terça-feira, 25 de março de 2025

Moisés Mendes: Três saídas para Bolsonaro - fugir, fugir ou fugir

Bolsonaro não pode ter consumido, no final de 2022, toda a coragem que juntou para fugir para os Estados Unidos antes do 8 de janeiro. Deve ter coragem armazenada para fugir de novo. Bolsonaro vai precisar dessa coragem.

Que deixe de negar que está sem saída e se dedique ao plano de fuga, no melhor momento, que pode ser agora, antes da condenação inevitável. Abaixo, uma lista de cinco motivos encadeados para que fuja.

1. Bolsonaro não aguenta 580 dias de cadeia. Por que 580? Porque esse foi o tempo do encarceramento de Lula. Bolsonaro, que será condenado a quase 40 anos, não poderá ficar alguns meses preso, ou todo o sistema de Justiça seria desmoralizado. O chefe do golpe não pode pegar menos cadeia do que o presidente perseguido pelo lavajatismo. Como é frágil física e emocionalmente, não suportaria meio ano preso. O cenário hoje é desolador em todas as frentes (recursos no TSE, luta pela anistia, pressão sobre o Supremo). Faltam forças para uma saída política e inexiste a chance de escapar via Justiça. E todos sabem que a cadeia acabaria com Bolsonaro em algumas semanas.

2. Trump pode até mandar recados de apoio, mas não tem interesse em se dedicar à tentativa de sabotagem da Justiça brasileira. Suas preocupações são outras, estão em Gaza, na Ucrânia, na Europa e na China. Trump vai recomendar a Bolsonaro que passe um tempo nos Estados Unidos ao lado do filho. Montariam um QG no Texas, mas não tão precário como aquele de Orlando na primeira fuga, e de lá passariam a enviar ameaças a Alexandre de Moraes, para que as bases se mantenham ativas. Bolsonaro tem mais de R$ 20 milhões nos bancos, arrecadados com PIX, e poderia ter uma vida de luxo no Texas. Trump mandaria um assessor do terceiro time visitá-lo de vez em quando, como protocolo e para saber se ainda fala alguma coisa com fundamento e tem alguma utilidade.

3. Tarcísio de Freitas já foi assimilado pela velha direita como a melhor opção do bolsonarismo moderado. Tem a bênção de Globo, Folha e Estadão, que podem estabelecer apenas uma condição: que vá rompendo seus vínculos com a família, mesmo que mantenha, por necessidade, conexões com algumas das raízes e ideias básicas do bolsonarismo. Bolsonaro sabe que, se for preso, não será mais nada na estrutura da direita, porque a direita tem, além de Tarcísio, se esse se assustar e não concorrer em 2026, pelo menos mais meia dúzia de herdeiros prontos para enfrentar Lula. Bolsonaro será sucedido e devorado pelas criaturas criadas ou apoiadas por ele e pelos militares. 

4. A aposta na eleição de uma turma forte para o Senado, em 2026, para cercar o Supremo, pode ser a única estratégia política capaz de fortalecê-lo, se tiver sucesso. Mas é arriscado ficar dependendo de uma situação que só começaria a ter efeito daqui a dois anos. Teria utilidade quando, num provável cenário mais favorável bem mais adiante, estivesse preparando o retorno ao Brasil, com o STF já fragilizado. Bolsonaro também deve atentar para as reviravoltas da política ao redor e saber que pode perder aliados do fascismo no poder na América Latina. Milei, que perde apoio popular a cada mês, é visto pelos próprios aliados liberais como vigarista. Dependendo das eleições no Equador e no Chile, a direita terá sua força política, pelo voto, esvaziada este ano. 

5. E esse é o item com o pior prognóstico, feito inclusive por parceiros. Bolsonaro preso valerá tanto quanto um Magno Malta solto. Na cadeia, e sem perspectiva de libertação no curto prazo, será uma gambiarra que já cumpriu sua função e não terá mais nenhuma serventia. Bolsonaro gostaria de ser um Lula da extrema direita, capaz de enfrentar a prisão e voltar com força para reaglutinar civis e militares que estiveram com ele no poder e mais a delinquência em geral, da Faria Lima aos grileiros da Amazônia e milicianos no Rio. Mas sabe que não tem a força de Lula. Bolsonaro pode até reunir uma multidão na Paulista, na próxima aglomeração, mas não escapará do que o espera. Seu território foi tomado pelos que, mesmo em cima do trio elétrico e ao seu lado, já começaram a traí-lo. Tenha certeza, Bolsonaro. Eles desejam que você deixe de atrapalhar e fuja.

¨      Deputados do PT pedem à PGR a adoção de medidas cautelares contra Bolsonaro

Os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) apresentaram um Pedido de Providências à Procuradoria-Geral da República (PGR), solicitando a adoção de medidas cautelares contra Jair Bolsonaro. A iniciativa ocorre no contexto das investigações sobre a suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

A representação pede que Bolsonaro seja proibido de deixar Brasília sem autorização judicial, além da imposição de tornozeleira eletrônica e da restrição de circulação em áreas próximas a embaixadas.

Os parlamentares argumentam que as medidas são necessárias diante da gravidade das acusações e do risco de o ex-mandatário tentar fugir do país.

“Por diversas vezes Jair Bolsonaro incentivou publicamente a fuga de condenados pelos crimes cometidos no dia  08 de janeiro de 2023, bem como a permanência clandestina no exterior, em especial na Argentina, como tentativa de evitar a aplicação da lei e decisões  judiciais proferidas pelo Supremo Tribunal Federal”, diz o documento enviado à PGR.

O ex-mandatário e outras 33 pessoas foram denunciados pela PGR por suposta tentativa de golpe de Estado. Entre os crimes imputados a Bolsonaro estão: liderança de organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

¨      "Bolsonaro faz sua primeira sinalização de sucessão", diz pesquisador

Em entrevista ao programa Boa Noite 247, o professor e pesquisador João Cezar de Castro Rocha apontou que a manifestação bolsonarista realizada em Copacabana revelou um movimento inédito dentro da extrema direita brasileira: pela primeira vez, Jair Bolsonaro sinalizou publicamente a possibilidade de não disputar as eleições de 2026 e indicou um nome para sua sucessão.

"Pela primeira vez, Bolsonaro, em público, fez uma espécie de passagem simbólica de bastão", destacou Castro Rocha. Durante o evento, o ex-presidente afirmou: "Se eu não estiver mais aqui, temos o Tarcísio, que está fazendo um excelente governo em São Paulo". Para o professor, essa fala é altamente simbólica, pois representa a primeira vez que Bolsonaro sugere abertamente um nome fora de seu núcleo familiar para assumir sua base política. "Ele não indicou Eduardo Bolsonaro, nem Flávio Bolsonaro. Ele escolheu um nome do sistema", ressaltou.

<><> O perfil de Tarcísio e a aposta da elite econômica

A possível transferência de apoio a Tarcísio de Freitas, segundo Castro Rocha, indica um realinhamento estratégico dentro da extrema direita. O governador de São Paulo tem um perfil técnico, distante do estilo incendiário de Bolsonaro. "O discurso do Tarcísio, em nenhuma circunstância, empolga multidão alguma", afirmou o especialista. No entanto, essa característica pode ser uma vantagem dentro dos setores mais conservadores da elite brasileira, que buscam um candidato confiável para enfrentar Lula em 2026 e preservar os interesses do mercado financeiro.

O professor comparou o fenômeno à trajetória política de Jânio Quadros e Castelo Branco. "O Jair Messias Bolsonaro é uma espécie de Jânio Quadros para os militares, alguém que teve votos, mas revelou-se um desastre. O Tarcísio de Freitas é o Castelo Branco, alguém que vem de dentro do sistema", analisou.

<><> O enfraquecimento do bolsonarismo e a transição de poder

A manifestação bolsonarista em Copacabana foi marcada por um esvaziamento inédito, tanto em número de participantes quanto na energia do evento. "Se no 7 de setembro de 2021 Bolsonaro dissesse 'vamos tomar o poder', haveria milhares de pessoas dispostas a pegar em armas. Ontem, o que eu vi foi algo absolutamente morno", observou Castro Rocha.

Ele destacou que os discursos foram extremamente breves e que houve um esforço dos organizadores para evitar a dispersão do público. "Se eu saí bronzeado da manifestação, Bolsonaro saiu queimado", ironizou. Para ele, esse declínio de mobilização indica um esgotamento do bolsonarismo como movimento autônomo, que tende a ser absorvido por uma nova configuração política.

"O bolsonarismo será cada vez mais incorporado à extrema direita evangélica e sua teologia do domínio", explicou. Como prova desse processo, ele apontou que o momento de maior entusiasmo do evento ocorreu quando o senador Magno Malta puxou um louvor religioso, e não quando Bolsonaro discursou.

<><> O plano da extrema direita para 2026: Congresso acima da Presidência

Castro Rocha advertiu que o verdadeiro objetivo da extrema direita para 2026 não é necessariamente a presidência, mas sim a conquista do Congresso. Ele citou um momento crucial da manifestação, quando Bolsonaro declarou: "Eu peço a vocês que no ano que vem me deem cinquenta por cento da Câmara e cinquenta por cento do Senado, que eu mudo o nosso Brasil".

Para o professor, essa fala revela a estratégia central da extrema direita, que busca maioria no Legislativo para minar o Supremo Tribunal Federal. "O que ele quer dizer com isso? Ele quer fazer impeachment de ministros do STF. Esse é o modelo da extrema direita transnacional", analisou.

Ele alertou que essa tática já foi aplicada em outros países, como a Hungria sob Viktor Orbán e os Estados Unidos sob Donald Trump. "Eles chegam ao poder por meio de eleições democráticas, mas, uma vez no comando, tentam corroer a democracia por dentro." Para evitar esse cenário, o professor enfatizou que a esquerda deve priorizar as eleições legislativas de 2026 com a mesma intensidade dedicada à eleição presidencial.

<><> Tarcísio e os desafios da sucessão bolsonarista

O governador de São Paulo aparece como um nome-chave nesse novo arranjo político da direita. "Tarcísio agrada tanto aos bolsonaristas, especialmente por sua relação com a Polícia Militar, quanto ao mercado financeiro, devido às privatizações", apontou Castro Rocha.

No entanto, a transição de liderança não está garantida. O especialista ressaltou que Tarcísio pode enfrentar resistência dentro da base bolsonarista mais radical, que o enxerga como um político mais alinhado ao sistema do que aos ideais do ex-presidente. "Ele precisará equilibrar sua fidelidade ao bolsonarismo com a necessidade de ampliar sua aceitação fora desse círculo", avaliou.

Além disso, Castro Rocha destacou a blindagem midiática em torno do governador. "Todos os escândalos que ocorrem no estado de São Paulo desaparecem", disse, citando como exemplo o caso em que Tarcísio associou o PCC a Guilherme Boulos sem apresentar provas, crime que poderia ter resultado em sua inelegibilidade, mas que foi ignorado pelo TSE.

Por fim, ele alertou para um nome que deve ganhar projeção nas eleições de 2026: Nagib Buque. "O verdadeiro plano da extrema direita para 2026 é a militarização completa da segurança pública, e Nagib Buque será uma figura central nesse processo", previu.

A análise de Castro Rocha sugere que, enquanto Bolsonaro perde força, a direita tradicional e a extrema direita já estão em plena reorganização para os próximos embates políticos no Brasil.

¨      Eduardo Bolsonaro tem holding nos EUA registrada em endereço residencial

A Braz Global Holding, registrada nos Estados Unidos em nome do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), tem o endereço vinculado a uma residência na cidade de Arlington, Texas. Conforme relatado pelo UOL, registros oficiais do estado norte-americano apontam que a empresa possui apenas três sócios, incluindo o filho do ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL).

A abertura da holding ocorreu em março de 2023, quando Jair Bolsonaro estava nos EUA, após a derrota nas eleições de 2022. A localização do registro da empresa coincide com o local de onde Eduardo tem feito transmissões ao vivo e publicado fotos desde que deixou o Brasil. 

Entre os sócios da holding está André Porciuncula Esteves, que, nos registros da empresa, aparece no mesmo endereço de Eduardo. Esteves, ex-policial militar da Bahia, ocupou um cargo no governo Bolsonaro, chegando a atuar como secretário de Fomento e Incentivo à Cultura.

O terceiro sócio da empresa é Paulo Generoso, ligado ao grupo Liber Group Brasil, do qual Esteves também faz parte. Generoso foi um dos fundadores do Movimento República de Curitiba, criado em 2016 para apoiar a Operação Lava Jato.

Além da Braz Global Holding, a empresa Liber Group Brasil também está registrada no mesmo local, embora Eduardo não figure entre os sócios.

¨      Plano de Eduardo Bolsonaro contra Moraes inclui processo no Departamento de Justiça dos EUA

O deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e aliados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estariam planejando um conjunto de medidas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Além de sanções econômicas e medidas para bloqueio de visto, a estratégia inclui um possível processo no Departamento de Justiça, informou a Folha de S.Paulo.

Segundo um advogado ligado à gestão Trump, a ideia é que o órgão americano possa investigar Moraes pelo crime de conspiração contra direitos fundamentais. A legislação dos EUA prevê punição para quem conspira ou ameaça restringir as liberdades constitucionais de alguém sem autoridade para isso. A pena pode variar de multa a até dez anos de prisão.

O argumento dos apoiadores de Bolsonaro é que Moraes teria cometido essa infração ao determinar sanções a empresas de redes sociais, exigindo ainda a entrega de informações de usuários e a suspensão de contas.

Uma das apostas do grupo também é enquadrar Moraes na Lei Magnitsky, aprovada no governo Barack Obama. A legislação permite o bloqueio de contas e ativos dos alvos no exterior, além de estabelecer restrições de visto.

¨      Bolsonaro deve ignorar julgamento no STF que pode torná-lo réu por trama golpista, dizem aliados

Jair Bolsonaro (PL) deve adotar a estratégia de ignorar o julgamento da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que pode torná-lo réu por participação em um plano golpista De acordo com parlamentares bolsonaristas ouvidos pela coluna do jornalista Gustavo Uribe, da CNN Brasil, Bolsonaro estará em Brasília nesta terça-feira (25), data marcada para o início da análise da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), mas não há previsão de que ele acompanhe presencialmente o julgamento. Ele também não deverá participar do encontro político organizado por deputados e senadores da direita na capital federal.

Nesse mesmo dia, lideranças conservadoras planejam uma reunião para discutir a pauta legislativa no Congresso Nacional e reforçar o esforço pela aprovação do chamado PL da Anistia, que pretende anular punições relacionadas aos atos antidemocráticos de 8 de Janeiro.

A ausência de Bolsonaro no julgamento é parte de uma estratégia definida por seus aliados no Legislativo. “A orientação é que ele demonstre indiferença, como forma de reforçar a narrativa de que está sendo perseguido politicamente pelo Supremo”, disse um deputado do PL sob reserva, de acordo com a reportagem. A aposta é manter o discurso de vítima e evitar o desgaste da exposição direta durante o processo.

A Primeira Turma do STF reservou três sessões para julgar a denúncia da PGR, sendo duas programadas para os dias 25 e 26 de março. A análise começará na manhã de terça e pode se estender até a quarta-feira. Compõem o colegiado os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Luiz Fux.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, organizou a acusação em núcleos, conforme os eixos de atuação identificados pela Polícia Federal na suposta tentativa de golpe. Bolsonaro foi incluído no primeiro grupo, considerado o mais relevante, por envolver os supostos líderes da trama.

Além do ex-mandatário, esse núcleo inclui ex-ministros do seu governo, como Walter Braga Netto (Casa Civil), Anderson Torres (Justiça) e Paulo Sérgio Nogueira (Defesa), todos apontados pela PF como peças centrais na articulação golpista.

 

Fonte: Brasil 247

 

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