Indígenas isolados, idosos e doentes foram
vítimas de fraudes contra aposentados
A auditoria da Controladoria-Geral da União
(CGU) nos descontos em contracheques de aposentados e pensionistas do Instituto
Nacional de Seguro Social (INSS) revelou situações flagrantes de fraude.
Foram descobertos cadastros em nome de
analfabetos, indígenas de comunidades isoladas, idosos com doenças graves,
pessoas com deficiência e aposentados.
São pessoas que, segundo a CGU, não teriam
como comparecer pessoalmente às associações e nem como assinar fichas de
filiação e termos de autorização para os descontos em benefício dessas
entidades. Algumas até residem no exterior.
Os casos foram descobertos a partir de
entrevistas feitas com uma amostra de 1.273 beneficiários do INSS, registrados
nos 27 Estados e no Distrito Federal, que tiveram valores descontados de seus
contracheques. 97,6% dos entrevistados informaram à CGU não ter autorizado os
abatimentos.
Os beneficiários do INSS podem aderir a
associações civis e sindicatos e autorizar descontos mensais em seus
contracheques para cobrir custos de filiação. Para isso, as entidades devem
estar habilitadas junto ao INSS e precisam receber autorização “prévia, pessoal
e específica” de aposentados e pensionistas interessados.
Parte dos aposentados ouvidos pela CGU só
tomou conhecimento dos descontos no momento das entrevistas.
A Polícia Federal afirma que a auditoria
revela um “cenário de incongruências”. A PF investiga se idosos foram induzidos
a assinar autorizações de desconto sem saber a verdadeira finalidade dos
documentos e até se assinaturas foram forjadas.
As suspeitas são investigadas na Operação Sem
Desconto. Segundo a Polícia Federal, servidores do INSS venderam dados de
aposentados e pensionistas em troca de propinas e facilitaram os descontos
indevidos direto nos contracheques dos beneficiários. O esquema teria causado
um prejuízo de R$ 6,3 bilhões a milhares de aposentados.
Pressionado, o presidente do INSS, Alessandro
Stefanutto, pediu demissão após ter sido afastado do cargo por ordem judicial.
• Ex-presidente
do INSS liberou descontos ‘excepcionais’ para entidades da fraude
O ex-presidente do Instituto Nacional de
Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, autorizou descontos indevidos nos
contracheques de aposentados e pensionistas depois de ter vindo a público
anunciar que acionaria a Polícia Federal para investigar denúncias de fraudes.
O Estadão pediu manifestação do ex-presidente
do INSS. As suspeitas o levaram a pedir demissão após ter sido afastado do
cargo por ordem judicial na Operação Sem Desconto.
Pressionado pela Controladoria-Geral da União
(CGU), que emitiu sucessivos alertas sobre descontos irregulares, Stefanutto
prometeu ser “bastante duro” com entidades que estivessem envolvidas em fraudes
e garantiu que a PF seria notificada para apurar as suspeitas. As declarações
são de abril de 2024 e foram publicadas no site do INSS.
Em março de 2024, Stefanutto suspendeu as
cobranças de descontos associativos até o desenvolvimento de mecanismos mais
seguros de autorização e verificação de identidade, como biometria facial dos
aposentados e assinatura eletrônica avançada, recursos que segundo ele ainda
seriam desenvolvidos pela Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência
(Dataprev).
A suspensão foi formalizada em uma instrução
normativa que eximiu o INSS de responsabilidade sobre os descontos indevidos em
benefícios de aposentados e pensionistas.
O ex-presidente do INSS também prometeu
revisar os acordo de cooperação técnica fechados com associações e entidades
para descontos de mensalidades associativas.
Ocorre que, segundo a PF, “a despeito da
aparente diligência publicizada”, internamente a direção do INSS buscava uma
solução transitória que possibilitasse a retomada dos descontos, o que
efetivamente aconteceu.
A PF aponta que, em junho de 2024, Stefanutto
determinou o “desbloqueio excepcional” de descontos em benefício de entidades
investigadas, mesmo sem os requisitos técnicos definidos pela Dataprev e sem
previsão normativa.
“Nesse contexto, as ações divulgadas pelo
INSS para impor maior rigor e controle à implementação de descontos
associativos não atingiram os efeitos a que se propuseram, à medida que a
direção da Autarquia autorizou excepcionalizações às regras de regência da
matéria, sem que existisse previsão normativa para tanto ou, sequer, tivessem
sido realizadas análises que pudessem sustentar o interesse dos aposentados
e/ou pensionistas nos atos”, afirma a Polícia Federal na representação da
Operação Sem Desconto.
A Polícia Federal crava que “o único
interesse em voga e observado pela direção do INSS foi o das entidades
associativas”.
Segundo a PF, a cúpula do INSS ignorou
informações e alertas recebidos por diferentes meios e de diferentes órgãos de
controle para reverter “autorizações precárias concedidas” para os descontos.
Além de ter retomado os descontos em curso, o
INSS permitiu 785.309 novos abatimentos, englobando 32 entidades, baseados
exclusivamente em termos de compromisso das associações.
<><> Descontos em lote
A PF também põe sob suspeita uma autorização
do presidente do INSS para o chamado desbloqueio em lote e automático de
descontos em pelo menos 34 mil pensões e aposentadorias em benefício da
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
Os investigadores afirmam que o aval foi
concedido em um cenário de “inexistência de qualquer tipo de controle, pelo
INSS, acerca da veracidade das informações apresentadas” pela entidade.
Em um primeiro momento, a cúpula do INSS
negou o pedido da Contag. Em outubro de 2023, Virgílio Antônio Ribeiro de
Oliveira Filho, então chefe da Procuradoria Federal do INSS, mudou de posição e
emitiu parecer favorável ao pedido.
Segundo a PF, Virgílio Antônio recebeu R$ 12
milhões de intermediários das associações suspeitas de fraudes bilionárias
contra aposentados e pensionistas.
O ex-diretor de Benefícios e Relacionamento
com o Cidadão, André Paulo Félix Fidélis, concordou com o parecer e enviou o
documento ao gabinete do presidente do INSS. A Polícia Federal também
identificou repasses suspeitos a Fidélis, na ordem de R$ 5 milhões.
Em novembro de 2023, Stefanutto assinou a
autorização do INSS para os descontos em lote em favor da Contag. Ele afirma no
documento que a decisão tem como base o “princípio da boa-fé” e a “declaração
de responsabilidade” da confederação.
• 'Careca
do INSS' enviou R$ 9,3 milhões para pessoas relacionadas a servidores do órgão
A Polícia Federal (PF) aponta que Antonio
Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", transferiu R$
9,3 milhões para pessoas relacionadas a servidores do Instituto Nacional de
Seguridade Social (INSS) entre 2023 e 2024.
"A partir da análise detalhada das
transações financeiras identificadas na presente IPJ, é possível concluir que o
esquema em questão envolve uma rede de empresas e pessoas físicas que atuam de
forma coordenada para movimentar recursos advindos de um esquema ilícito,
utilizando mecanismos complexos de envio e recebimento de valores entre as
partes envolvidas", afirmou o inquérito.
A investigação aponta que empresas de Thaisa
Hoffmann Jonasson, esposa do procurador-geral do INSS afastado, Virgílio
Antonio Ribeiro de Oliveira Filho, recebeu R$ 7,5 milhões de Antunes.
Já o escritório de advocacia de Eric Douglas
Martins Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios e Relacionamento com o
Cidadão do INSS, André Paulo Felix Fidelis, recebeu R$ 1,5 milhões.
"Ao todo, portanto, pessoas físicas e
jurídicas relacionadas a André Paulo Félix Fidelis receberam R$5.186.205,0041
das empresas intermediárias relacionadas às entidades associativas",
aponta o inquérito.
Por fim, o ex-Diretor de Governança,
Planejamento e Inovação do INSS, Alexandre Guimarães, recebeu diretamente de
Antunes R$ 313 mil.
<><> Outras transações
A empresa da irmã de Virgílio Oliveira Filho,
Maria Paula Xavier da Fonseca Oliveira, recebeu R$ 630 mil do escritório de
advocacia de Cecília Rodrigues Mota. Ela também está sendo investigada pela
Polícia Federal.
A PF considera Cecília como uma operadora
financeira do esquema em função da sua posição estratégica. A advogada também
presidiu duas associações ao mesmo tempo entre 2017 e 2020.
A companheira de Virgílio, Thaisa Jonasson, é
sócia de quatro empresas. Uma delas, "Curitiba Consultoria em Serviços
Médicos S/A", foi a principal destinatária de recursos por parte do
lobista Antonio Carlos Antunes.
Já a empresa THJ Consultoria, outra empresa
de Thaisa, recebeu R$ 3,8 milhões de intermediários relacionados às
associações, entre 2023 e 2024.
Além disso, os investigadores também apontam
que um dos veículos sob a propriedade ou posse de Antonio Carlos, um Porsche
Taycan 2022, passou a ser utilizado pela esposa de Virgílio Filho,
procurador-geral do INSS afastado.
O valor do veículo varia de R$ 660 mil a R$ 1
milhão.
<><> 'Careca do INSS'
O inquérito aponta Antonio Carlos Camilo
Antunes, 61 anos, como o "facilitador" no esquema de fraudes nos
descontos indevidos de aposentados.
"O 'Careca do INSS', desempenha o papel
de facilitador no esquema, atuando como consultor para várias entidades que
firmaram acordos de cooperação técnica com o INSS", afirma a investigação.
Ele aparece no relatório como sócio de 21
empresas. Dessas, 19 foram criadas a partir de 2022 – e pelo menos quatro
"estão envolvidas e são utilizadas na 'farra do INSS'", segundo a
investigação.
"Com efeito, verificou-se que as
empresas de Antonio Carlos Camilo Antunes operaram como intermediárias
financeiras para as entidades associativas e, em razão disso, receberam
recursos de diversas associações que, em parte, foram destinados a servidores
do INSS", diz trecho do documento.
• Oposição
realiza ofensiva no Congresso para criar a CPI do INSS
A oposição intensificou sua ofensiva no
Congresso e conseguiu, na terça-feira (29), as assinaturas necessárias para
protocolar o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)
para investigar fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O requerimento, apresentado pelo deputado
federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO), alcançou as 171 assinaturas necessárias
para a instalação da CPI.
O foco da comissão será apurar a atuação de
sindicatos envolvidos em um esquema de descontos indevidos em benefícios
previdenciários, identificado por uma operação da Polícia Federal (PF) em
parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU).
Segundo os membros da oposição, uma coletiva
será realizada nesta quarta-feira (30) para esclarecer mais detalhes sobre a
CPI, mas até o momento, nenhuma nova informação foi divulgada
A investigação apontou que pelo menos 11
entidades sindicais teriam praticado cobranças irregulares de mensalidades a
aposentados e pensionistas, com uso de assinaturas falsificadas e outros
crimes. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 6,3 bilhões entre os anos de 2019 e
2024.
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Segundo Chrisóstomo, o objetivo da CPI é
apurar responsabilidades e propor medidas para coibir práticas semelhantes no
futuro.
A repercussão do caso levou à exoneração do
então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, além do afastamento de
servidores suspeitos de participação nas irregularidades.
Com a formalização do requerimento, a próxima
etapa será a leitura do pedido em plenário e, posteriormente, a indicação dos
membros que irão compor a comissão.
<><> Carlos Lupi
O ministro da Previdência Social do Brasil,
Carlos Lupi, defendeu o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS), Alessandro Stefanutto, demitido após ser alvo de uma operação da
Polícia Federal (PF) que investiga fraude bilionária na autarquia, na
terça-feira.
A declaração foi feita durante participação
na Comissão da Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e
Família da Câmara dos Deputados.
A participação de Lupi na comissão foi
solicitada pelos deputados Rui Carneiro (Podemos-PB) e Laura Carneiro (PSD-RJ).
Inicialmente, o objetivo da visita era pedir
ao ministro que apresentasse a agenda estratégica da pasta para 2025. Contudo,
Lupi foi questionado sobre os descontos irregulares em aposentadorias e
pensões.
Na última quarta-feira (23), o ministro
também reiterou que a indicação de Stefanutto era de sua “inteira
responsabilidade”. Antes de ser demitido, Stefanutto foi afastado do cargo após
uma operação da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal (PF).
<><> “Surpreendido”
Ainda durante a Comissão, Lupi disse que não
tinha “noção exata de tantas coisas erradas” que vinham acontecendo no
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A afirmação foi feita após mais de
cinco horas de audiência na Comissão de Previdência da Câmara.
“Eu praticamente fui surpreendido com o
volume disto. Sabia que tinha uma denúncia aqui ou acolá, a gente sempre soube.
A gente recebia queixa, a própria plataforma do INSS aparecia algumas pessoas
se queixando. Mas nesse quantitativo, com uma organização, com uma quadrilha
verdadeira [não imaginava]”, afirmou o ministro.
<><> Suspensão de descontos
O INSS anunciou na terça-feira a suspensão
imediata dos descontos de mensalidades associativas em folhas de pagamento de
benefícios previdenciários.
A medida, publicada no Diário Oficial da
União extra, visa reavaliar a legalidade e conformidade dos acordos firmados
entre o órgão e entidades representativas.
No despacho assinado pela presidente
substituta Débora Aparecida Andrade Floriano, a decisão foi tomada com base em
análises técnicas da Diretoria de Benefícios (Dirben) e da Procuradoria
Federal.
A partir de agora, as entidades associativas
não poderão mais ter mensalidades descontadas diretamente dos pagamentos do
INSS. A medida é temporária, mas, dependendo do resultado da auditoria, os
acordos podem ser rescindidos permanentemente.
A decisão afeta apenas descontos vinculados a
associações, sem impacto em outros tipos de descontos legais, como pensão
alimentícia ou dívidas judiciais.
Agora, as diretorias do INSS responsáveis
pela análise – Dirben, Digov (Governança) e Audger (Auditoria-Geral) – terão de
apresentar um diagnóstico sobre os acordos em vigor. Caso sejam encontradas
irregularidades, o INSS poderá romper os contratos definitivamente.
• Lula
vive dilema com Lupi após fraude bilionária no INSS
Aliados de Lula admitem que o presidente da
República está numa encruzilhada diante do caso do ministro da Previdência
Social, Carlos Lupi (PDT), considerado omisso por ter sido alertado, já em
2023, sobre um esquema de fraude bilionário no INSS (Instituto Nacional do
Seguro Social). Os descontos ilegais de segurados entre 2019 e 2024 ultrapassam
de R$ 6 bilhões.
A maioria dos segurados, segundo a Polícia
Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), não havia autorizado esses
descontos. O ministro não tomou as medidas consideradas necessárias para apurar
o caso quando foi avisado, em julho de 2023, pela conselheira Tonia Galetti, do
Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS). Lupi foi o responsável pela
indicação, em 2023, do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, demitido na
semana passada por ordem de Lula.
Com a eclosão do escândalo, o presidente da
República tem sido aconselhado por aliados a afastar Lupi. O problema é que
demitir o ministro significa tirar do governo o único representante do PDT, uma
das legendas mais próximas do PT. Mais que isso, o titular da Previdência
comanda o partido com mão de ferro e, pela avaliação corrente no Palácio do
Planalto, ele não aceitaria ser substituído no cargo por outro pedetista.
Nesta segunda-feira, 28, o líder do PDT na
Câmara, Mario Heringer (MG), disse que o partido deixará a base de Lula caso
Lupi seja afastado do governo. “O estrago para o partido já está feito. Só uma
ilação ou uma suspeita já gera um desconforto muito grande”, afirmou o
deputado. O partido tem uma bancada de
17 deputados na Câmara e três representantes no Senado.
O PDT é ligado à Força Sindical, uma das
maiores centrais de trabalhadores do país. As fraudes descobertas pelas
investigação seriam praticadas, justamente, por entidades sindicais de
aposentados e, pela dimensão do escândalo, podem chegar à central pedetista.
O mais conveniente para Lula é que Lupi peça
demissão. Esse é o desejo predominante no governo no início desta semana. O
ministro da Previdência, no entanto, já deu sinais de que não pretende tomar
essa decisão. Então, criou-se um impasse.
No Palácio do Planalto, integrantes do
governo procuram amenizar o episódio com o argumento de que, ao menos até o
momento, não existe qualquer denúncia diretamente contra Lupi. Auxiliares de
Lula reconhecem que o ministro teria sido omisso, mas ressaltam não haver
provas de que ele tenha participado das irregularidades ou se beneficiado
diretamente das práticas ilegais.
Comparando com o caso do ex-ministro das
Comunicações Juscelino Filho (União Brasil-MA), os colaboradores do governo
lembraram que Lula havia afirmado que caso a Procuradoria-Geral da República o
denunciasse, ele seria afastado do governo, o que acabou ocorrendo. No caso da
Previdência, Lupi nem é investigado pela operação desencadeada pela PF e pela
CGU.
A substituição de Juscelino foi considerada
simples perto do caso do pedetista. Isso porque o União Brasil, partido do
ex-ministro, indicou outro nome para substituí-lo, o ex-presidente da Telebrás,
Frederico de Siqueira Filho, apesar da desistência do primeiro indicado, o
deputado Pedro Lucas (MA).
<><> Explicações
Lupi participou nesta segunda-feira, 28, de
uma reunião do Conselho Nacional de Previdência Social e deu suas explicações
sobre a crise no INSS. Ele negou ser o responsável pelas fraudes. Nesta
terça-feira, 29, ele participa de uma audiência pública na Comissão de
Previdência da Câmara e será cobrado a esclarecer o caso.
Não é a primeira vez que Lupi tem de se
explicar sobre desvio de recursos em um governo petista. Em 2011, no primeiro
mandato de Dilma Rousseff (PT), ele comandava o Ministério do Trabalho, alvo à
época de denúncias de desvios de recursos em convênios com ONGs na área de
qualificação profissional. Ele chegou a dizer, à época, que “morro, mas não
jogo a tolha”, pois “alguns nascem para se acovardar e outros para lutar, como
é o meu caso”. Mas acabou demitido.
Constrangimento no 1º de Maio
O presidente Lula já anunciou que não deverá
participar das atividades do 1º de Maio, nesta quinta-feira. O petista
demonstrou receio de repetir o fiasco da comemoração da data no ano passado, no
estacionamento do estádio do Corinthians, em São Paulo, quando o público
presente foi considerado muito abaixo das expectativas. Sindicalistas
atribuíram a responsabilidade ao ministro da Secretária-Geral da Presidência,
Márcio Mâcedo, que teria avisado em cima da hora sobre o desejo do presidente
de participar do evento, sem o tempo adequado para que houvesse a convocação
dos participantes.
Desta vez, haveria também um desconforto do
presidente Lula em um encontro com sindicalistas que, eventualmente, estejam
envolvidos nas denúncias de desvio de recursos no INSS. O presidente, também,
poderia ser cobrado por aposentados prejudicados pelas fraudes descobertas nas
investigações.
• Lupi
diz a jornalistas que está ‘totalmente’ descartada a sua saída de ministério
O ministro da Previdência Social, Carlos
Lupi, afirmou a jornalistas, nesta terça-feira, 29, que está “totalmente”
descartada a possibilidade de seu afastamento do ministério. As declarações
ocorreram após depoimento na Comissão de Previdência da Câmara dos Deputados.
Na ocasião, Lupi havia respondido
questionamentos de parlamentares sobre as fraudes no Instituto Nacional de
Seguridade Social (INSS). Ao ser questionado se houve alguma conversa sobre o
seu afastamento do ministério, Lupi respondeu “nenhuma”. Ele acrescentou: “Quem
tem que decidir sobre isso é o presidente Lula. Eu sei que eu tenho a confiança
dele e estou trabalhando para elucidar tudo o que tiver de errado”, declarou.
Lupi voltou a dizer que não houve demora nas
providências ao tomar conhecimento das denúncias de fraudes no INSS. “Isso é
uma formação de quadrilha: grupos que se montaram para criar instituições e
para roubar dinheiro de aposentado. Isso é chocante para mim”, declarou.
O ministro prosseguiu: “Eu fui surpreendido
com o volume disto. Porque eu sabia que tinha uma denúncia aqui, outra acolá, a
gente sempre soube, a gente recebia queixa, na própria plataforma do INSS
aparecia algumas pessoas se queixando. Agora, nesse quantitativo, por uma
organização, eu tomei conhecimento agora”.
Lupi também argumentou que a base para as
investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) vieram
de apurações que ele determinou no INSS. Questionado se houve demora nas
providências, ele negou.
“Aí, é outra discussão. Quando eu fiz a
comparação com o botequim da esquina, eu adoro um pão na chapa no botequim da
esquina. Quando eu fiz a comparação, é no sentido de que isso não é simples,
são 7 milhões de pessoas. Como é que você verifica, checa, cria biometria de 7
milhões de pessoas?”, afirmou.
Ainda em resposta aos jornalistas, Lupi
afirmou: “Não demorei a determinar (as apurações). Foi tomado conhecimento dos
vários fatos, inclusive no Conselho. O Conselho não é executivo, é um conselho
de debate, de deliberações macro sobre visão da Previdência Social. Estava lá
no assento o presidente do INSS e o diretor do INSS. Eu pedi para que tomassem
providências disso, tanto é que eu demiti o diretor”.
Conforme mostrou o Broadcast Político
(sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), Lupi argumenta que demitiu
o diretor de Benefícios André Félix Fidélis, que teria apresentado lentidão
para avançar com as apurações. Uma reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo,
mostrou que o ministro foi alertado sobre as fraudes em junho de 2023, mas
adiou a discussão e só tomou providências após quase um ano.
Fonte: IstoÉ/g1/CNN Brasil

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