quinta-feira, 24 de julho de 2025

Washington Araújo: Silvério dos Reis continua assombrando a sociedade brasileira

Imagine um parlamentar brasileiro, em uma sala discreta de Washington, dialogando com um alto oficial americano: “Imponham sanções econômicas ao meu país, revoguem vistos de nossos juízes, apliquem tarifas de 50% nas exportações. Em troca, garantam impunidade para mim e minha família perante o STF.” Sem pestanejar, ignora os danos a 216 milhões de brasileiros, como perdas bilionárias na agricultura e mineração.

Esse ato, que fere a soberania nacional, encontra eco no Código Penal Brasileiro (Decreto-Lei nº 2.848/1940), que define, na Parte Especial, Título I, Capítulo I (Dos Crimes Contra a Segurança Nacional), condutas como traição à pátria. O Artigo 355, por exemplo, criminaliza “levantar-se em armas ou praticar atos de hostilidade contra o Brasil, com o objetivo de submetê-lo ao domínio ou soberania de outro país”.

Dante Alighieri, na Divina Comédia, reservou o círculo mais profundo do Inferno aos traidores, simbolizando o abismo moral de quem vende a própria terra por ganho pessoal. Maquiavel, em O Príncipe, via a astúcia e a traição como ferramentas para conquistar o poder, mas advertia sobre suas consequências devastadoras para a estabilidade estatal. Essa negociação fictícia, inspirada em fatos reais, expõe a traição à pátria como uma falha de caráter profunda, que negocia soberania por salvação pessoal, configurando-se como um delito grave previsto na Constituição Federal do Brasil e no Código Penal Brasileiro.

Grandes pensadores condenaram esse delito como uma ferida que corrói o tecido social. Cícero alertava que uma nação resiste a tolos e inimigos externos, mas sucumbe à perfídia interna, que dissolve a confiança e os laços de lealdade. A traição não é apenas um ato; é a negação da ética coletiva, um veneno que fragiliza a nação, especialmente quando atenta contra a segurança nacional.

Joaquim Silvério dos Reis encarna essa infâmia histórica. Mergulhemos um pouco mais na história: no século XVIII, durante a Inconfidência Mineira, o coronel endividado delatou conspiradores como Tiradentes à Coroa portuguesa, frustrando sonhos de independência por favores fiscais. Sua escolha, movida por egoísmo, não foi erro, mas crime de lesa-pátria, sacrificando a soberania nascente sem medir o impacto no povo — uma conduta que, hoje, poderia ser enquadrada no tipo penal já mencionado.

Nessas últimas semanas, traidores modernos, sob o véu de ideologias extremistas, articulam abertamente com potências estrangeiras, vangloriando-se em lives nas redes sociais. Eles barganham instituições judiciárias e econômicas, expondo o país a sanções devastadoras por impunidade pessoal, em ações que podem ser interpretadas como crimes contra a segurança nacional, Silvério exemplifica o oportunista calculista: sua delação em 1789 selou o enforcamento de Tiradentes, ignorando o bem comum. Relatórios da Transparência Internacional apontam que medo e vaidade movem traidores, priorizando autopreservação e fragilizando nações.

No mundo globalizado, ideologias radicais mascaram essas ações. Traidores aliam-se a rivais estrangeiros, fomentando divisões e sabotando a confiança no estado democrático, em práticas que desafiam a soberania do país

Mas o que separa o patriotismo que eleva daquele outro que corrompe? O patriotismo sectário, inflamado por ódio e superioridade, transforma amor à pátria em arma contra o “outro”, erguendo barreiras e alimentando conflitos. Já o patriotismo saudável é inclusivo, voluntário, nutrido por valores éticos que promovem justiça social e respeito mútuo, rejeitando xenofobia e ufanismo cego.

Freud diria que o traidor sucumbe ao ego, sacrificando o superego ético. Falhas educacionais, como aponta a UNESCO, nutrem esse individualismo radical, amplificado pelas Big Tech, que burlam legislações em nome da lei da selva. Viktor Yanukovych, ex-presidente ucraniano, fugiu para a Rússia em 2014, alegando pró-eslavismo. Negociou com Moscou para escapar de acusações de corrupção, pavimentando intervenções militares e expondo seu povo a conflitos infindáveis.

No Brasil atual, um parlamentar de oposição, movido por extremismo de direita, articula sanções americanas contra o judiciário, pressionando por revogação de vistos de juízes do STF e tarifas de 50% em exportações, sob o pretexto de combater “autoritarismo”. Busca proteção contra processos por desinformação, beneficiando familiares, enquanto fomenta instabilidade que ameaça bilhões em perdas econômicas. Ele alega patriotismo, mas age com delinquência, vendendo soberania por salvação pessoal, como Silvério, ignorando danos coletivos irreparáveis

Traição é a antítese da paixão que edifica nações. Heróis como Tiradentes inspiram integridade contra delações. Jornalistas e ativistas desmascaram traidores, preservando narrativas autênticas. Se o planeta fosse uma única pátria, o patriotismo saudável seria a corrente que une a humanidade, promovendo sustentabilidade, direitos universais e paz coletiva. Longe de supremacias, esse patriotismo, que chamo de são, inspiraria responsabilidade global, conectando povos num compromisso ético com um futuro harmonioso e sustentável.

Voltemos rapidamente a este momento da história: o Brasil rejeita novos Silvérios. Precisa de Tiradentes para unir pela soberania. Rejeitemos barganhas que vendem o futuro nacional por impunidade. Esse é, a meu ver, a maneira racional de pararmos de cavar o abismo que pode se alargar diante dos nossos pés.

¨      JOAQUINS SILVÉRIO DOS REIS: A figura de Joaquim Silvério não morreu. Ela mudou de rosto. Por Maurício Carvalho

Em 1789, enquanto a Inconfidência Mineira articulava a independência e o fim do regime de opressão fiscal imposto por Portugal, houve um homem que fez a escolha na direção contrária. Joaquim Silvério dos Reis, movido por benefícios individuais, bateu “a melhor das continências” à bandeira imperial e entregou seus companheiros às autoridades coloniais. Em troca da traição, exigiu perdão de dívidas, cargos públicos e ouro. Não fosse o Brasil tão desconectado de seu próprio passado, ali teria nascido, no imaginário popular, o arquétipo do “Traidor a serviço do Império”.

A figura do Joaquim Silvério não morreu. Ela se espalhou, mudou de rosto e de discurso e passou a habitar os bastidores da política brasileira como uma sombra teimosa. Ela aparece toda vez que alguém troca o interesse coletivo por um privilégio pessoal, toda vez que um aliado se curva ao inimigo histórico em nome de uma conveniência eleitoral sem benefícios claros ao coletivo; toda vez que um político abandona a luta do povo para proteger apenas a si ou a seus próprios negócios; toda vez que uma liderança popular se cala diante de injustiças para manter suas benesses.

A traição aqui não é só uma questão moral, é um método de funcionamento, um mecanismo que sustenta privilégios e desigualdades. Tampouco é uma prerrogativa de extremistas e quase nunca se assume como traição. Muitas vezes vem travestida de moderação, de bom senso, de patriotismo. Vem com palavras bonitas, com discursos técnicos, com sorrisos em jantares e promessas bem ensaiadas. E, às vezes, também, vem escancarada em bonés com slogans de mandatários estrangeiros que ameaçam a nossa soberania.

Enquanto os inconfidentes sonhavam com uma república, Silvério arquitetava sua promoção dentro do Império. Hoje não é diferente. Enquanto a população parece sonhar com justiça, com mais direitos, com soberania, sempre há alguém negociando no escuro, entregando o projeto nacional em troca de anistias, isenção para pequenos grupos ou afagos de poderes externos.

A traição no Brasil circula por gabinetes, ocupa palácios, posa para fotos, faz vídeo selfies e jura amor à democracia enquanto a apunhala - e a todos nós, brasileiros, não importa se de direita, de esquerda ou de centro. Por isso é preciso recuperar a figura de Joaquim Silvério não como personagem isolado, mas como um mito negativo, um espelho incômodo que nos ajude a entender quem somos. Ele é o avesso de Tiradentes e da gigantesca maioria do povo brasileiro. Ele é o fantasma que ronda os corredores do poder e abre as portas ao inimigo toda vez que o povo se mobiliza nas trincheiras de luta.

Naquela época, Tiradentes foi enforcado e Silvério viveu como herói do Império. Agora, o povo está de olho. Não há narrativa que esconda um acordo imoral, nem marketing que transforme traição em patriotismo.

Por isso, mais do que nunca, revela-se a urgência de recuperar nossa memória coletiva. O nosso país foi colônia, mas não precisa mais agir como se ainda fosse. A traição é uma construção simbólica que precisa ser desvendada, exposta e desmontada em nome do Brasil, dos brasileiros e da liberdade. Ainda que tardia.

¨      Militares pressionam Lula a encerrar a crise com os EUA. Por Denise Assis

Estava demorando. Como foi amplamente divulgado, na época da intentona de 8 de janeiro de 2023, uma parte do Alto Comando das Forças Armadas queria aderir ao golpe, a outra banda ouviu os alertas do governo de Joe Biden, trazidos pelo Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, e o Assessor Especial do presidente americano, Juan González.

O recado era o de que estavam vendo com preocupação a democracia brasileira, mas acreditando que as Forças Armadas não participaram do golpe. Dito e feito. Diante de tal pressão, os militares recuaram, para preservar o que a crise de agora, a do “tarifaço”, ameaça colocar a perder.

Segundo o site Defesa Net, toda a caserna está em pânico e pressiona o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo avanço nas conversas com os EUA. O motivo é o mesmo que os levou a ficar fora do golpe: “temem as sanções e um eventual rompimento com os norte-americanos, o que pode gerar um colapso logístico e operacional em todo o sistema de defesa nacional, atingindo Exército, Marinha e Força Aérea”, diz o site.

Com a linguagem de sempre, a que conhecem, que é espalhar o medo, enviam ao governo do presidente Lula, recados preocupantes: “sem a tecnologia americana, o Brasil pode ficar cego, surdo e vulnerável”, é o que dizem. De posse desse argumento, as Forças Armadas pressionam Lula por diplomacia com os EUA e avisam: “o tempo está se esgotando para evitar um apagão militar.” Não soa ao tom de Trump?

A matéria é assinada por Noel Budeguer e foi publicada hoje (22/07), coincidentemente, no mesmo dia em que a polêmica sobre a instalação de uma tornozeleira em Bolsonaro escalou, a ponto de uns e outros considerarem que ele poderia ser preso – risco, aliás, que se mostrou muito próximo de zero, dadas as ambiguidades deixadas pelo ministro Alexandre de Moraes, em sua decisão sobre as medidas cautelares que lhe deveriam ser aplicadas. A despeito de sua conduta à frente do processo sobre o golpe ter sido até aqui, impecável, nesse outro caso, o da cumplicidade com o filho, Eduardo Bolsonaro, contra o Brasil, no qual Bolsonaro ainda não é réu, deixou mesmo dúvidas sobre como controlar a publicação de possíveis entrevistas nas redes, sem atingir a liberdade de terceiros?

Voltando aos quartéis, os Comandos consideram, (segundo o site que publicou a matéria sobre a crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos) que “esta não é apenas mais uma briga política internacional. Nos bastidores de Brasília, a tensão vem acendendo alarmes no alto comando das Forças Armadas, que hoje operam sob uma perigosa dependência de equipamentos, munições e sistemas tecnológicos norte-americanos”, descreve.

E continuando com a política do medo, apontam que o “o risco de sanções mais severas por parte do governo Trump reacende um temor silencioso: o Brasil pode, literalmente, ficar às cegas em caso de ruptura total com Washington”, diz o site.

<><> Militares pressionam Lula por diplomacia urgente

De acordo com as informações reveladas pelo site DefesaNet, os principais comandantes das Forças Armadas têm feito forte pressão para que o presidente Lula “adote imediatamente uma postura mais pragmática e menos ideológica nas relações com os EUA”. O motivo? “Um eventual rompimento com os norte-americanos pode gerar um colapso logístico e operacional em todo o sistema de defesa nacional, atingindo Exército, Marinha e Força Aérea”, ameaçam, numa linguagem que conhecemos bem.

A matéria prossegue citando: “fontes militares ouvidas por bastidores do Ministério da Defesa apontam que a situação é crítica: diversos sistemas estratégicos como radares, comunicação criptografada, aviões de caça, embarcações navais e até munições dependem de peças e suporte técnico dos Estados Unidos. Sem isso, muitos desses equipamentos simplesmente deixam de funcionar”.

A ameaça parece ser real, mas talvez seja cedo para falar nesse tom, deixando antever um viés mais político do que de preocupação com o bom funcionamento do meio militar. Basta observar, por exemplo, o uso da caixa alta no intertítulo da matéria:

“PACIÊNCIA ZERO! MILITARES PRESSIONAM LULA POR TENSÃO COM OS EUA! FALTA DE PRIORIZAR NOSSAS INDUSTRIA”.

Se isso não se chama “oportunismo”, eu não sei que nome dar.

As queixas do ministro da Defesa, José Múcio, por recursos, levando a trinca de comandantes para almoços com o presidente Lula, em que a conversa mais parece o samba de uma nota só: choro por recursos, não é de hoje. Pressionam o governo para investimentos da ordem de 2% do PIB, quando sabemos que para 2026, todas as despesas discricionárias que podem ser usadas pelo poder Executivo, estão previstas para 1,8% do PIB (Dado da GloboNews). Em tempos de reajuste fiscal, a reivindicação soa absurda. Ninguém é contra equipar bem as Forças Armadas, mas que o orçamento ultrapasse as despesas do Executivo, isso não é possível.

A alegação é a seguinte:

“A situação é mais grave do que parece. A Força Aérea Brasileira ainda utiliza aviões F-5 com mais de meio século de uso, e seus estoques de munição estariam em níveis baixíssimos. O Exército, por sua vez, segue operando com blindados Leopard 1 A5, veículos que já deveriam ter sido aposentados, mas que continuam em campo pela ausência de substitutos — os novos blindados ainda não chegaram.”

Ora, convenhamos. Esse quadro tão caótico não se fez de uma hora para a outra. Onde estavam esses senhores, quando no governo passado se empanturraram de prótese peniana, estoques de leite condensado e montanhas de cloroquina, e que não viram o caos chegando? Faltou gestão? Onde estava o presidente amigo dos militares, que colocou turmas de oficiais para dentro do poder, e que não foi cobrado por esse cenário, que com toda certeza já se desenhava no horizonte?

Somos contra a precaução, ainda mais em tempos de crise? Não. Mas não se pode, de uma tacada, surfar numa onda de temor para arrancar, de uma só vez, todo o investimento que deixou de ser feito pelo (des)governo passado. Tivessem investido em mais equipamentos e menos cloroquina, certamente a situação estaria menos grave.

E prosseguem, carregando nas tintas: “Na Marinha, o cenário é igualmente preocupante: o projeto das fragatas Tamandaré ainda não foi concluído e muitos navios de combate não estão operacionais. Há, inclusive, relatos de escassez de munição para os armamentos já em uso. Se os EUA aplicarem sanções mais duras ou suspenderem o suporte técnico e o envio de peças, todo o sistema pode ser paralisado”.

Sobre as munições, tentem os CACs, que o presidente anterior abarrotou de fuzis e toneladas de cartuchos, à base do liberou geral. O choro é válido. O que não se pode permitir é que, em meio a uma crise real, séria, de desdobramentos inimagináveis, esses senhores se aproveitem para pressionar o presidente Lula. Essa postura tem cheiro de pólvora ou de “ideologia”, o que não é nada bom.

 

Fonte: Brasil 247

 

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