Advogados de multinacionais teriam ajudado a elaborar “decretaço” de
Milei que desregula a economia
Advogados que representam empresários de grupos
transnacionais da Argentina supostamente estiveram envolvidos na criação do
Decreto de Necessidade e Urgência (DNU), conhecido como “plano Motoserra”,
promulgado pelo governo do presidente ultradireitista Javier Milei.
O “decretaço”, que alterou ou anulou 366 leis no
país, resultou na desvalorização do peso em relação ao dólar, na eliminação de
subsídios para setores vitais, na redução de repasses para províncias e teve um
impacto severo, especialmente na população mais desfavorecida.
A informação de que advogados representando os
empresários transnacionais contribuíram na elaboração foi divulgada por Nicolás
Balinotti, editor de política do La Nacion, e detalhada pelo site La Política
Online.
De acordo com a mídia argentina, grandes
escritórios de advocacia vinculados aos magnatas Paolo Rocca, Eduardo
Eurnekian, Eduardo Elsztain e Marcos Galperín teriam redigido o decreto que
desregulamentou a economia para o governo fascista de Milei.
Da mesma forma que aconteceu no Brasil com
Bolsonaro, os quatro megaempresários possuem laços principalmente nos segmentos
da construção civil, sistema financeiro e agronegócio. Além disso, Galperín é
proprietário do Mercado Livre.
Os escritórios seriam o Bomchill, Mairal e Bruchou
& Funes de Rioja, com supostos laços extensos com empresas diretamente
beneficiadas pelo decreto de Milei.
Vale destacar que, se essa informação for
confirmada, o decreto poderia ser considerado nulo, visto que os departamentos
jurídicos do governo, responsáveis constitucionalmente pela redação dos
regulamentos, aparentemente não estiveram envolvidos, de acordo com a imprensa
argentina.
<<<< Quem são os empresários?
>>> Paolo Rocca
Empresário ítalo-argentino, ele é o CEO da Techint,
conglomerado atuante nos segmentos de engenharia, construção e energia.
Reconhecido como um dos principais interessados na política de privatizações.
>>> Eduardo Elsztain
Empresário judeu, ele tem presença no setor
financeiro através da Irsa e Banco Hipotecario, além de atuar na área
agropecuária com extensões no Brasil. Ele é co-fundador da Endeavor Argentina e
apoiou financeiramente a campanha de Milei.
>>> Eduardo Eurnekián
Empresário de origem armênia e presidente da
Corporación América, ele é líder em concessão de aeroportos e terminais de
cargas, além de participar da privatização de setores de energia e
infraestrutura, com ramificações no sistema bancário e agroindústria.
Além disso, Eurnekián contribuiu para a formação da
equipe econômica de Milei e esteve com o presidente argentino um dia após o
decreto.
>>> Marcos Galperín
Herdeiro da Sadesa, conglomerado pecuário e um dos
maiores grupos de curtumes do mundo, ganhou destaque como fundador e presidente
do Mercado Livre, plataforma de vendas online.
Em 2020, ele foi acusado de fraude contra a
administração pública, acusação relacionada ao uso de informação privilegiada
na venda de letras do Tesouro Argentino. Poucos dias depois, ele se afastou da
presidência do Mercado Livre.
Galperín também celebrou o DNU afirmando que “eles
mentiram para você durante 80 anos e ontem contaram toda a verdade em 10
minutos”.
• Justiça
argentina aceita ação coletiva contra 'decretaço' polêmico de Javier Milei
Neste sábado (23) a Justiça da Argentina admitiu
ação coletiva de organizações civis para declarar inconstitucional o texto de
decreto do novo presidente argentino, Javier Milei.
O governo do país sul-americano está no centro de
controvérsia após o recém-eleito líder anunciar polêmico Decreto de Necessidade
e Urgência (DNU) na quarta-feira (20).
As medidas propostas visam desregular a economia do
país, modificando ou revogando mais de 350 normas em áreas que vão desde o
serviço de Internet via satélite até a medicina privada, incluindo
flexibilizações trabalhistas.
Organizações e centrais sindicais programaram
manifestação para a próxima quarta-feira (27), visando entregar à Justiça
pedido de contestação do decreto e uma ação para suspender todos os seus
efeitos. O Ministério Público Federal terá que responder às contestações,
podendo o processo chegar até a Suprema Corte da Argentina.
Nesta sexta-feira (22), o governo convocou o
parlamento para sessões extraordinárias, buscando debater as reformas propostas
por Milei, que deverão ocorrer entre 26 de dezembro e 31 de janeiro.
As medidas desencadearam vários protestos ao longo
da semana, com diversos setores da sociedade expressando sua insatisfação.
Vale ressaltar que o Congresso terá a prerrogativa
de aprovar ou rejeitar o texto integralmente, sem a possibilidade de debater
detalhes específicos do conteúdo.
A situação econômica da Argentina, marcada por uma
das piores crises de sua história recente, com 40% da população vivendo na
pobreza e uma inflação anual que ultrapassou os 140%, adiciona um contexto
desafiador às reformas propostas por Milei.
O presidente argumenta que o corte de gastos
públicos será necessário para enfrentar a crise, equivalendo a 5% do Produto
Interno Bruto (PIB) do país.
Ø Milei diz
que Elon Musk e EUA estão interessados nas reservas de lítio da Argentina
O presidente argentino, Javier Milei, disse que o
empresário Elon Musk e o governo dos EUA manifestaram interesse nas reservas de
lítio do país.
"Recebi um telefonema de Elon Musk. Ele está
muito interessado no lítio, assim como o governo dos EUA e muitas empresas
norte-americanas. Mas eles precisam de uma estrutura legal para garantir que os
direitos de propriedade sejam respeitados", disse Milei em um programa de
televisão no Canal 13 no sábado (23).
A Argentina, o Chile e a Bolívia possuem 56% das
reservas globais de lítio, sendo que a Argentina e o Chile são responsáveis por
cerca de 32% de sua produção global, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA.
Javier Milei foi empossado como presidente da
Argentina no dia 10 de dezembro, após sua vitória no segundo turno das eleições
de 19 de novembro contra o ex-ministro da Economia argentino, Sergio Massa.
Após assumir o cargo, Milei introduziu uma série de reformas radicais para
resolver os problemas econômicos do país, que têm causado o descontentamento de
grande parte da população.
Na quarta-feira (20), Milei disse que assinou um
decreto para mais de 300 reformas para liberalizar a economia do país. O
decreto está programado para ser revisado pelo parlamento argentino na próxima
terça-feira (26).
Ø Argentina
cobrará de manifestantes R$ 360 mil por custos com policiais
O governo do novo presidente da Argentina, Javier
Milei, informou nesta sexta-feira que vai enviar a fatura dos gastos com
seguranças aos responsáveis pelas manifestações da última quarta-feira (20). Ao
todo, 14 organizações foram identificadas como responsáveis pelos atos nas ruas
de Buenos Aires, e deverão arcar com a dívida de 60 milhões de pesos, o
que equivale à cerca de R$ 360 mil. A informação foi dada pelo porta-voz
da Casa Rosada, Manuel Adorni, nesta sexta-feira (22).
As manifestações da última quarta-feira (20) surgem
após o primeiro anúncio do novo protocolo do Ministério de Segurança, que traz
medidas contra piquetes.
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Segundo Adorni, o governo ainda entrou com uma
denúncia judicial contra as organizações, pelos supostos crimes de extorsão e
fraude em relação à gestão dos programas sociais. De acordo com o porta-voz, a
denúncia é resultado de chamadas recebidas pelo Disque-Denúncia.
A ministra da Segurança da Argentina, Patricia
Bullrich, confirmou em um ofício as informações dadas por Adorni.
Entretanto, entre as organizações citadas por
Adorni está o Movimento Evita, uma entidade peronista que não participou dos
protestos. Os atos contra o governo Milei foram convocados por organizações
de esquerda, sindicatos e direitos humanos.
O Movimento Bairros de Pé também foi citado pelo
porta-voz, mas afirmou à imprensa que não estavam na marcha. O assessor de
imprensa, Javier Nunez, diz que "[o governo] não sabe usar a
inteligência". Ele ainda acrescenta que não foram notificados até o
momento.
Para a deputada da Frente de Esquerda Myriam
Bregman, a ministra da Segurança montou "um operativo tão desnecessário
como abusivo". "É irracional que agora as organizações devam pagar
seu show macabro", disse a parlamentar que foi candidata à presidência
nessas eleições.
Na ocasião, o policiamento nas ruas foram
reforçados, com placas e serviços de alto-falante nas estações de trem na
capital argentina. Os avisos relembravam a campanha de repressão contra
manifestações.
A ministra do Capital Humano, Sandra
Pettovello, já havia informado na última segunda-feira (18) que a pasta iria
cortar os benefícios de quem estivesse em atos que bloqueavam as ruas.
Fonte: DCM/Sputnik Brasil/iG

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