Os
impactos da decisão da UE de barrar a carne brasileira
Alegando
descumprimento de normas sanitárias do bloco, a União Europeia (UE) confirmou
nesta sexta-feira (05/06) o veto à importação de carne de boi e frango, peixe,
frutos do mar e mel produzidos no Brasil a partir de 3 de setembro.
Anunciada
há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo
comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da
lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco
europeu foi confirmada em publicação no Diário Oficial da UE.
Segundo
a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores não
utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, alguns tipos de medicamentos
antimicrobianos que, pelas regras do bloco, devem ser reservados para uso
exclusivo no tratamento de infecções em humanos.
O
Brasil foi o único país retirado da lista por este motivo. Os demais países do
Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) que assinaram um acordo comercial com
a UE permanecem autorizados a exportar carne.
À época
do anúncio do veto, o governo brasileiro se declarou surpreso com a medida, e
disse que atuaria para reverter a decisão.
O prazo
de 3 de setembro de 2026, contudo, já era conhecido pelo governo desde outubro
de 2024.
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Qual o impacto para o Brasil?
A
decisão da UE não tem um impacto imediato, pois entra em vigor em 3 de
setembro. No momento não há qualquer proibição em vigor, e o Brasil continua
exportando carne e outros produtos de origem animal para a UE.
Se não
for revertida até a data limite, a decisão significaria uma perda anual de
cerca de 1,8 bilhão de dólares para os exportadores brasileiros, segundo
números do Ministério da Agricultura.
Isso
não significa que haveria uma queda no preço das carnes para os brasileiros,
pois os exportadores podem redirecionar a carne destinada à exportação para um
outro país – a UE não é nem de longe o principal destino.
Além da
carne bovina, o principal produto de origem animal que o Brasil exporta para a
UE, a medida pode afetar exportações de aves, ovos, mel, peixes, equinos e
produtos derivados de origem animal.
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Qual a importância da UE?
Segundo
a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a União
Europeia foi o quarto maior destino da carne bovina brasileira em 2025, com
128,9 mil toneladas, num valor total de 1,06 bilhão de dólares. Quase metade do
que o Brasil exporta vai para a China, e o segundo maior comprador são os
Estados Unidos.
Em
2025, a China respondeu por 48% do volume total exportado, com 1,68 milhão de
toneladas, que somaram 8,90 bilhões de dólares. Em seguida vêm os Estados
Unidos, com 271,8 mil toneladas e 1,64 bilhão de dólares.
Já na
carne de frango, a União Europeia foi apenas o oitavo maior comprador em 2025,
com 233 mil toneladas exportadas, segundo a Associação Brasileira de Proteína
Animal (ABPA), num total de 302 milhões de dólares. O ranking é liderado pelos
Emirados Árabes Unidos, que importaram 479,9 mil toneladas.
A UE é
o décimo destino de ovos brasileiros, com 301 toneladas, segundo a ABPA. Apenas
1% da produção brasileira de ovos é destinada ao exterior.
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Qual a reclamação da UE?
A UE
não reclamou que a carne brasileira esteja contaminada. O bloco europeu afirmou
ter adotado a medida porque o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre
o controle do uso de antimicrobianos na pecuária.
A
questão é regulatória e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e
comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
A UE
considera que o Brasil ainda não demonstrou de forma suficiente que essas
substâncias deixaram de ser usadas ao longo de toda a cadeia produtiva animal
destinada à exportação.
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O que são os antimicrobianos de que a UE reclama?
Antimicrobianos
são medicamentos usados para combater microrganismos como bactérias, vírus,
fungos e parasitas. Na pecuária, essas substâncias podem servir tanto para
tratar doenças quanto para estimular o crescimento dos animais e aumentar a
produtividade.
A União
Europeia proíbe especialmente o uso de antimicrobianos que também são
importantes para tratamentos médicos em humanos. O objetivo é evitar a chamada
resistência antimicrobiana, situação em que bactérias passam a resistir aos
medicamentos.
Entre
os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina,
avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
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Dá para reverter?
Sim,
para voltar à lista de países autorizados a exportar para a UE, "o Brasil
deve garantir o cumprimento dos requisitos relativos à utilização de
antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais dos quais provêm os
produtos exportados", afirmou uma porta-voz da Comissão Europeia à agência
de notícias Lusa no início de maio.
"Assim
que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as
exportações", disse. Ela acrescentou que a Comissão Europeia tem
colaborado estreitamente com as autoridades brasileiras sobre essa questão.
O
Brasil tem dois caminhos para reverter a situação: ampliar as restrições legais
aos medicamentos restantes ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade
para provar que os produtos exportados não utilizam essas substâncias.
A
segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento
detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos
maiores para produtores e frigoríficos.
Em
maio, a ABPA declarou que o Brasil já cumpre todos os requisitos da União
Europeia, inclusive os sobre antimicrobianos, e que vai demonstrar isso às
autoridades sanitárias europeias. Já a Abiec afirmou que a carne bovina
brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais
mercados internacionais, "com rígidos controles oficiais, sistemas de
rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
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A UE já proibiu a carne brasileira antes?
Sim,
várias vezes. Em 2008, por exemplo, a UE decretou um embargo à carne bovina,
alegando que o Brasil havia deixado de introduzir medidas mais rigorosas
relativas à segurança de alimentos.
Em
2017, a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, provocou turbulências no
mercado interno e de exportação de carne. A UE e vários países impuseram
restrições parciais ou totais às importações do produto.
• União Europeia fecha mercado para carnes
brasileiras
A União
Europeia (UE) oficializou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a
exportar carnes, peixe, mel e tripas para os 27 países do bloco. A medida, que
entra em vigor em 3 de setembro, foi confirmada em regulamento publicado na
sexta-feira (5/6) no Diário Oficial da UE e representa um novo capítulo das
disputas sanitárias e comerciais entre brasileiros e europeus.
A
decisão havia sido anunciada preliminarmente há quase um mês, poucos dias após
a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e UE. Agora,
com a publicação oficial do regulamento, o veto torna-se definitivo, ao menos
até que o Brasil consiga atender às exigências sanitárias impostas pelo bloco.
Segundo
a Comissão Europeia, o governo brasileiro ainda não apresentou garantias
suficientes de que os produtores nacionais cumprem integralmente as regras
europeias relativas ao uso de medicamentos antimicrobianos na produção animal.
As
exigências fazem parte da estratégia europeia de segurança alimentar e saúde
pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de
antibióticos e reduzir os riscos de resistência antimicrobiana. O regulamento
europeu restringe substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina,
espiramicina, avilamicina e bacitracina.
Em
abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos
utilizados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade dos animais.
Para os europeus, porém, a medida não foi suficiente para assegurar que toda a
cadeia produtiva destinada à exportação atenda aos requisitos estabelecidos
pelo bloco.
"A
Comissão não recebeu informações que garantam que o Brasil aplicou as medidas
necessárias para assegurar o cumprimento, até 3 de setembro de 2026, dos
requisitos estabelecidos no artigo 3º do Regulamento Delegado (UE) 2023/905
relativamente a estas categorias", afirma o documento publicado no Diário
Oficial da União Europeia.
"A
menção relativamente a bovinos, equídeos, aves de capoeira, aquicultura, mel e
tripas deverá, por conseguinte, ser suprimida no anexo do presente
regulamento", complementa o texto.
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Questão regulatória
A
decisão europeia não significa necessariamente que os produtos brasileiros
estejam contaminados por medicamentos ou representem risco imediato à saúde dos
consumidores. O principal ponto levantado é regulatório. O bloco exige
comprovação documental, sistemas de rastreabilidade e certificações capazes de
demonstrar que os animais exportados não receberam, em nenhuma etapa de sua
criação, substâncias proibidas pela legislação europeia.
Para
voltar à lista de países habilitados, o Brasil terá de comprovar o cumprimento
integral dessas exigências ao longo de todo o ciclo produtivo dos animais
destinados à exportação. Na prática, existem dois caminhos possíveis. O
primeiro seria ampliar ainda mais as restrições legais ao uso dos
antimicrobianos questionados pelos europeus.
O
segundo envolve a implementação de mecanismos mais rigorosos de
rastreabilidade, capazes de comprovar individualmente que os produtos
exportados não utilizaram as substâncias proibidas.
A
segunda alternativa é considerada mais complexa pelo setor produtivo, pois
exige monitoramento detalhado da cadeia pecuária, certificações adicionais e
aumento dos custos para produtores e frigoríficos. Apesar da exclusão do Brasil
da lista atual, a Comissão Europeia sinalizou que a decisão pode ser revista
futuramente caso as exigências sejam atendidas.
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Negociação continua
No fim
de maio, o governo brasileiro encaminhou informações adicionais às autoridades
europeias em uma tentativa de demonstrar conformidade com as exigências
sanitárias do bloco. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que as
negociações continuam e que o governo brasileiro segue trabalhando para
reverter a medida antes de sua entrada em vigor.
O
ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que o Brasil
enviará todas as respostas solicitadas pela Comissão Europeia no prazo
acordado. "O Brasil tem um sólido sistema de defesa agropecuária. Não por
acaso, somos o maior exportador de proteína animal do mundo e vendemos nossos
produtos para a União Europeia há mais de 40 anos", disse em nota.
O veto
à importação de carnes brasileiras preocupa os exportadores. A União Europeia é
um dos principais mercados para as proteínas animais do país e um dos destinos
de maior valor agregado para a carne bovina nacional.
Em
2025, o Brasil exportou US$ 1,8 bilhão em carnes bovina e de frango para o
bloco europeu, consolidando a UE como o segundo maior mercado para esses
produtos, atrás apenas da China, que importou US$ 9,8 bilhões no mesmo período.
A
decisão ocorre em um contexto de forte pressão de produtores rurais europeus,
especialmente na França e em outros países que demonstram resistência à
ampliação do acesso de produtos agropecuários sul-americanos ao mercado
europeu.
O
movimento ganhou força após a entrada em vigor provisória do acordo de
livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, em 1º de maio. O tratado ainda
enfrenta questionamentos e aguarda definições judiciais sobre sua validade
dentro do bloco europeu.
Representantes
do setor agropecuário brasileiro argumentam que as exigências sanitárias vêm
sendo utilizadas como barreiras não tarifárias ao comércio, embora a Comissão
Europeia sustente que as medidas estão relacionadas exclusivamente à proteção
da saúde pública e ao combate à resistência antimicrobiana.
Em
nota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec)
afirmou que o Brasil possui um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária
mais robustos do mundo. Segundo a entidade, a carne bovina brasileira atende
aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os
principais mercados internacionais, por meio de "rígidos controles
oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos
globalmente".
A
associação destaca ainda que o país mantém elevados padrões de fiscalização e
controle sanitário, compatíveis com as exigências dos principais importadores
mundiais de proteína animal.
• Medida da UE para barrar carne
brasileira tem validade a partir de 3 de setembro
Alegando
descumprimento de normas sanitárias do bloco, a União Europeia (UE) confirmou
nesta sexta-feira (05/06) o veto à importação de carne de boi e frango, peixe,
frutos do mar e mel produzidos no Brasil a partir de 3 de setembro.
Anunciada
há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo
comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da
lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco
europeu foi publicada no Diário Oficial da UE.
Segundo
a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores não
utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, alguns tipos de medicamentos
antimicrobianos que, pelas regras do bloco, devem ser reservados para
tratamento exclusivo de infecções em humanos.
A
medida, argumenta o bloco, "visa preservar a eficácia de certos
microbianos usados para tratar infecções em humanos, especialmente aqueles
considerados tratamentos de último recurso".
O temor
é de que o uso indiscriminado desses medicamentos em animais favoreça o
surgimento de superbactérias resistentes aos antibióticos disponíveis,
ameaçando a saúde humana.
O
Brasil foi o único país retirado da lista por este motivo. Os demais países do
Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) que assinaram um acordo comercial com
a UE permanecem autorizados a exportar carne.
Em
maio, representantes do setor pecuário brasileiro chegaram a sugerir que o veto
da UE à carne brasileira seria uma retaliação do agro europeu por causa do
acordo Mercosul-UE.
Antimicrobianos
são substâncias que inibem microrganismos como bactérias, vírus, fungos e
parasitas. Eles são usados para tratar e prevenir infecções em animais, mas em
alguns casos também aumentam a produtividade ao incentivar o crescimento dos
animais.
As
regras da UE integram a agenda "Uma Só Saúde" ("One
Health") do bloco para combater a resistência antimicrobiana e se aplicam
aos produtores europeus desde 2022. A lista de produtos restritos inclui
substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina,
avilamicina e bacitracina.
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UE é mercado importante para a pecuária brasileira
A União
Europeia é o segundo maior mercado para as proteínas animais brasileiras,
somando 1,8 bilhões de dólares (R$ 9,31 bilhões) em vendas ao ano, segundo
dados do Ministério da Agricultura e Pecuária. No caso da carne bovina, o bloco
europeu fica em terceiro lugar, atrás de China e Estados Unidos.
Em
abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos
comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade
animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
A
medida da UE não significa necessariamente que os produtores brasileiros façam
uso excessivo de medicamentos na criação de animais. O principal ponto da
decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária,
certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para
voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil
precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o
ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais
as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de
rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as
substâncias proibidas na Europa.
A
segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento
detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos
maiores para produtores e frigoríficos.
Segundo
o jornal Folha de S.Paulo, o Ministério da Agricultura já sabia desde março que
o Brasil "não tinha estrutura suficiente para atender às exigências
sanitárias impostas pelo bloco europeu sobre uso de antibióticos", por
falta de fiscalização oficial e independente.
O
governo brasileiro também sabia das exigências sanitárias da UE desde outubro
de 2024, quando o bloco deu prazo limite de 3 de setembro de 2026 para
cumprimento das regras.
À época
que a decisão da UE veio à tona, em maio, o governo brasileiro se disse
surpreso.
"Nossas
áreas técnicas estão trabalhando para dar essas garantias para os europeus,
para depois ser votado no âmbito da Comissão Europeia e nos comitês
específicos. Tenho bastante otimismo de que haverá compreensão pelo lado
europeu de que o Brasil é esse provedor seguro, estável e confiável",
disse o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da
Agricultura e Pecuária, Luis Rua, em entrevista à Folha publicada neste sábado.
Fonte:
DW Brasil/Correio Braziliense

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