Denise
Assis: Forças Armadas mandam novo recado a Lula, afirmando que prosseguirão
aliados aos EUA
Nesta
sexta-feira (25/07), os portais voltados para notícias sobre as Forças Armadas
amanheceram coalhados do mesmo recado: “os militares vão prosseguir com as
operações com militares estadunidenses, com os intercâmbios e a aquisição de
armamentos fornecidos pelos EUA, e repudiam qualquer troca por tecnologias
russas ou chinesas”. São tecnologias melhores? São Piores? São dados que
parecem não importar para os comandos. O que parece importar, isto sim, é a
ideologia dos países de onde vêm.
Alguém
precisa dizer a esses senhores, que não há nenhuma exigência para que parem ou
prossigam com as manobras A ou B. O que se espera é que entendam que o mundo
mudou. Guerras não se fazem mais com tiros e apenas troca de mísseis. Há
sofisticação no confronto entre os países. Por exemplo, pode-se sufocar um
Estado com sanções econômicas ou tarifaços. Porém, os comandos parecem ainda
não terem se dado conta de que estamos sendo atacados, e a parafernália que
eles tanto prezam, não têm espaço nessa luta.
Um
comportamento esperado por parte deles, seria, por exemplo, que ficassem, no
mínimo, em compasso de espera, adiassem “manobras” ou “operações” em conjunto
com militares dos EUA, até que o comandante em chefe, deles, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, no momento o ocupante do cargo máximo da Nação, abrisse
diálogo com o governo que nos ataca e ameaça, para tomar qualquer atitude ou
providência com relação a esse intercâmbio. Isto, se estivéssemos falando de
comandos conscientes do dever cívico de prezar pela soberania, e não movidos
apenas pelas suas antigas ideologias. Eles, sim, agindo com base em uma
orientação ultrapassada no desenho geopolítico atual.
O site
“Sociedade Militar”, veio com a seguinte manchete: “Forças Armadas reforçam
laços com EUA enquanto China e Rússia intensificam assédio e disputam espaço no
mercado militar”. Espalhafatosa, para dizer o mínimo, seguida da chamada:
“Acordos
de defesa, exercícios conjuntos e negociações bilionárias seguem ativos apesar
da tensão entre Brasília e Washington, enquanto chineses e russos intensificam
contatos com militares brasileiros para vender equipamentos e fechar contratos
estratégicos”.
Já no
corpo da matéria, esmiuçam as “vantagens” de dar continuidade a todos os
programas com os Estados Unidos, com quem o Brasil negocia e se relaciona há
200 anos. De onde tiraram que – por enquanto -, algo vai mudar?
Nos
últimos meses, o Exército brasileiro já encomendou 12 helicópteros Black Hawk,
avaliados em US$ 451 milhões, e 222 mísseis Javelin, estimados em US$ 74
milhões, por meio do programa Foreign Military Sales (FMS), do Departamento de
Estado dos EUA. Os contratos, firmados diretamente entre governos, ficam
isentos de tarifas, o que os torna estratégicos para as forças brasileiras.
Um dos
exemplos mais contundentes veio do site “Militarizando”. Num discurso que beira
ao usado no período da guerra fria, dispararam: “Diante das tensões nas
relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos, as Forças Armadas
brasileiras manifestam preocupação com o futuro da parceria estratégica.
Oficialmente, as Forças Armadas comunicam ao governo que manterão sua política
de aliança com os Estados Unidos, desvinculando-se das orientações ideológicas
e priorizando a continuidade da parceria com os Estados Unidos, mesmo diante de
eventuais divergências”.
A
“rebeldia” soa fora de hora e precipitada, quando questões muito além dessas
estão em jogo.
“Os
comandos do Exército, Marinha e Aeronáutica tomaram a decisão de manter o
alinhamento estratégico, militar e tecnológico com os Estados Unidos.”
E
prosseguem: “As Forças Armadas brasileiras vivenciam um momento de tensão
geopolítica, reforçando sua importância estratégica. Em meio à crise
diplomática e comercial entre o governo brasileiro e a administração dos
Estados Unidos, os comandos do Exército, Marinha e Aeronáutica tomaram a
decisão de manter o alinhamento estratégico, militar e tecnológico com os
Estados Unidos e com os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte
(OTAN), independentemente da postura ideológica do governo federal”.
Belo
exemplo dão aos comandados. Não surpreende que no processo que visa apurar os
responsáveis pelo golpe de 2022, estejam vários oficiais do Exército na
condição de réus na Justiça comum.
Tentando
passar sobriedade na atitude que pode ser lida como desafiadora, enviam o
recado: “A resistência dos militares brasileiros à aproximação com regimes
autoritários, como China e Rússia, baseia-se em três pilares: doutrina,
confiança estratégica e acesso à tecnologia de ponta. Mesmo com as ofertas de
fornecimento de armamentos por parte desses países, incluindo sistemas de
defesa aérea, mísseis, radares e drones, os militares brasileiros reforçam seus
laços com os Estados Unidos, impulsionados pela praticidade e qualidade.”
Agem
como se fossem um poder paralelo, à parte dos existentes no Brasil: Executivo,
Legislativo e Judiciário, e exibem a subserviência aos ditames dos EUA, com
argumentos técnicos, como se alguém tivesse a dizer a eles que haverá mudanças.
Como dito acima, a preocupação no momento é com a soberania e a vida econômica
do país, o que deveria incomodar a todos, e estar muito acima das simulações de
“war” que, temem, sejam interrompidas.
“A
cooperação com a OTAN, especialmente com os Estados Unidos, garante ao Brasil
acesso a tecnologias avançadas, permitindo que as Forças Armadas operem
equipamentos compatíveis com os maiores exércitos do mundo. O programa do caça
Gripen F-39 é um exemplo, desenvolvido pela Força Aérea Brasileira em parceria
com a Suécia, com forte participação de empresas dos Estados Unidos e
certificações compatíveis com a OTAN. O cargueiro militar KC-390 da Embraer,
adquirido por diversos países, e a aquisição de mísseis antitanque FGM-148
Javelin reforçam a capacidade de defesa do país”, é o que está detalhado na
matéria do “Militarizando”.
E
arrematam com um recado cujo tom é desafiador. Tentam passar uma
“independência” que não cai bem aos que têm armas (ou seja, poder contra a
população) e não está descrita na nossa Constituição:
“Apesar
da imposição de tarifas sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, os
comandos das Forças Armadas mantêm sua postura estratégica. Fontes do alto
comando indicam que a postura política do governo federal é ignorada, com a
reafirmação da aliança com os Estados Unidos e o fortalecimento dos canais
diretos com o Pentágono e centros de treinamento conjuntos. Para os militares
brasileiros, o alinhamento com os Estados Unidos é essencial para a segurança
nacional, garantindo acesso a programas de intercâmbio, satélites, apoio
logístico em missões internacionais e, principalmente, aos sistemas mais
modernos em diversas áreas”.
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O que é bom para os EUA é bom para o Brasil
É como
se determinassem que o que é bom para os EUA é bom para o Brasil, como nos
tempos sombrios, inserindo no já turbulento cenário político, um ingrediente
desnecessário. Como haver “tumulto” sem eles, não é mesmo? Se colocam como se
fossem indispensáveis, quando a pauta não lhes cabe. Quem os chamou para essa
conversa?
“A não
aquisição de sistemas antiaéreos indianos, influenciada pela necessidade de
compatibilidade com os equipamentos da OTAN, demonstra a forte inserção do
Brasil na lógica ocidental de defesa. A presença constante de militares
americanos em território brasileiro, com exercícios conjuntos como o CORE,
reforça essa cooperação estratégica. Os Estados Unidos também oferecem suporte
direto em programas de inteligência e modernização do sistema de comando e
controle das Forças Armadas brasileiras”.
Isso
significa ter em solo brasileiro, em novembro, centenas de militares
estadunidenses no sertão pernambucano, aprendendo a se mover na caatinga
nordestina.
E vão
além: “As Forças Armadas rejeitam qualquer aproximação com regimes
autoritários, considerando o alinhamento com o Ocidente uma linha vermelha.
Embora o governo brasileiro demonstre divergências com os Estados Unidos, as
Forças Armadas mantêm sua independência institucional, priorizando a aliança
com as democracias ocidentais, com foco na cooperação com os Estados Unidos.
Essa postura contribui para que o Brasil se mantenha entre os países com maior
potencial estratégico no hemisfério sul, apesar da necessidade de investimentos
internos para o desenvolvimento militar. Em resumo, enquanto a política
brasileira enfrenta tensões diplomáticas, as Forças Armadas mantêm sua aliança
com os Estados Unidos, impulsionadas por questões estratégicas”. Houve quem os
obrigasse a adquirir algum equipamento chinês ou russo?
Ou
seja, não é com eles o que o Brasil está enfrentando. Não estão nem aí para o
que está sendo vivenciado e acompanhado com angústia e ansiedade por todo
cidadão brasileiro consciente da realidade por que atravessa o nosso país.
Soberania, ao que parece, não é mais matéria em seus currículos.
• Ataque visceral interno se transforma em
ataque externo ao Planalto, STF e Congresso Nacional. Por Washington Araujo
Em 8 de
janeiro de 2023, o Brasil assistiu a um espetáculo de barbárie que ecoou como
um soco no estômago da democracia. Uma horda de extremistas de direita,
inflamados por discursos golpistas, invadiu e depredou as sedes físicas dos
Três Poderes: o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal
Federal (STF).
Foi um
ataque visceral, interno, perpetrado por brasileiros contra o coração
institucional do país. Vidraças estilhaçadas, móveis virados, obras de arte
profanadas – símbolos de uma nação saqueada por seus próprios filhos
descontentes. Aquela data marcou o ápice de uma polarização que fermentava há
anos, com o ex-presidente Jair Bolsonaro no epicentro das acusações de
incitação.
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Os
invasores, vestidos de verde-amarelo deturpado, não só vandalizaram prédios;
tentaram demolir a essência da República, questionando a legitimidade das urnas
e do processo democrático. Foi uma ofensiva doméstica, com cheiro de pólvora e
suor, que exigiu intervenção das forças de segurança e deixou um rastro de
prisões e investigações.
Agora,
avance o calendário para 25 de julho de 2025. O cenário muda, mas o drama
persiste, só que com um tom mais insidioso e global. De Miami, nos Estados
Unidos, um deputado autoexilado – fugitivo da justiça brasileira – solta uma
bomba retórica: os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo
Motta, devem se preparar para sanções americanas. Serão proibidos de entrar em
solo norte-americano, a exemplo do que ocorreu na semana passada com oito dos
onze ministros do STF, alvos de uma decisão da Casa Branca que os rotulou como
ameaças à democracia.
Não há
invasores com paus e pedras; há ameaças nem um pouco veladas, escalada de
agressividade verbal e pressão econômica vinda de fora.
Os Três
Poderes, outrora atacados de dentro, agora sofrem assédio externo, orquestrado
por uma superpotência que se arroga o direito de ditar rumos soberanos.
Vejamos
o modus operandi, que revela similaridades cabais entre as datas:
Em
2023, o Executivo foi alvejado diretamente, com o Planalto transformado em
campo de batalha. Hoje, o ataque ao Executivo é econômico: a imposição de uma
tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os EUA,
vigente a partir de 1º de agosto de 2025.
É um
golpe na veia da economia nacional, capaz de asfixiar indústrias, elevar
desemprego e desestabilizar o governo legitimamente constituído.
O STF,
que em 2023 viu suas dependências saqueadas, agora enfrenta exigências
imperiosas: descontinuar o julgamento de Bolsonaro, sob pena de mais
retaliações. É uma interferência no Judiciário, minando sua independência com o
fantasma de sanções pessoais.
Já o
Legislativo, depredado fisicamente há dois anos, é pressionado a pautar agendas
golpistas: na Câmara, o projeto de anistia geral e irrestrita aos envolvidos
nos atos contra o Estado de Direito; no Senado, o impeachment do ministro
Alexandre de Moraes, visto como algoz dos extremistas.
Essas
investidas de 2025 ecoam o 8 de janeiro, mas com sofisticação supranacional.
Antes,
o inimigo era interno, visível, caótico. Agora, é externo, calculado, com o
selo da Casa Branca – uma mistura de diplomacia coercitiva e retórica belicosa.
O deputado exilado age como marionete, amplificando vozes que buscam
desestabilizar Brasília de longe.
Ambas
as datas compartilham o objetivo: erodir as instituições, questionar a
soberania e impor agendas autoritárias. Em 2023, a violência foi física; em
2025, é híbrida, mesclando sanções econômicas, vetos migratórios e ultimatos
legislativos.
O que
une esses eventos é o padrão de escalada: ataques que visam paralisar os
Poderes, forçando concessões. Cedendo a uma, o Brasil arrisca abrir portas para
outras – mais tarifas, mais isolamentos, talvez até intervenções veladas. É um
ciclo vicioso, onde a submissão alimenta o agressor. A democracia brasileira,
ferida internamente em 2023, agora resiste a uma ofensiva estrangeira de
grandes proporções. Resta saber se aprenderemos com o passado ou nos curvaremos
ao futuro incerto.
Como
jornalista com décadas de experiência, e professor de comunicação, sempre me
pautei pelos princípios éticos e e negociáveis da profissão: jamais permitir
que inclinações políticas guiem as palavras que escrevo ou digito; buscar
incansavelmente ouvir todos os lados envolvidos e refletir com profundidade
sobre os princípios em jogo.
Minha
missão será sempre a de oferecer uma narrativa clara, fundamentada e
equilibrada, mas reconheço que a última palavra não me pertence. Ela cabe ao
leitor, soberano em sua capacidade de interpretar, questionar e construir sua
própria visão da realidade e do mundo.
Fonte:
Brasil 247

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