos em parceria com o
gerontólogo Alexandre Kalache, considerados fundamentais para a longevidade.
Cada um deles recebia uma pontuação:
• Atitudes em relação à longevidade (20
pontos);
• Saúde física (20 pontos);
• Saúde mental (20 pontos);
• Interações sociais e meio ambiente (20
pontos);
• Cuidados de saúde e prevenção (10
pontos);
• Finanças (10 pontos).
Entre
os pilares, as atitudes em relação à longevidade apresentou a pontuação mais
alta nas pesquisa, enquanto o "finanças" teve o desempenho mais
baixo.
Além da
leitura nacional, a nova edição da pesquisa analisou em profundidade 10
estados: Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Pará, Paraná, Pernambuco,
Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.
Entre
os destaques estão: 79% brasilienses dizem buscar novas habilidades ou
conhecimentos com alta frequência; 42% dos baianos consideram a longevidade uma
prioridade em suas vidas; e 79% dos paulistas consideram o impacto de suas
atitudes no futuro sempre ou frequentemente.
"O
que quer dizer longevidade? É a longa vida, e essa vida mais longa vem cheia de
surpresas, nem sempre boas ou as que você escolheria. Então, crie reservas para
a saúde, capriche. Se você puder escolher alimentos saudáveis, [escolha],
porque muita gente sabe o que é bom, mas não tem poder aquisitivo para
comprá-lo", afirma Kalache em entrevista à CNN.
O
especialista elenca, ainda, outras dicas que considera essenciais para
envelhecer com qualidade de vida, incluindo adquirir conhecimentos, aprender a
utilizar novas tecnologias, manter um bom convívio social com amigos e
familiares, incluindo pessoas de gerações mais jovens.
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Jovens e homens são os menos engajados com cuidados para o envelhecimento
Segundo
a pesquisa, 84% das pessoas consideram a longevidade como prioridade ou se
importam muito com o tema. O interesse pelo assunto aumenta com a idade:
pessoas com mais de 50 anos lideram o interesse para aprender mais sobre o tema
(45%), enquanto mais jovens demonstram o menor engajamento (25%).
Em
relação ao conhecimento sobre longevidade, 78% das pessoas buscam novas
habilidades e conhecimentos com frequência e, entre o público com mais de 50
anos, o número é ainda mais relevante: 85% buscam aprender novas habilidades ou
adquirir conhecimentos.
O
estudo também mostrou que sete em cada 10 pessoas se inspiram em pessoas mais
velhas, enquanto apenas 10% têm jovens como referência.
"A
melhor forma de engajar um jovem para que ele possa pensar na longevidade é
fazer com que ele conviva com pessoas mais idosas", afirma Kalache.
"É preciso fazer com que exista uma troca entre as gerações para poder
aprender a crescer, a se desenvolver e a envelhecer."
Outra
descoberta do estudo é que o acesso à informação sobre prevenção cresce com a
idade: 77% das pessoas se atentam a informações preventivas, mas o interesse é
maior entre pessoas com 50 anos ou mais (87%). No entanto, as mulheres são mais
engajadas do que os homens na prevenção (82%).
"Nós
temos que melhorar a percepção do envelhecimento, deixar de sermos idonistas
como somos, [deixarmos de pensar] que o velho é o outro, que não tem nada a ver
comigo, e fazer com que o homem pense melhor, que ele também deve participar e
não só ser recipiente do cuidado", afirma Kalache.
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Outras descobertas do estudo envolvem relação do brasileiro com saúde física e
mental
A
pesquisa mostrou, ainda, que os cuidados com a saúde mental é um desafio para a
população mais jovem, mas é mais fácil entre as pessoas maduras. Segundo o
levantamento, a satisfação pessoal cresce com a idade: 56% das pessoas com 50
anos ou mais dizem sentir-se bastante ou extremamente bem consigo mesmas.
Além
disso, três em cada quatro pessoas praticam atividade física, mas apenas 36%
mantêm rotina de treinar quatro dias ou mais por semana. De acordo com o
estudo, 74% da população pratica alguma atividade física, com destaque para os
homens (79%) e para o público 50+ (74%), que também é o mais constante na
prática.
Fonte:
CNN Brasil

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