Farmacêuticos
não poderão prescrever remédios tarja preta, diz especialista
A
prescrição de medicamentos por farmacêuticos tem sido tema de discussão
recente, levantando questões sobre quais tipos de remédios poderão ser
receitados por esses profissionais. Cinthia Rios, membro da Comissão de
Farmacoterapia do Conselho Federal de Farmácia (CFF), esclareceu em entrevista
à CNN Brasil que os medicamentos de tarja preta não estarão incluídos
nessa nova atribuição.
Rios
enfatizou: “Os ‘tarja preta’, por exemplo, esses não estarão no rol dos
medicamentos passíveis de prescrição farmacêutica”. Além desses, ela mencionou
que medicamentos vendidos com notificação amarela ou azul, assim como aqueles
classificados para uso restrito em ambientes hospitalares, também não farão
parte da lista de medicamentos que os farmacêuticos poderão prescrever.
<><>
Processo baseado em estrutura legal sólida
A
especialista ressaltou que todo o processo está sendo construído com base em um
arcabouço legal bem estruturado e com muita responsabilidade. “Os farmacêuticos
têm perícia em medicamento e o Conselho Federal de Farmácia tem autonomia para
poder introduzir um processo dinâmico que acompanha as necessidades da
população do país”, explicou Rios.
A
iniciativa visa aliviar a sobrecarga nos atendimentos relacionados à saúde
pública, especialmente para casos de baixa complexidade. Segundo Rios, isso
permitirá que pessoas com sintomas menos graves possam receber atendimento no
âmbito da farmácia, por um profissional qualificado para a prescrição
farmacêutica.
Esta
medida tem como objetivo reorganizar o processo de saúde, oferecendo uma
assistência mais adequada e eficiente. Rios argumentou que isso pode ajudar a
liberar recursos para o atendimento de casos mais urgentes, lembrando que
“infelizmente ainda tem brasileiros que morrem nas filas precisando de
assistência”.
A nova
atribuição dos farmacêuticos representa um passo significativo na busca por
soluções para melhorar o acesso da população aos cuidados de saúde, ao mesmo
tempo em que mantém salvaguardas importantes para medicamentos que requerem
controle mais rigoroso.
¨ CFM diz que vai
acionar Justiça contra resolução
Na
última segunda-feira (17), o Conselho Federal de Farmácia (CFF) publicou uma resolução que respalda
oficialmente o profissional farmacêutico a prescrever medicamentos categorizados
como tarjados e que exigiriam receita médica. O documento causou reação
por parte de algumas entidades médicas.
Em
nota, o Conselho Federal de Medicina (CFM) classificou a resolução como
“absolutamente ilegal e desprovida de fundamento jurídico” e avalia que a
prática coloca pacientes em risco.
“A
prescrição exige investigação, diagnóstico e definição do tratamento,
competências exclusivas dos médicos.”
De
acordo com o conselho, não há competência em lei que autorize farmacêuticos a
prescrever medicamentos de qualquer natureza. “O CFM adotará as medidas
judiciais cabíveis contra a resolução”.
A
entidade diz que repudia veementemente uma resolução que coloca a saúde pública
em perigo ao permitir que não médicos, sem formação clínica adequada,
prescrevam medicamentos. “Trata-se de uma invasão flagrante das atribuições
médicas.”
“Diagnosticar
doenças e prescrever tratamentos são atos privativos de médicos, formados para
tal. Farmacêuticos não possuem treinamento para investigar patologias, definir
terapias ou gerenciar efeitos adversos de medicações”, completa o CFM.
Em
nota, a Associação Médica Brasileira (AMB) cita “preocupação” e se manifesta
contrária à resolução, “pois entende que a prescrição de medicamentos é o ato
final de um processo complexo de anamnese, exame físico e exames subsidiários
que permitem o correto diagnóstico das doenças”.
“Só
quando concluído o processo é que se pode fazer a receita de um determinado
fármaco. Cabe aos médicos essa tarefa”, avaliou a entidade. “O farmacêutico não
tem a formação necessária para prescrever medicamentos que podem, uma vez
prescritos, afetar a saúde do paciente, caso seja utilizado de maneira
equivocada.”
A
associação, como entidade médica, diz que está alinhada com o Conselho Federal
de Medicina e que tomará todas as providências necessárias para sustar esta
decisão tomada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) com o único propósito de
garantir a segurança na prescrição de medicamentos à população.
Em
comunicado, a Associação Paulista de Medicina (APM) também manifestou
preocupação com a resolução. “A prescrição de medicamentos é fundamental para a
segurança e eficácia dos tratamentos. Ela envolve a orientação detalhada de um
médico sobre quais medicamentos um paciente deve tomar, em que dose, com que
frequência e por quanto tempo.”
“Um
médico cursa a faculdade por seis anos e, depois, de três a seis anos de
residência para se formar e poder estabelecer o diagnóstico e a terapêutica com
segurança. Esta segurança vem com a história clínica inicial seguida de um
minucioso exame físico. Mesmo assim, muitas vezes, é necessário a solicitação
de exames complementares para que a prescrição possa ser feita após um
diagnóstico adequado.”
“A
Associação Paulista de Medicina e a Associação Médica Brasileira (AMB) estão
atentas para denunciar prejuízos que os pacientes possam vir a sofrer com essas
irresponsáveis resoluções”, concluiu a entidade.
<><>
Entenda
O
plenário do CFF aprovou, no dia 20 de fevereiro deste ano, uma resolução que
respalda oficialmente o profissional farmacêutico a prescrever medicamentos
categorizados como tarjados. No início desta semana, a resolução foi publicada
no Diário Oficial da União e entra em vigor em 30 dias.
Em
nota, o conselhoinformou que o direito à prescrição de medicamentos foi
conquistado pela categoria há 12 anos. “A prescrição farmacêutica é respaldada
pela Lei Federal nº 13.021 de 2014, que determina que o farmacêutico tem a
obrigação de estabelecer o perfil farmacoterapêutico dos pacientes, além do
próprio acompanhamento farmacoterapêutico.”
Para o
CFF, a resolução aprovada e publicada este ano não traz “nenhuma novidade” em
relação à prescrição em si.
“O que
o Conselho Federal de Farmácia fez foi aprimorar os instrumentos normativos
para a fiscalização e garantir maior segurança para pacientes e profissionais.”
Segundo
a entidade, a norma vincula a prescrição farmacêutica ao Registro de
Qualificação de Especialista (RQE), mecanismo aprovado em 2025 e recém-adotado
pelo CFF para assegurar que os farmacêuticos atuem de acordo com sua formação e
especialização.
“Agora,
a sociedade vai poder consultar quais farmacêuticos são prescritores
diretamente no site do CFF, melhorando substancialmente a fiscalização e
promovendo o melhor cuidado em saúde.”
Em
comunicado, o Conselho de Federal de Farmácia destaca que o profissional
farmacêutico não pode prescrever todo tipo de medicamento e que sua atuação é
limitada à prescrição daqueles que são isentos de prescrição e tarjados,
“mediante protocolos ou diretrizes preestabelecidos”.
“Isso
garante segurança para a sociedade, pois, diferentemente de outras categorias
profissionais que têm liberdade prescritiva (podendo recomendar tratamentos de
eficácia questionável como cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina para
covid-19 ou ainda medicamentos sem indicação, com doses e/ou posologias fora do
padrão), os farmacêuticos somente podem prescrever baseados nas evidências
científicas mais robustas.”
“Além
disso, os farmacêuticos não podem prescrever medicamentos que possuem
notificação de receita, como os chamados tarja preta. Ou seja, nenhuma
prescrição feita por um farmacêutico será baseada em achismo ou interesses
comerciais, mas, sim, na melhor ciência disponível”, completou a entidade.
<><>
Críticas
Ao
rebater alegações de que a resolução banaliza o cuidado em saúde, o conselho
avalia que o documento apenas “organiza” a prescrição farmacêutica, “garantindo
que os farmacêuticos atuem dentro de protocolos clínicos bem estabelecidos e
embasados na melhor evidência científica disponível”.
“Nenhuma
outra categoria profissional tem motivos para se sentir atingida, pois a norma
trata exclusivamente da atuação dos farmacêuticos dentro de suas competências
definidas em lei federal.”
“É
fundamental esclarecer que o farmacêutico realiza consultas farmacêuticas, que
possuem objetivos distintos dos demais tipos de consulta e não invadem a
atuação de nenhum outro profissional. O papel do farmacêutico é garantir que o
uso de medicamentos seja seguro, eficaz e apropriado, atuando em equipe com
outros profissionais de saúde. O paciente só tem a ganhar com isso.”
Fonte:
CNN Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário