Eduardo
afronta o Senado e age como se o Brasil fosse propriedade da família Bolsonaro
Eduardo
Bolsonaro publicou nesta semana uma nota oficial para criticar a comitiva de
senadores que viajará a Washington para negociar o tarifaço imposto por Donald
Trump sobre produtos brasileiros. No texto, o deputado afirmou que os senadores
“não falam em nome do presidente Jair Bolsonaro” e classificou a missão como
“mais do mesmo”, acusando-os de vender uma “falsa vitória diplomática”
enquanto, segundo ele, o país não recupera suas “liberdades fundamentais”.
Para
Eduardo, qualquer interlocução internacional seria “vazia de legitimidade” sem
a pauta política bolsonarista no centro, sugerindo que o Brasil só pode falar
com o mundo quando se alinhar completamente à agenda da sua família.
Essa
nota não é apenas uma opinião isolada, mas uma afronta institucional clara de
um deputado federal contra outra Casa do Legislativo. É mais um capítulo
emblemático do bolsonarismo que já não reconhece limites e que age como se o
Brasil fosse uma extensão privada do clã Bolsonaro.
Eduardo
não é senador. Não é ministro. Não é embaixador, por mais que tenha se lançado à patética
tentativa de ocupar tal cargo anos atrás. É apenas um deputado federal, um
entre 513, com mandato restrito à Câmara dos Deputados. Nada além disso, ainda
que insista em se comportar como uma espécie de proprietário do Estado.
A
tentativa de desautorizar publicamente uma missão oficial do Senado, aprovada
em plenário com caráter suprapartidário e institucional, é mais que arrogância:
é uma afronta calculada. Eduardo Bolsonaro se porta como interventor informal
da política externa brasileira, jogando para uma plateia de fiéis e reforçando
a narrativa de que o país deve ser governado não por instituições democráticas,
mas por um grupo de lealdade familiar.
Ao
mesmo tempo, rebaixa a representação institucional brasileira ao elogiar a
“clareza” da carta enviada por Donald Trump e insinuar que cabe ao Brasil
seguir ordens vindas de Washington. Essa subserviência internacional não é só
constrangedora: é perigosa, pois fere a soberania nacional e coloca a agenda
externa a serviço de interesses pessoais.
Nenhum
deputado federal tem mandato para ditar ao Senado o que deve ou não fazer.
Nenhum parlamentar fala em nome do país por conta própria, muito menos para
desautorizar uma missão legítima e legal. A conduta de Eduardo Bolsonaro é
incompatível com o decoro parlamentar, afronta os princípios constitucionais da
independência e harmonia entre os Poderes e deveria merecer imediata
representação na Comissão de Ética para abertura de processo de cassação. Se a
Câmara continuar a fingir que não vê, reforça a percepção de que o bolsonarismo
é um câncer institucional, sem tratamento ou limites.
O
bolsonarismo já deixou claro, reiteradas vezes, que despreza as instituições,
que trata o Estado como uma empresa familiar e que enxerga qualquer iniciativa
democrática como inimiga se não estiver submetida ao clã. Permitir que um
deputado federal assuma ares de dono do Congresso e de chanceler paralelo é
normalizar a anomalia e corroer ainda mais a democracia. Essa permissividade
embala um comportamento autoritário que só cresce, cada vez mais ousado, cada
vez mais corrosivo.
Eduardo
Bolsonaro não é dono do Brasil. Não é dono do Congresso. Não é dono da política
externa. Já passou da hora de alguém lembrá-lo disso com a força da lei e das
instituições — antes que esse espetáculo grotesco se converta, sem volta, em
tragédia definitiva para a democracia brasileira.
• No PL, crise expõe partido como ‘trem
descarrilhado’
A crise
no PL com a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos se intensificou na
terça-feira (22), quando a senadora Margareth Buzetti (PSD-MT) fez críticas
contundentes ao deputado. A senadora concedeu a entrevista nos jardins do
Palácio Paiaguás, sede do governo de Mato Grosso, onde ela havia se reunido com
o governador também bolsonarista Mauro Mendes — o que dá ainda mais peso para a
declaração de Buzetti.
“Um
abuso o que o Eduardo Bolsonaro tá fazendo lá nos Estados Unidos, com o país e
com o pai dele. A culpa do Bolsonaro estar de tornozeleira é desse moleque. Ele
falou em vários, vários, vários vídeos dizendo que era ele que estava
negociando, que ia ter tarifa. Sim. O que que adianta mudar agora? Tá gravado”,
disse a senadora, em referência à ofensiva comercial articulada por aliados de
Donald Trump e endossada por Eduardo.
A
senadora acabou vocalizando publicamente o que pensam alguns membros do PL e
que, se sentiram contemplados pela fala da senadora.
A
declaração expôs uma fissura já latente na cúpula do partido. Lideranças mais
antigas e políticos experientes do PL, ouvidos pelo ICL Notícias, descrevem a
situação atual como a de um “trem descarrilhado”. Um dirigente do Rio de
Janeiro relatou que há dificuldade em coordenar uma estratégia e que a legenda
“não consegue mais definir para onde vai”.
• PL: atuação de Eduardo agrava imagem do
partido
Internamente,
a meta de formar uma bancada robusta no Senado em 2026, alardeada por Valdemar
Costa Neto até recentemente, já dá lugar a conversas mais pragmáticas. O tom
agora, segundo interlocutores, é de sobrevivência política: a preocupação
passou a ser manter o tamanho atual do partido nas próximas eleições diante do
desgaste crescente do bolsonarismo e dos entraves judiciais de Jair Bolsonaro.
Para um
líder regional, o partido “perdeu o manche” e caminha sem direção, reagindo a
crises e sem articulação clara no Congresso. A atuação isolada de Eduardo,
avaliam essas lideranças, só agrava a imagem de um partido dividido e
desorientado.
Margareth
Buzetti foi a primeira voz a tornar públicas as críticas, mas outros
parlamentares, nos bastidores, já consideram que Eduardo tem exposto o PL a
constrangimentos desnecessários ao assumir protagonismo sem respaldo do comando
do partido.
A
direção nacional do PL ainda não comentou oficialmente as declarações de
Buzetti nem os questionamentos internos sobre a estratégia para 2026.
• Reunião do PL era para ser de apoio a
Bolsonaro, mas bandeira de Trump roubou a cena
Deputados
do PL realizaram nesta terça-feira (22) um ato na Câmara dos Deputados para
protestar contra a suspensão das reuniões de comissões durante o recesso
parlamentar por decisão de Hugo Motta, mas a reunião foi marcada por um gesto
que gerou constrangimento no próprio partido.
Durante
a coletiva à imprensa, os deputados Sargento Fahur (PSD-PR) e Delegado Caveira
(PL-PA) ergueram uma bandeira com o nome do presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, e o lema "Make America Great Again".
A
atitude, considerada fora de contexto por colegas, foi repreendida por alguns
presentes.
<><>
"Tira essa bandeira daqui", criticou um deputado.
Os
parlamentares que participaram do ato na Câmara foram criticados, a portas
fechadas, por setores mais pragmáticos do partido pois, na visão deles,
"tirou foco do motivo do protesto".
O
episódio ocorreu em meio à crise causada pelo anúncio de novas tarifas
comerciais impostas por Trump ao Brasil, e teve repercussão política imediata.
A
previsão é de que a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros vendidos no
mercado americano entre em vigor em 1º de agosto, isto é, em nove dias — motivo
de preocupação do governo brasileiro.
O PL
busca uma saída política para a crise do tarifaço do republicano contra o
Brasil pois quer evitar desgastes para o candidato da direita em 2026.
Segundo
membros do PL, o objetivo da manifestação foi criticar a decisão de Hugo Motta
de suspender as comissões e não defender o tarifaço ou o presidente americano.
O
deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), presidente da Comissão de Segurança Pública,
inclusive, minimizou o impacto do gesto na ocasião:
“Pedimos
para retirar porque não é o foco aqui hoje”, afirmou.
Ainda
assim, Bilynskyj defendeu Trump ao associar a política externa brasileira à
resposta norte-americana:
“Tudo
que o presidente Trump faz é uma resposta ao trabalho da diplomacia do
presidente Lula.”
Outros
parlamentares, como Filipe Barros (PL-PR), presidente da Comissão de Relações
Exteriores, participaram do protesto sem se associar diretamente ao gesto com a
bandeira.
Durante
a coletiva, Barros destacou que a oposição pretende acionar organismos
internacionais e convocar a militância em defesa de Bolsonaro.
<><>
Bolsonaro era esperado
Além da
bandeira de apoio à Trump, parlamentares do PL exibiram nesta terça a placa de
moção de apoio a Bolsonaro, que acabou ficando em segundo plano diante da
bandeira de Trump na avaliação de interlocutores.
O
ex-presidente era esperado na ocasião, mas voltou atrás sobre a presença após
decisão do ministro Alexandre de Moraes reforçar medidas restritivas envolvendo
redes sociais.
• Nas redes, 77% criticam deputados
bosonaristas por exibir bandeira de Trump na Câmara: ‘Capachos’
A cena
protagonizada por deputados da oposição, que exibiram na Cãmara, nesta
terça-feira (22), uma bandeira em apoio ao presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, que taxou os produtos brasileiros em 50%, gerou uma enorme
repercussão negativa nas redes sociais. Além de estampar o nome de Trump, a
faixa tinha também o slogan do governo norte-americano “Make America great
again” (Faça a América grande novamente).
De
acordo com levantamento do analista de redes Pedro Barciela, o assunto foi
amplamente dominado por postagens críticas aos parlamentares. Segundo o
monitoramento realizado por Barciela, 77% das publicações foram críticas,
enquanto apenas 18% defenderam o ato da Oposição na Câmara dos Deputados. 5%
ficaram divididos sobre o assunto.
O
levantamento aponta que 28% das publicações sobre o episódio afirmam que a
manifestação representa uma traição à pátria, sendo classificado como “crime de
lesa-pátria”, “vergonha nacional” e “ato antidemocrático”. Outros 24% apontam
que o gesto evidencia uma submissão ideológica e simbólica a Donald Trump,
sugerindo que o bolsonarismo adotou um “patriotismo invertido”.
Há,
ainda, 17%, que citam termos como “desconectados do povo”, “vendilhões da
pátria” ou “representantes da ignorância eleitoral”. Termos como
“patriotários”, “capachos dos EUA”, “Mama Americanos Again” (13%) também
aparecem.
Em
menor número (18%), os que defenderam o ato dos deputados da Oposição nas redes
sociais tentaram relativizar o episódio com críticas ao governo Lula (PT) e ao
Supremo Tribunal Federal (STF).
<><>
Deputados que exibiram bandeira em apoio a Donald Trump
O gesto
aconteceu depois da decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
(Republicanos-PB), de proibir a realização de reuniões de comissões que tinham
o objetivo de apoiar Jair Bolsonaro contra o Supremo Tribunal Federal.
A
decisão de Motta, que suspendeu as sessões deliberativas que seriam comandadas
por parlamentares do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi tomada
momentos antes da realização de um das sessões, que tinha na pauta moções de
apoio político ao ex-presidente. Jair Bolsonaro deveria comparecer à sessão,
mas desisitiu.
Mesmo
com o cancelamento, deputados da oposição estiveram na Câmara e, em sinal de
protesto, estenderam a tal faixa em apoio a Trump, o que gerou reações
negativas entre os próprios presentes.
Durante
uma coletiva organizada após a suspensão das sessões, os deputados Sargento
Fahur (PSD-PR) e Delegado Caveira (PL-PA) ergueram uma bandeira dos Estados
Unidos em homenagem a Donald Trump. O gesto gerou incômodo, com alguns
parlamentares pedindo a retirada da bandeira. “Tira essa bandeira daqui”,
reagiu um deputado.
<><>
Repercussão nas redes sociais
Após o
episódio dos deputados da Oposição, as redes sociais foram inundadas por
publicações sobre o assunto, incluindo manifestações de políticos. O líder do
PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-RJ), chamou os parlamentares
de “traidores”.
“Não
representam o povo brasileiro. São traidores da pátria, vendidos a um projeto
autoritário e estrangeiro”, publicou.
A
deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) também se posicionou sobre o assunto. “Inimigos
do povo e do Brasil”, escreveu. “Essa é a fotografia do viralatismo
bolsonarista: a poucos dias do início do tarifaço imposto por Trump para
prejudicar nosso país, a grande ideia dos deputados de extrema direita foi
invadir a Câmara e hastear uma bandeira em sua homenagem”.
Já o
deputado Ivan Valente (PSOL-SP) publicou: “O BOLSONARISMO É TRAIDOR DA PÁTRIA!
Deputados bolsonaristas, depois de Hugo Motta proibir reuniões durante o
recesso parlamentar, fizeram um protesto na Câmara e, PASMEM, ergueram uma
bandeira de Donald Trump! Eles não param de mostrar que NUNCA FORAM PATRIOTAS,
SÃO LESA-PÁTRIAS!”.
Fonte:
ICL Noticias

Nenhum comentário:
Postar um comentário