segunda-feira, 28 de julho de 2025

Denise Assis: Forças Armadas mandam novo recado a Lula, afirmando que prosseguirão aliados aos EUA

Nesta sexta-feira (25/07), os portais voltados para notícias sobre as Forças Armadas amanheceram coalhados do mesmo recado: “os militares vão prosseguir com as operações com militares estadunidenses, com os intercâmbios e a aquisição de armamentos fornecidos pelos EUA, e repudiam qualquer troca por tecnologias russas ou chinesas”. São tecnologias melhores? São Piores? São dados que parecem não importar para os comandos. O que parece importar, isto sim, é a ideologia dos países de onde vêm.

Alguém precisa dizer a esses senhores, que não há nenhuma exigência para que parem ou prossigam com as manobras A ou B. O que se espera é que entendam que o mundo mudou. Guerras não se fazem mais com tiros e apenas troca de mísseis. Há sofisticação no confronto entre os países. Por exemplo, pode-se sufocar um Estado com sanções econômicas ou tarifaços. Porém, os comandos parecem ainda não terem se dado conta de que estamos sendo atacados, e a parafernália que eles tanto prezam, não têm espaço nessa luta.

Um comportamento esperado por parte deles, seria, por exemplo, que ficassem, no mínimo, em compasso de espera, adiassem “manobras” ou “operações” em conjunto com militares dos EUA, até que o comandante em chefe, deles, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no momento o ocupante do cargo máximo da Nação, abrisse diálogo com o governo que nos ataca e ameaça, para tomar qualquer atitude ou providência com relação a esse intercâmbio. Isto, se estivéssemos falando de comandos conscientes do dever cívico de prezar pela soberania, e não movidos apenas pelas suas antigas ideologias. Eles, sim, agindo com base em uma orientação ultrapassada no desenho geopolítico atual.

O site “Sociedade Militar”, veio com a seguinte manchete: “Forças Armadas reforçam laços com EUA enquanto China e Rússia intensificam assédio e disputam espaço no mercado militar”. Espalhafatosa, para dizer o mínimo, seguida da chamada: 

“Acordos de defesa, exercícios conjuntos e negociações bilionárias seguem ativos apesar da tensão entre Brasília e Washington, enquanto chineses e russos intensificam contatos com militares brasileiros para vender equipamentos e fechar contratos estratégicos”.

Já no corpo da matéria, esmiuçam as “vantagens” de dar continuidade a todos os programas com os Estados Unidos, com quem o Brasil negocia e se relaciona há 200 anos. De onde tiraram que – por enquanto -, algo vai mudar?

Nos últimos meses, o Exército brasileiro já encomendou 12 helicópteros Black Hawk, avaliados em US$ 451 milhões, e 222 mísseis Javelin, estimados em US$ 74 milhões, por meio do programa Foreign Military Sales (FMS), do Departamento de Estado dos EUA. Os contratos, firmados diretamente entre governos, ficam isentos de tarifas, o que os torna estratégicos para as forças brasileiras.

Um dos exemplos mais contundentes veio do site “Militarizando”. Num discurso que beira ao usado no período da guerra fria, dispararam: “Diante das tensões nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos, as Forças Armadas brasileiras manifestam preocupação com o futuro da parceria estratégica. Oficialmente, as Forças Armadas comunicam ao governo que manterão sua política de aliança com os Estados Unidos, desvinculando-se das orientações ideológicas e priorizando a continuidade da parceria com os Estados Unidos, mesmo diante de eventuais divergências”.

A “rebeldia” soa fora de hora e precipitada, quando questões muito além dessas estão em jogo.

“Os comandos do Exército, Marinha e Aeronáutica tomaram a decisão de manter o alinhamento estratégico, militar e tecnológico com os Estados Unidos.”

E prosseguem: “As Forças Armadas brasileiras vivenciam um momento de tensão geopolítica, reforçando sua importância estratégica. Em meio à crise diplomática e comercial entre o governo brasileiro e a administração dos Estados Unidos, os comandos do Exército, Marinha e Aeronáutica tomaram a decisão de manter o alinhamento estratégico, militar e tecnológico com os Estados Unidos e com os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), independentemente da postura ideológica do governo federal”.

Belo exemplo dão aos comandados. Não surpreende que no processo que visa apurar os responsáveis pelo golpe de 2022, estejam vários oficiais do Exército na condição de réus na Justiça comum.

Tentando passar sobriedade na atitude que pode ser lida como desafiadora, enviam o recado: “A resistência dos militares brasileiros à aproximação com regimes autoritários, como China e Rússia, baseia-se em três pilares: doutrina, confiança estratégica e acesso à tecnologia de ponta. Mesmo com as ofertas de fornecimento de armamentos por parte desses países, incluindo sistemas de defesa aérea, mísseis, radares e drones, os militares brasileiros reforçam seus laços com os Estados Unidos, impulsionados pela praticidade e qualidade.”

Agem como se fossem um poder paralelo, à parte dos existentes no Brasil: Executivo, Legislativo e Judiciário, e exibem a subserviência aos ditames dos EUA, com argumentos técnicos, como se alguém tivesse a dizer a eles que haverá mudanças. Como dito acima, a preocupação no momento é com a soberania e a vida econômica do país, o que deveria incomodar a todos, e estar muito acima das simulações de “war” que, temem, sejam interrompidas.

“A cooperação com a OTAN, especialmente com os Estados Unidos, garante ao Brasil acesso a tecnologias avançadas, permitindo que as Forças Armadas operem equipamentos compatíveis com os maiores exércitos do mundo. O programa do caça Gripen F-39 é um exemplo, desenvolvido pela Força Aérea Brasileira em parceria com a Suécia, com forte participação de empresas dos Estados Unidos e certificações compatíveis com a OTAN. O cargueiro militar KC-390 da Embraer, adquirido por diversos países, e a aquisição de mísseis antitanque FGM-148 Javelin reforçam a capacidade de defesa do país”, é o que está detalhado na matéria do “Militarizando”.

E arrematam com um recado cujo tom é desafiador. Tentam passar uma “independência” que não cai bem aos que têm armas (ou seja, poder contra a população) e não está descrita na nossa Constituição:

“Apesar da imposição de tarifas sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, os comandos das Forças Armadas mantêm sua postura estratégica. Fontes do alto comando indicam que a postura política do governo federal é ignorada, com a reafirmação da aliança com os Estados Unidos e o fortalecimento dos canais diretos com o Pentágono e centros de treinamento conjuntos. Para os militares brasileiros, o alinhamento com os Estados Unidos é essencial para a segurança nacional, garantindo acesso a programas de intercâmbio, satélites, apoio logístico em missões internacionais e, principalmente, aos sistemas mais modernos em diversas áreas”.

<><> O que é bom para os EUA é bom para o Brasil

É como se determinassem que o que é bom para os EUA é bom para o Brasil, como nos tempos sombrios, inserindo no já turbulento cenário político, um ingrediente desnecessário. Como haver “tumulto” sem eles, não é mesmo? Se colocam como se fossem indispensáveis, quando a pauta não lhes cabe. Quem os chamou para essa conversa?

“A não aquisição de sistemas antiaéreos indianos, influenciada pela necessidade de compatibilidade com os equipamentos da OTAN, demonstra a forte inserção do Brasil na lógica ocidental de defesa. A presença constante de militares americanos em território brasileiro, com exercícios conjuntos como o CORE, reforça essa cooperação estratégica. Os Estados Unidos também oferecem suporte direto em programas de inteligência e modernização do sistema de comando e controle das Forças Armadas brasileiras”.

Isso significa ter em solo brasileiro, em novembro, centenas de militares estadunidenses no sertão pernambucano, aprendendo a se mover na caatinga nordestina.

E vão além: “As Forças Armadas rejeitam qualquer aproximação com regimes autoritários, considerando o alinhamento com o Ocidente uma linha vermelha. Embora o governo brasileiro demonstre divergências com os Estados Unidos, as Forças Armadas mantêm sua independência institucional, priorizando a aliança com as democracias ocidentais, com foco na cooperação com os Estados Unidos. Essa postura contribui para que o Brasil se mantenha entre os países com maior potencial estratégico no hemisfério sul, apesar da necessidade de investimentos internos para o desenvolvimento militar. Em resumo, enquanto a política brasileira enfrenta tensões diplomáticas, as Forças Armadas mantêm sua aliança com os Estados Unidos, impulsionadas por questões estratégicas”. Houve quem os obrigasse a adquirir algum equipamento chinês ou russo?

Ou seja, não é com eles o que o Brasil está enfrentando. Não estão nem aí para o que está sendo vivenciado e acompanhado com angústia e ansiedade por todo cidadão brasileiro consciente da realidade por que atravessa o nosso país. Soberania, ao que parece, não é mais matéria em seus currículos.

•        Ataque visceral interno se transforma em ataque externo ao Planalto, STF e Congresso Nacional. Por Washington Araujo

Em 8 de janeiro de 2023, o Brasil assistiu a um espetáculo de barbárie que ecoou como um soco no estômago da democracia. Uma horda de extremistas de direita, inflamados por discursos golpistas, invadiu e depredou as sedes físicas dos Três Poderes: o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Foi um ataque visceral, interno, perpetrado por brasileiros contra o coração institucional do país. Vidraças estilhaçadas, móveis virados, obras de arte profanadas – símbolos de uma nação saqueada por seus próprios filhos descontentes. Aquela data marcou o ápice de uma polarização que fermentava há anos, com o ex-presidente Jair Bolsonaro no epicentro das acusações de incitação.

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Os invasores, vestidos de verde-amarelo deturpado, não só vandalizaram prédios; tentaram demolir a essência da República, questionando a legitimidade das urnas e do processo democrático. Foi uma ofensiva doméstica, com cheiro de pólvora e suor, que exigiu intervenção das forças de segurança e deixou um rastro de prisões e investigações.

Agora, avance o calendário para 25 de julho de 2025. O cenário muda, mas o drama persiste, só que com um tom mais insidioso e global. De Miami, nos Estados Unidos, um deputado autoexilado – fugitivo da justiça brasileira – solta uma bomba retórica: os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, devem se preparar para sanções americanas. Serão proibidos de entrar em solo norte-americano, a exemplo do que ocorreu na semana passada com oito dos onze ministros do STF, alvos de uma decisão da Casa Branca que os rotulou como ameaças à democracia.

Não há invasores com paus e pedras; há ameaças nem um pouco veladas, escalada de agressividade verbal e pressão econômica vinda de fora.

Os Três Poderes, outrora atacados de dentro, agora sofrem assédio externo, orquestrado por uma superpotência que se arroga o direito de ditar rumos soberanos.

Vejamos o modus operandi, que revela similaridades cabais entre as datas:

Em 2023, o Executivo foi alvejado diretamente, com o Planalto transformado em campo de batalha. Hoje, o ataque ao Executivo é econômico: a imposição de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os EUA, vigente a partir de 1º de agosto de 2025.

É um golpe na veia da economia nacional, capaz de asfixiar indústrias, elevar desemprego e desestabilizar o governo legitimamente constituído.

O STF, que em 2023 viu suas dependências saqueadas, agora enfrenta exigências imperiosas: descontinuar o julgamento de Bolsonaro, sob pena de mais retaliações. É uma interferência no Judiciário, minando sua independência com o fantasma de sanções pessoais.

Já o Legislativo, depredado fisicamente há dois anos, é pressionado a pautar agendas golpistas: na Câmara, o projeto de anistia geral e irrestrita aos envolvidos nos atos contra o Estado de Direito; no Senado, o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, visto como algoz dos extremistas.

Essas investidas de 2025 ecoam o 8 de janeiro, mas com sofisticação supranacional.

Antes, o inimigo era interno, visível, caótico. Agora, é externo, calculado, com o selo da Casa Branca – uma mistura de diplomacia coercitiva e retórica belicosa. O deputado exilado age como marionete, amplificando vozes que buscam desestabilizar Brasília de longe.

Ambas as datas compartilham o objetivo: erodir as instituições, questionar a soberania e impor agendas autoritárias. Em 2023, a violência foi física; em 2025, é híbrida, mesclando sanções econômicas, vetos migratórios e ultimatos legislativos.

O que une esses eventos é o padrão de escalada: ataques que visam paralisar os Poderes, forçando concessões. Cedendo a uma, o Brasil arrisca abrir portas para outras – mais tarifas, mais isolamentos, talvez até intervenções veladas. É um ciclo vicioso, onde a submissão alimenta o agressor. A democracia brasileira, ferida internamente em 2023, agora resiste a uma ofensiva estrangeira de grandes proporções. Resta saber se aprenderemos com o passado ou nos curvaremos ao futuro incerto.

Como jornalista com décadas de experiência, e professor de comunicação, sempre me pautei pelos princípios éticos e e negociáveis da profissão: jamais permitir que inclinações políticas guiem as palavras que escrevo ou digito; buscar incansavelmente ouvir todos os lados envolvidos e refletir com profundidade sobre os princípios em jogo.

Minha missão será sempre a de oferecer uma narrativa clara, fundamentada e equilibrada, mas reconheço que a última palavra não me pertence. Ela cabe ao leitor, soberano em sua capacidade de interpretar, questionar e construir sua própria visão da realidade e do mundo.

 

Fonte: Brasil 247

 

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