quarta-feira, 4 de junho de 2025


 

Consumo de vinho branco pode prevenir paradas cardíacas súbitas, diz estudo

Emergência médica crítica, a parada cardíaca súbita (PCS) é uma das principais causas de morte no mundo. Durante o evento, provocado por uma falha elétrica no órgão, o coração deixa de bater de forma inesperada e abrupta, interrompendo o fluxo de sangue para o cérebro e outros órgãos vitais.

Como a taxa de sobrevivência fora do hospital é inferior a 10%, a prevenção dessa manifestação aguda depende da identificação dos fatores de risco não clínicos e modificáveis associados, ou seja, características e comportamentos que, mesmo não ligados a doenças, influenciam o risco de PCS.

Agora, um estudo híbrido de associação ampla e causalidade genética conseguiu identificar 56 desses fatores de risco, utilizando dados de 502.094 participantes do grande banco de dados biomédico UK Biobank, acompanhados por uma média de 13,8 anos.

Segundo o artigo, publicado recentemente na revista Canadian Journal of Cardiology, melhorar os fatores não clínicos associados à PCS, ou seja, aqueles que não dependem de doenças instaladas, poderia prevenir até 63% dos casos desse tipo de evento.

Por não dependerem apenas de genética ou doenças já instaladas, e sim de condições que podem ser trabalhadas, o artigo traz novas informações e entendimentos inéditos sobre como o estilo de vida e os fatores ambientais podem contribuir para a prevenção da PCS. Incluindo uma informação interessante sobre como o vinho branco e o champanhe podem colaborar para evitar este problema.

<><> Avaliando a proporção de casos de PCS que poderiam ser prevenidos

Qualquer abordagem eficaz para reduzir a PCS passa antes pela investigação dos fatores de risco modificáveis. Para a primeira autora do artigo, Huihuan Luo, da Universidade Fudan de Xangai, na China, os estudos anteriores focaram em poucos fatores, guiados principalmente por hipóteses e teorias.

Mas no estudo atual, afirma a pesquisadora em saúde pública, em um comunicado, ela e seus colegas analisaram exposições ambientais e saúde com dados do UK Biobank, cruzando-as com uma randomização mendeliana (que usa variações genéticas hereditárias), para avaliar relações causais.

Para examinar quais fatores estão associados ao risco de parada cardíaca súbita, os autores investigaram exposições ambientais e comportamentais múltiplas, como dieta, sono, poluição, estresse, entre outros, ao mesmo tempo.

Eliminando o terço pior dos fatores de risco (abordagem conservadora), 40% dos casos de PCS poderiam ser prevenidos. Com eliminação dos dois terços piores (abordagem completa), a prevenção alcançaria 63%. Hábitos de vida mostraram maior impacto preventivo, com 13-18% dos casos evitáveis.

Destacando ser este o primeiro estudo a explorar a fundo as associações entre fatores de riscos modificáveis não clínicos com a PCS, o coautor Renjie Chen, também da Fudan, se disse surpreso “com a grande proporção (40% a 63%) de casos que poderiam ser prevenidos com a melhora de perfis desfavoráveis".

<><> Será que champanhe e vinho branco podem proteger o coração?

O estudo identificou nove fatores de risco que provavelmente têm relação direta (causal) com o risco de parada cardíaca súbita. Isso indica que esses fatores não estão apenas associados, mas podem realmente aumentar ou reduzir o risco.

Entre os fatores adversos, ou seja, que elevam o risco de PCS, destacam-se sentimentos de desânimo, maior índice de massa corporal, maior massa e percentual de gordura no braço, pressão arterial sistólica elevada e menor nível educacional.

Já entre os fatores protetores, que ajudam a prevenir a PCS, dois itens inesperados chamam a atenção: maior consumo de champanhe/vinho branco e maior ingestão de frutas, juntamente com manutenção de humor positivo, controle de peso, controle da pressão arterial e melhor educação.

Para o cardiologista brasileiro Marcelo Bergamo, que não participou do estudo, “o possível efeito protetor do champanhe e do vinho branco pode estar relacionado à presença de compostos antioxidantes, como os polifenóis, que ajudam na saúde dos vasos sanguíneos”, explica em um release.

Contudo, ele alerta que o álcool não deve ser encarado como tratamento preventivo. “A melhor forma de proteger o coração ainda é a combinação de boa alimentação, controle de doenças como hipertensão e diabetes, atividade física regular e acompanhamento médico”, conclui o especialista.

        Cigarro é inimigo da saúde do coração: entenda os riscos do hábito

Em um país onde as doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte, o tabagismo surge como um dos grandes vilões da saúde do coração. Só em 2023, o Brasil registrou mais de 105 mil óbitos por acidente vascular cerebral (AVC), segundo dados oficiais do Datasus, considerando-se diagnósticos de I60 a I69 e G45 e G46, conforme o CID-10 (códigos que se referem às Doenças Cerebrovasculares, Acidentes Vasculares Cerebrais Isquêmicos Transitórios e Síndromes Vasculares Cerebrais).

Quando somamos ao infarto agudo do miocárdio, o resultado é uma verdadeira epidemia silenciosa, que acomete pessoas de todas as idades, mas tem um protagonista indiscutível: o cigarro.

<><> Tabagismo e o impacto direto no coração e no cérebro

O tabagismo não é um hábito inofensivo. Embora a imagem do fumante tenha mudado ao longo dos anos, os riscos associados ao ato de fumar permanecem alarmantes. Estudos demonstram que quem fuma chega a triplicar o risco de sofrer um infarto ou um AVC em comparação com não fumantes. E não são apenas os idosos que estão expostos: jovens adultos, cada vez mais, aparecem nas estatísticas de hospitalizações e até mesmo óbitos precoces por essas doenças.

No Brasil, o tabagismo está associado a aproximadamente 25% dos casos de infarto agudo do miocárdio e quase metade dos derrames cerebrais. E os números são ainda mais preocupantes quando olhamos para o efeito do fumo passivo, que também aumenta o risco cardiovascular para aqueles que, mesmo não fumando, acabam expostos à fumaça.

O dado de que o tabagismo é responsável por cerca de 8 milhões de mortes por ano no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), reforça a urgência de políticas públicas efetivas e do engajamento individual na busca por hábitos mais saudáveis. Só no Brasil, estima-se que o tabaco seja responsável por cerca de 440 mortes por dia relacionadas a doenças associadas ao fumo, incluindo o infarto e o AVC.

Estatísticas recentes:

        Brasil, 2023: 105.173 óbitos por AVC;

        Brasil, 2022 e 2023: Infarto e AVC seguem como principais causas de morte;

        Mundialmente: Tabagismo mata 8 milhões de pessoas por ano, sendo 1 milhão de vítimas não fumantes expostas ao fumo passivo.

<><> Efeitos da nicotina e do vape sobre o sistema cardiovascular

A nicotina age rapidamente no organismo. Em poucos segundos após a primeira tragada, ela atinge o cérebro e desencadeia efeitos que, embora proporcionem sensação de bem-estar passageira, causam estragos duradouros ao coração e sistema circulatório.

Ela provoca aumento da pressão arterial por meio da liberação de adrenalina, que acelera o coração e contrai os vasos sanguíneos. Além disso, contribui para o aumento do colesterol LDL e a redução do HDL, facilitando a formação de placas de gordura nas artérias.

O cigarro também interfere na coagulação sanguínea, tornando o sangue mais espesso e propenso a formar coágulos. Isso aumenta o risco de obstrução dos vasos, levando ao infarto ou AVC isquêmico. Fumantes frequentemente apresentam outras comorbidades, como diabetes e dislipidemia, o que agrava ainda mais os efeitos nocivos sobre o coração.

A chegada dos cigarros eletrônicos (vapes) elevou a preocupação entre médicos e famílias. O líquido dos dispositivos contém nicotina em doses muitas vezes superiores ao cigarro tradicional, além de substâncias como formaldeído e acroleína. Estudos indicam que jovens usuários de vape têm maior risco de dependência, aumento da pressão arterial e frequência cardíaca elevada, além de casos já documentados de infarto e doenças pulmonares inflamatórias.

<><> Prevenção, conscientização e escolhas para um coração saudável

Apesar de todos os riscos, há espaço para otimismo: os efeitos do tabagismo podem ser revertidos com mudança de hábitos e apoio profissional.

Dicas dos cardiologistas:

        parar de fumar é sempre possível — o risco cardiovascular começa a cair nas primeiras horas sem cigarro

        busque apoio profissional — programas estruturados aumentam as chances de sucesso

        alimente-se bem e pratique exercícios — isso potencializa os efeitos da cessação

        controle a pressão, o colesterol e os níveis de glicose — medidas essenciais para quem quer proteger o coração

O tabagismo, tradicional ou eletrônico, não é um problema apenas individual. Ele gera custos altos ao sistema de saúde e compromete a qualidade de vida das famílias. O SUS gasta bilhões de reais por ano com internações e tratamentos relacionados ao cigarro.

O futuro da saúde do coração dos brasileiros depende das decisões de hoje. Parar de fumar é possível, e os benefícios são acumulativos. O desafio está em educar, conscientizar e incentivar a busca por ajuda. O coração agradece.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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