sexta-feira, 25 de julho de 2025

Eduardo afronta o Senado e age como se o Brasil fosse propriedade da família Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro publicou nesta semana uma nota oficial para criticar a comitiva de senadores que viajará a Washington para negociar o tarifaço imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros. No texto, o deputado afirmou que os senadores “não falam em nome do presidente Jair Bolsonaro” e classificou a missão como “mais do mesmo”, acusando-os de vender uma “falsa vitória diplomática” enquanto, segundo ele, o país não recupera suas “liberdades fundamentais”.

Para Eduardo, qualquer interlocução internacional seria “vazia de legitimidade” sem a pauta política bolsonarista no centro, sugerindo que o Brasil só pode falar com o mundo quando se alinhar completamente à agenda da sua família.

Essa nota não é apenas uma opinião isolada, mas uma afronta institucional clara de um deputado federal contra outra Casa do Legislativo. É mais um capítulo emblemático do bolsonarismo que já não reconhece limites e que age como se o Brasil fosse uma extensão privada do clã Bolsonaro.

Eduardo não é senador. Não é ministro. Não é embaixador,  por mais que tenha se lançado à patética tentativa de ocupar tal cargo anos atrás. É apenas um deputado federal, um entre 513, com mandato restrito à Câmara dos Deputados. Nada além disso, ainda que insista em se comportar como uma espécie de proprietário do Estado.

A tentativa de desautorizar publicamente uma missão oficial do Senado, aprovada em plenário com caráter suprapartidário e institucional, é mais que arrogância: é uma afronta calculada. Eduardo Bolsonaro se porta como interventor informal da política externa brasileira, jogando para uma plateia de fiéis e reforçando a narrativa de que o país deve ser governado não por instituições democráticas, mas por um grupo de lealdade familiar.

Ao mesmo tempo, rebaixa a representação institucional brasileira ao elogiar a “clareza” da carta enviada por Donald Trump e insinuar que cabe ao Brasil seguir ordens vindas de Washington. Essa subserviência internacional não é só constrangedora: é perigosa, pois fere a soberania nacional e coloca a agenda externa a serviço de interesses pessoais.

Nenhum deputado federal tem mandato para ditar ao Senado o que deve ou não fazer. Nenhum parlamentar fala em nome do país por conta própria, muito menos para desautorizar uma missão legítima e legal. A conduta de Eduardo Bolsonaro é incompatível com o decoro parlamentar, afronta os princípios constitucionais da independência e harmonia entre os Poderes e deveria merecer imediata representação na Comissão de Ética para abertura de processo de cassação. Se a Câmara continuar a fingir que não vê, reforça a percepção de que o bolsonarismo é um câncer institucional, sem tratamento ou limites.

O bolsonarismo já deixou claro, reiteradas vezes, que despreza as instituições, que trata o Estado como uma empresa familiar e que enxerga qualquer iniciativa democrática como inimiga se não estiver submetida ao clã. Permitir que um deputado federal assuma ares de dono do Congresso e de chanceler paralelo é normalizar a anomalia e corroer ainda mais a democracia. Essa permissividade embala um comportamento autoritário que só cresce, cada vez mais ousado, cada vez mais corrosivo.

Eduardo Bolsonaro não é dono do Brasil. Não é dono do Congresso. Não é dono da política externa. Já passou da hora de alguém lembrá-lo disso com a força da lei e das instituições — antes que esse espetáculo grotesco se converta, sem volta, em tragédia definitiva para a democracia brasileira.

•        No PL, crise expõe partido como ‘trem descarrilhado’

A crise no PL com a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos se intensificou na terça-feira (22), quando a senadora Margareth Buzetti (PSD-MT) fez críticas contundentes ao deputado. A senadora concedeu a entrevista nos jardins do Palácio Paiaguás, sede do governo de Mato Grosso, onde ela havia se reunido com o governador também bolsonarista Mauro Mendes — o que dá ainda mais peso para a declaração de Buzetti.

“Um abuso o que o Eduardo Bolsonaro tá fazendo lá nos Estados Unidos, com o país e com o pai dele. A culpa do Bolsonaro estar de tornozeleira é desse moleque. Ele falou em vários, vários, vários vídeos dizendo que era ele que estava negociando, que ia ter tarifa. Sim. O que que adianta mudar agora? Tá gravado”, disse a senadora, em referência à ofensiva comercial articulada por aliados de Donald Trump e endossada por Eduardo.

A senadora acabou vocalizando publicamente o que pensam alguns membros do PL e que, se sentiram contemplados pela fala da senadora.

A declaração expôs uma fissura já latente na cúpula do partido. Lideranças mais antigas e políticos experientes do PL, ouvidos pelo ICL Notícias, descrevem a situação atual como a de um “trem descarrilhado”. Um dirigente do Rio de Janeiro relatou que há dificuldade em coordenar uma estratégia e que a legenda “não consegue mais definir para onde vai”.

•        PL: atuação de Eduardo agrava imagem do partido

Internamente, a meta de formar uma bancada robusta no Senado em 2026, alardeada por Valdemar Costa Neto até recentemente, já dá lugar a conversas mais pragmáticas. O tom agora, segundo interlocutores, é de sobrevivência política: a preocupação passou a ser manter o tamanho atual do partido nas próximas eleições diante do desgaste crescente do bolsonarismo e dos entraves judiciais de Jair Bolsonaro.

Para um líder regional, o partido “perdeu o manche” e caminha sem direção, reagindo a crises e sem articulação clara no Congresso. A atuação isolada de Eduardo, avaliam essas lideranças, só agrava a imagem de um partido dividido e desorientado.

Margareth Buzetti foi a primeira voz a tornar públicas as críticas, mas outros parlamentares, nos bastidores, já consideram que Eduardo tem exposto o PL a constrangimentos desnecessários ao assumir protagonismo sem respaldo do comando do partido.

A direção nacional do PL ainda não comentou oficialmente as declarações de Buzetti nem os questionamentos internos sobre a estratégia para 2026.

•        Reunião do PL era para ser de apoio a Bolsonaro, mas bandeira de Trump roubou a cena

Deputados do PL realizaram nesta terça-feira (22) um ato na Câmara dos Deputados para protestar contra a suspensão das reuniões de comissões durante o recesso parlamentar por decisão de Hugo Motta, mas a reunião foi marcada por um gesto que gerou constrangimento no próprio partido.

Durante a coletiva à imprensa, os deputados Sargento Fahur (PSD-PR) e Delegado Caveira (PL-PA) ergueram uma bandeira com o nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o lema "Make America Great Again".

A atitude, considerada fora de contexto por colegas, foi repreendida por alguns presentes.

<><> "Tira essa bandeira daqui", criticou um deputado.

Os parlamentares que participaram do ato na Câmara foram criticados, a portas fechadas, por setores mais pragmáticos do partido pois, na visão deles, "tirou foco do motivo do protesto".

O episódio ocorreu em meio à crise causada pelo anúncio de novas tarifas comerciais impostas por Trump ao Brasil, e teve repercussão política imediata.

A previsão é de que a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros vendidos no mercado americano entre em vigor em 1º de agosto, isto é, em nove dias — motivo de preocupação do governo brasileiro.

O PL busca uma saída política para a crise do tarifaço do republicano contra o Brasil pois quer evitar desgastes para o candidato da direita em 2026.

Segundo membros do PL, o objetivo da manifestação foi criticar a decisão de Hugo Motta de suspender as comissões e não defender o tarifaço ou o presidente americano.

O deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), presidente da Comissão de Segurança Pública, inclusive, minimizou o impacto do gesto na ocasião:

“Pedimos para retirar porque não é o foco aqui hoje”, afirmou.

Ainda assim, Bilynskyj defendeu Trump ao associar a política externa brasileira à resposta norte-americana:

“Tudo que o presidente Trump faz é uma resposta ao trabalho da diplomacia do presidente Lula.”

Outros parlamentares, como Filipe Barros (PL-PR), presidente da Comissão de Relações Exteriores, participaram do protesto sem se associar diretamente ao gesto com a bandeira.

Durante a coletiva, Barros destacou que a oposição pretende acionar organismos internacionais e convocar a militância em defesa de Bolsonaro.

<><> Bolsonaro era esperado

Além da bandeira de apoio à Trump, parlamentares do PL exibiram nesta terça a placa de moção de apoio a Bolsonaro, que acabou ficando em segundo plano diante da bandeira de Trump na avaliação de interlocutores.

O ex-presidente era esperado na ocasião, mas voltou atrás sobre a presença após decisão do ministro Alexandre de Moraes reforçar medidas restritivas envolvendo redes sociais.

•        Nas redes, 77% criticam deputados bosonaristas por exibir bandeira de Trump na Câmara: ‘Capachos’

A cena protagonizada por deputados da oposição, que exibiram na Cãmara, nesta terça-feira (22), uma bandeira em apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que taxou os produtos brasileiros em 50%, gerou uma enorme repercussão negativa nas redes sociais. Além de estampar o nome de Trump, a faixa tinha também o slogan do governo norte-americano “Make America great again” (Faça a América grande novamente).

De acordo com levantamento do analista de redes Pedro Barciela, o assunto foi amplamente dominado por postagens críticas aos parlamentares. Segundo o monitoramento realizado por Barciela, 77% das publicações foram críticas, enquanto apenas 18% defenderam o ato da Oposição na Câmara dos Deputados. 5% ficaram divididos sobre o assunto.

O levantamento aponta que 28% das publicações sobre o episódio afirmam que a manifestação representa uma traição à pátria, sendo classificado como “crime de lesa-pátria”, “vergonha nacional” e “ato antidemocrático”. Outros 24% apontam que o gesto evidencia uma submissão ideológica e simbólica a Donald Trump, sugerindo que o bolsonarismo adotou um “patriotismo invertido”.

Há, ainda, 17%, que citam termos como “desconectados do povo”, “vendilhões da pátria” ou “representantes da ignorância eleitoral”. Termos como “patriotários”, “capachos dos EUA”, “Mama Americanos Again” (13%) também aparecem.

Em menor número (18%), os que defenderam o ato dos deputados da Oposição nas redes sociais tentaram relativizar o episódio com críticas ao governo Lula (PT) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

<><> Deputados que exibiram bandeira em apoio a Donald Trump

O gesto aconteceu depois da decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), de proibir a realização de reuniões de comissões que tinham o objetivo de apoiar Jair Bolsonaro contra o Supremo Tribunal Federal.

A decisão de Motta, que suspendeu as sessões deliberativas que seriam comandadas por parlamentares do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi tomada momentos antes da realização de um das sessões, que tinha na pauta moções de apoio político ao ex-presidente. Jair Bolsonaro deveria comparecer à sessão, mas desisitiu.

Mesmo com o cancelamento, deputados da oposição estiveram na Câmara e, em sinal de protesto, estenderam a tal faixa em apoio a Trump, o que gerou reações negativas entre os próprios presentes.

Durante uma coletiva organizada após a suspensão das sessões, os deputados Sargento Fahur (PSD-PR) e Delegado Caveira (PL-PA) ergueram uma bandeira dos Estados Unidos em homenagem a Donald Trump. O gesto gerou incômodo, com alguns parlamentares pedindo a retirada da bandeira. “Tira essa bandeira daqui”, reagiu um deputado.

<><> Repercussão nas redes sociais

Após o episódio dos deputados da Oposição, as redes sociais foram inundadas por publicações sobre o assunto, incluindo manifestações de políticos. O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-RJ), chamou os parlamentares de “traidores”.

“Não representam o povo brasileiro. São traidores da pátria, vendidos a um projeto autoritário e estrangeiro”, publicou.

A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) também se posicionou sobre o assunto. “Inimigos do povo e do Brasil”, escreveu. “Essa é a fotografia do viralatismo bolsonarista: a poucos dias do início do tarifaço imposto por Trump para prejudicar nosso país, a grande ideia dos deputados de extrema direita foi invadir a Câmara e hastear uma bandeira em sua homenagem”.

Já o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) publicou: “O BOLSONARISMO É TRAIDOR DA PÁTRIA! Deputados bolsonaristas, depois de Hugo Motta proibir reuniões durante o recesso parlamentar, fizeram um protesto na Câmara e, PASMEM, ergueram uma bandeira de Donald Trump! Eles não param de mostrar que NUNCA FORAM PATRIOTAS, SÃO LESA-PÁTRIAS!”.

 

Fonte: ICL Noticias

 

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