Trump
vira peça-chave no tabuleiro da corrida eleitoral brasileira
A
quatro meses da eleição presidencial, pelo menos quatro grandes temas despontam
como centrais para a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os
candidatos de oposição: a relação entre Brasil e Estados Unidos após o novo
tarifaço anunciado por Washington; a segurança pública e o avanço das facções
criminosas, tema em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também
tentou interferir recentemente; a economia em meio às discussões sobre a crise
fiscal; e a condição das mulheres.
Para
especialistas, a intersecção desses assuntos pode ser decisiva para a formação
do voto nos próximos meses. O impacto das medidas tarifárias adotadas pelos
Estados Unidos abriu uma frente inédita de debate eleitoral. O episódio
anunciado na semana passada colocou a política externa no centro da campanha e
passou a ser explorado por ambos os campos políticos.
O
cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), destaca
que fatores externos podem influenciar diretamente o processo eleitoral
brasileiro. "Pela primeira vez em muitos anos, a disputa presidencial
corre o risco de ser influenciada de maneira significativa por uma decisão
tomada fora do país. Donald Trump surge como uma das variáveis mais
imprevisíveis do processo eleitoral brasileiro."
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Crime organizado
A
expansão das organizações criminosas e a crescente percepção de insegurança
também devem protagonizar o embate eleitoral. o cientista político Márcio
Coimbra, CEO da Casa Política, avalia que a classificação de facções
brasileiras como organizações terroristas internacionais pelos Estados Unidos
fortaleceu o discurso oposicionista em defesa de medidas mais duras de combate
ao crime.
Já
Medeiros observa que o tema historicamente beneficia candidaturas
conservadoras. "A expansão das facções criminosas e o aumento da percepção
de insegurança criam um ambiente propício para discursos mais duros e
punitivistas. É um tema que historicamente favorece a direita e coloca governos
de esquerda na defensiva". Para o economista e professor da UnB César
Bergo, a segurança tende a permanecer como uma pauta transversal, envolvendo
desde o combate ao crime organizado até o debate sobre fronteiras, milícias e
ambiente digital.
Em meio
às interferências do presidente Donald Trump, os presidenciáveis Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO) se
encontraram na última terça-feira, durante a abertura da 21ª edição da
Megaleite, em Belo Horizonte (MG), e defenderam a união da direita contra o PT
para impedir a reeleição de Lula em outubro.
Dias
antes, Flávio havia agradecido a decisão de Washington. No documento enviado ao
secretário de Estado Marco Rubio, ele afirmou que a medida dos EUA foi recebida
com entusiasmo pela maioria da população brasileira, embora, segundo ele, não
tenha agradado ao atual governo federal.
"A
esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou essa medida, ainda que ela não
tenha agradado ao nosso governo atual. Trata-se de um passo decisivo para
proteger cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério", escreveu, sem
mostrar dados que embasassem as afirmações.
Já o
líder petista declarou estar "muito triste" com a decisão dos EUA.
Ele destacou que o PCC e o CV são de fato "terroristas para as comunidades
brasileiras", mas "não são os terroristas que o Trump quer".
"Ele quer o Osama Bin Laden de não sei das quantas, e nós queremos os
terroristas brasileiros que estão lá", emendou durante o anúncio de
investimentos da Petrobras em Sergipe na última semana.
Com
nova equipe na Esplanada, Lula fez na quarta-feira a primeira reunião
ministerial após a decisão dos EUA. No encontro, o petista cobrou maior
alinhamento entre os auxiliares e pediu que divulguem ações de outras pastas e
não só das próprias, visando o quarto mandato. Na ocasião, também rebateu as
declarações feitas por Flávio sobre segurança pública, relações com os Estados
Unidos e a atuação do governo federal no combate ao crime organizado.
Caiado,
ex-governador de Goiás, afirmou, por sua vez, que, se eleito, enviará ao
Congresso Nacional uma proposta para identificar facções criminosas brasileiras
como organizações terroristas. Segundo o político, a mudança na tipificação
jurídica tem como objetivo permitir o emprego das Forças Armadas no combate
direto a grupos como o Comando Vermelho e o PCC.
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Economia
No
campo econômico, a disputa opõe duas leituras distintas sobre o papel do Estado
na recuperação da atividade econômica. Enquanto o governo aposta em medidas de
estímulo ao crédito e ao consumo, a oposição insiste na necessidade de maior
rigor fiscal e controle dos gastos públicos.
César
Bergo aponta que governo e oposição enfrentam dificuldades para convencer o
eleitorado sobre a capacidade de resolver os problemas fiscais do país.
"Nenhum dos dois mostra eficiência nesse cenário. Ambos tentam alinhar o
discurso com uma gestão mais responsável, mas o eleitor vai avaliar quem
apresentar uma proposta mais convincente."
Segundo
o ex-governador de Minas Romeu Zema, caso seja eleito presidente, seu governo
terá foco na economia, na segurança pública e na descentralização do poder de
decisão de Brasília, promessa feita por todos os candidatos até o momento e que
representa uma constante reclamação dos prefeitos.
Bergo
observa, ainda, que a ausência de uma terceira via competitiva reforça a
dinâmica polarizada. "De um lado, você tem um discurso mais social, com
presença mais vigorosa do Estado na economia, políticas assistenciais e
multilateralismo. Do outro, a busca pelo liberalismo, redução do Estado,
empreendedorismo e uma diplomacia mais voltada para os Estados Unidos",
resume.
Segundo
Coimbra, o Planalto busca impulsionar a economia por meio de subsídios e
incentivos financeiros, enquanto adversários defendem uma agenda mais austera
diante das pressões fiscais. Medeiros pondera que o resultado eleitoral
dependerá, sim, dos indicadores oficiais, mas não tanto quanto da percepção
cotidiana dos brasileiros. "O eleitor vai ser impactado menos pelos
indicadores macroeconômicos e mais pelos preços dos supermercados, da conta de
luz e do orçamento doméstico."
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Mulheres
Nesse
contexto, a campanha tende a se concentrar em temas capazes de influenciar
diretamente o cotidiano dos eleitores, especialmente custo de vida, segurança e
emprego. Murilo Medeiros enfatiza que "no centro dessa disputa está o
custo de vida das famílias, que será o indicador fiel da balança capaz de
impactar o humor do eleitorado e, principalmente, os rumos do voto
feminino."
Área
decisiva, o eleitorado feminino aparece como um dos segmentos mais estratégicos
da campanha. Na avaliação do analista Márcio Coimbra, o governo tenta associar
pautas trabalhistas e sociais à melhoria das condições de vida das mulheres,
especialmente entre trabalhadoras de baixa renda. "O Planalto encontrou um
forte vetor de contra-ataque ao pautar a condição das mulheres por meio do
apelo popular pela aprovação do fim da escala 6x1, conectando o tema à jornada
dupla feminina e à defesa dos direitos sociais", afirma.
Murilo
Medeiros lembra que a rejeição feminina teve papel decisivo nas eleições
anteriores e pode novamente influenciar o resultado. "A rejeição feminina
costuma ser um indicador central nas eleições presidenciais. Se Lula conseguir
recuperar parte das eleitoras de baixa renda e das periferias, amplia suas
chances de vitória. Se a oposição reduzir a vantagem petista entre as mulheres,
o cenário eleitoral se torna muito mais competitivo."
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Visões distintas sobre o papel do Estado
A
polarização política volta a dominar o cenário nacional. De um lado, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca a reeleição defendendo um modelo de
desenvolvimento baseado na ampliação dos investimentos públicos, fortalecimento
dos programas sociais e atuação internacional voltada ao multilateralismo. Do
outro, os principais nomes da oposição apostam em uma agenda de austeridade
fiscal — uma política econômica de contenção de gastos e equilíbrio das contas
públicas —, redução do tamanho do Estado, privatizações e aproximação mais
estreita com os Estados Unidos.
Para
analistas, a campanha caminha para um embate que ultrapassa a disputa
tradicional de propostas e se transforma em uma escolha entre visões distintas
sobre o papel do Estado, a condução da economia e as prioridades do país.
"As divergências estruturais entre o presidente Lula e os candidatos de
oposição delineiam um debate que vai muito além da tradicional disputa de
propostas, consolidando-se em visões de Estado colidentes", afirma o
cientista político Márcio Coimbra, CEO da Casa Política.
Segundo
Coimbra, o campo governista sustenta a centralidade do investimento público e
das políticas sociais como instrumentos de desenvolvimento, enquanto a
oposição, representada por lideranças conservadoras e de centro-direita, aposta
em um discurso de choque de gestão, responsabilidade fiscal e liberalização
econômica.
O
cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), avalia
que o pleito de outubro tende a ser apertado. "A disputa promete ser
acirrada e definida por margens estreitas", diz. Na avaliação dele, cada
lado possui temas nos quais encontra maior capacidade de mobilização eleitoral.
"Lula encontra terreno favorável quando monopoliza o debate em torno da
soberania nacional e do confronto com Trump. A oposição, por sua vez, ganha
força popular quando a pauta é segurança pública e criminalidade."
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Jogo de empurra
Segundo
Márcio Coimbra, a oposição utiliza as sanções norte-americanas para apresentar
o governo como internacionalmente isolado, enquanto o Planalto tenta
transformar o episódio em uma discussão sobre soberania nacional. "O
embate sobre o tarifaço e a relação Brasil-EUA atuam como o estopim de uma
crise de percepção internacional. Enquanto a oposição usa as sanções para
carimbar o governo como ideologicamente isolado e ineficaz, o Planalto tenta
reverter o golpe adotando um tom de soberania ferida contra o protecionismo
americano", explica.
O
petista pediu novamente, na última semana, que o Senado Federal aprove a
proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública (PEC 18/2025). O
texto foi aprovado em dois turnos pela Câmara dos Deputados em março de 2026 e,
atualmente, tramita na Casa revisora. Assim que a emenda for aprovada e
promulgada, o presidente pretende criar um Ministério da Segurança Pública
específico para coordenar as ações.
¨ O pix e o tormento
mental dos bolsonaristas. Por Jair de Souza
É
impossível negar a realidade visível: o pix se tornou um enorme tormento para a
cúpula dirigente da extrema direita bolsonarista. Contudo, antes de explicar os
motivos que estão por trás do atual pânico que acomete os bolsonaristas, convém
fazer uma breve retrospectiva sobre o surgimento deste inovador sistema de
pagamentos e sua evolução até os dias atuais.
Sua
origem se remonta ao ano 2013, quando, em pleno governo de Dilma Rousseff, os
técnicos do Banco Central começaram a desenvolver estudos para um projeto que
visava agilizar os processos de compensações financeiras em nosso país.
As
equipes técnicas do Banco Central continuaram avançando em seu trabalho mesmo
após o golpe parlamentar que destituiu Dilma Rousseff e instalou Michel Temer
na presidência. Em 2020, já no governo dirigido por Jair Bolsonaro, o pix
entrou oficialmente em função e passou a ser adotado em todo nosso sistema
bancário.
A
dúvida colocada é saber a qual governante atribuir o mérito pela criação do
pix, visto que sua projeção teve início no exercício de Dilma, avançou no
período da usurpação de Temer e se efetivou na administração Bolsonaro. Em
resposta, poderíamos dizer que a todos eles, e a nenhum deles. É que todo o
trabalho sempre partiu e foi feito de forma autônoma pelas próprias equipes
técnicas do Banco Central, sem nenhuma participação direta dos governantes de
turno. A estes, resta o mérito de não haver colocado entraves que
inviabilizassem a concretização do projeto.
Se, até
pouco tempo atrás, os bolsonaristas queriam de todas as maneiras serem
reconhecidos como os criadores do pix, agora isto lhes está tirando o sono. A
razão para tal é mais ou menos simples de entender. O pix veio a representar um
golpe muito forte contra os interesses dos mega oligopólios financeiros dos
Estados Unidos, como Visa e Mastercard. Isto se deve a que, com o significativo
crescimento da preferência do público brasileiro pelo uso do pix em todas as
suas transações, os grupos financeiros gringos estão deixando de ganhar
centenas de bilhões de reais.
E por
que isto incomodaria aos bolsonaristas? Bem, o motivo também não é de difícil
compreensão. Basta que tenhamos sempre em mente que o bolsonarismo é um
movimento de extrema direita que foi criado sob a tutela absoluta de seus
mentores estadunidenses. Então, como quem comanda a luta das corporações
gringas contra o pix é seu principal orientador político a nível mundial,
aquele a quem todos os bolsonaristas veneram como a expressão máxima a ser
seguida e obedecida, ou seja, Donald Trump, aí, o bolsonarismo entrou em
paranoia.
Como
continuar querendo ganhar pontos junto ao povo brasileiro como os criadores do
pix, se isto causa terror ao grande líder que eles prometeram seguir sem
pestanejar? Este é o grande dilema que está transtornando a mente dos próceres
do bolsonarismo.
Se, de
fato, almejassem fazer valer suas reivindicações junto ao povo brasileiro de
que são os verdadeiros arquitetos e criadores do pix, deveriam estar na linha
de frente daqueles que estão gritando: “Trump, tire suas patas de nosso pix”.
Mas, agir assim seria equivalente a cometer suicídio, posto que a razão de ser
do bolsonarismo é zelar pela preservação dos grandes lucros do imperialismo
gringo no Brasil.
Portanto,
como havíamos dito no início, estamos em um momento de grandes tormentos
mentais para todos os que comandam as hostes do mais entreguista e submisso
movimento político que o imperialismo tem em nosso país. Aos que desejam
analisar a situação dentro de parâmetros do humanismo e da condescendência cabe
levar em conta o grande sofrimento mental pelo qual eles estão passando.
¨
Brasil quer convencer EUA de que acordo seria melhor que
taxar em 25%
O
governo brasileiro está buscando um acordo tarifário com os Estados Unidos
(EUA) que seja capaz de evitar que a Casa Branca adote a recomendação do
Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que sugeriu a
imposição de tarifa adicional de 25% sobre parte das importações oriundas
do Brasil.
O
governo avalia que é possível, apesar de difícil, chegar a um acordo tarifário
que seja mais vantajoso, para ambos os países, do que a sobretaxa de 25%
sugerida pelo USTR. Isso porque, entre outros motivos, os EUA têm superávit
comercial com o Brasil.
A
recomendação da USTR, tornada pública na última semana, é resultado de uma
investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O argumento usado
é que o Brasil teria práticas “desleais” nas relações comerciais, o que
incluiu ataques contra o Pix para favorecer empresas de pagamento
estadunidenses.
O
Brasil rebateu que os argumentos não são legítimos e que a decisão
parte de uma tentativa de ingerência em assuntos internos, além de expressar o
protecionismo comercial unilateral de Washington.
O
governo vem questionando as tarifas adicionais dos EUA com o argumento de que a
tarifa média aplicada pelo Brasil sobre as importações dos EUA é de 2,7%, o que
não justificaria o argumento de que as empresas norte-americanas seriam
prejudicadas no acesso ao mercado brasileiro.
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Novo prazo
O
Brasil agora trabalha com o prazo de 15 de julho para fechar um acordo
tarifário. Essa foi a data fixada pela USTR para uma definição sobre o tema.
Tal prazo ainda poderia, em tese, ser prorrogado.
Com
isso, os negociadores brasileiros esperam ter mais tempo para um acordo, uma
vez que o prazo inicial estipulado após a reunião entre os presidentes Luiz
Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Washington, no mês passado, foi de 30
dias que terminam neste domingo (7).
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Dificuldades das negociações
Entre
as dificuldades da negociação, está o fato de os EUA estarem envolvidos em
várias outras negociações tarifárias ao redor do mundo, além do conflito bélico
que lidera no Oriente Médio contra o Irã.
Enquanto
isso, o governo brasileiro avalia a conveniência de um novo encontro de Trump e
Lula. Existe a possibilidade de os dois se encontrarem no G7, na França, entre
os dias 15 a 17 de junho. Porém, não há ainda confirmação de um encontro
bilateral.
Outra
dificuldade para negociar com os EUA é que os norte-americanos costumam ter
demandas muito amplas, o que abarcaria diversas reinvindicações em diferentes
áreas.
Porém,
por enquanto, o Brasil busca um acordo especificamente sobre questões
tarifárias e comerciais, sem outras pautas que poderiam interessar os
norte-americanos, como terras raras. Ao mesmo tempo, o governo afirma que o Pix
não entra em qualquer negociação com Washington.
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A tarifa de 12,5%
Por
outro lado, a taxação adicional de 10% ou 12,5% imposta a 60 países sob o
argumento de que essas nações não combateriam, de forma eficiente, o trabalho
análogo à escravidão é vista pelo governo brasileira como feita para não ser
negociada.
Como é
uma taxação imposta a boa parte do planeta, ela teria mais o objetivo de
recompor, sob novas bases legais e argumentativas, o tarifaço anterior
derrubado pela Suprema Corte de Justiça dos EUA.
A nova
taxa afeta, além do Brasil, os aliados históricos de Washington, como Japão,
União Europeia, Canadá e Índia, além da Argentina, presidida
por Javier Milei, que tem se posicionado sempre ao lado de Donald Trump
nas questões internacionais.
Fonte:
Correio Braziliense/ICL Notícias

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