terça-feira, 9 de junho de 2026

O temor de Trump de que nova troca de ataques entre Israel e Irã atrapalhe negociações entre EUA e iranianos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a advertir Israel para não retaliar ataques realizados pelo Irã — depois que os dois países voltaram a disparar um contra o outro pela primeira vez em dois meses.

Na avaliação da editora de América do Norte da BBC, Sarah Smith, Trump teme que retaliações israelenses contra o Irã atrapalhem as negociações entre americanos e iranianos pelo fim do conflito.

"Ataques israelenses estão sendo realizados apesar de o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ter sido instruído a não retaliar pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que já estava irritado com o fato de o premiê israelense ter ignorado seus alertas para não atacar Beirute (capital do Líbano)", analisa a editora.

Uma autoridade dos EUA citada pelo site de notícias Axios afirmou que Trump disse a Netanyahu para aguardar porque, em suas palavras, "estamos perto em termos de chegar a um acordo".

Trump instou o Irã a retornar à mesa de negociações após o lançamento de mísseis contra o norte de Israel. Em entrevista à emissora americana Fox News, Trump enviou um recado ao Irã: "Vocês lançaram seus mísseis. Isso já basta. Voltem à mesa de negociações e façam um acordo."

Mais tarde, ao Financial Times, Trump declarou que Netanyahu não teria outra escolha senão aceitar qualquer acordo que os EUA fecharem com o Irã.

"Ele não terá escolha", disse Trump ao jornal britânico por telefone. "Quem manda sou eu. Eu tomo todas as decisões. Ele [Netanyahu] não manda em nada."

Trump disse ao Financial Times que os mais recentes ataques no Oriente Médio não tiveram "nenhum impacto no acordo".

"Veremos como isso termina", disse Trump. "É uma daquelas coisas que já dura 3 mil anos, ou 47 anos, dependendo de como se conta."

Trump não negou relatos de que, na semana passada, em conversa por telefone com o premiê israelense, ele teria gritado e xingado Netanyahu usando palavrões devido à intensificação dos ataques israelenses ao Líbano.

Trump sugeriu que os EUA e Irã estão muito próximos de concluir um acordo — algo que ele já repetiu diversas vezes. O presidente dos EUA reiterou essa mensagem ao Canal 12 de Israel, dizendo que não queria ver "um ataque adicional esta noite", segundo o jornal Times of Israel.

"Os ataques iranianos não prejudicaram ninguém", disse Trump. "Cada um se divertiu. Israel teve seu ataque e o Irã teve o seu. Não precisamos de outro."

Ele acrescentou que ligaria para Netanyahu "agora mesmo e diria para ele não retaliar".

<><> Riscos para o cessar-fogo

Um cessar-fogo entre os EUA e o Irã entrou em vigor em 8 de abril. Israel apoiou o acordo, mas afirmou que ele "não inclui o Líbano".

Desde então, o frágil cessar-fogo tem sido testado e houve mensagens contraditórias sobre o progresso de um acordo entre os EUA e o Irã para pôr fim à guerra.

O Irã voltou a disparar contra Israel na manhã desta segunda-feira (08/06), após as forças armadas israelenses afirmarem que realizaram ataques contra alvos militares no centro e no oeste do Irã nas primeiras horas do dia.

Israel disse ter agido em retaliação a um ataque com mísseis iranianos contra o norte de Israel no domingo — que, por sua vez, teria sido uma resposta iraniana a ataques israelenses contra o Hezbollah em Beirute, onde pelo menos duas pessoas teriam sido mortas.

Esta foi a primeira vez que Israel atacou o Irã desde que o cessar-fogo entrou em vigor há exatamente dois meses, segundo a correspondente da BBC News no Oriente Médio, Yolande Knell. A mídia estatal iraniana relatou explosões em Teerã, Isfahan, Tabriz e Najafabad.

Na noite de domingo, mísseis iranianos foram disparados contra o norte de Israel — também pela primeira vez desde a trégua de abril. Foguetes iranianos foram lançados contra Jerusalém e o centro e o sul de Israel.

Em mais um sinal da escalada da tensão, na manhã desta segunda-feira um míssil também foi lançado contra Israel a partir do Iêmen — onde estão baseados os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã.

¨      Irã e Israel trocam ataques pela 1ª vez após cessar-fogo

As Forças de Defesa de Israel (FDI) comunicaram nesta segunda-feira (08/06) terem atacado "alvos militares" no oeste e centro do Irã, horas depois de Teerã lançar mísseis contra Israel como represália pelos ataques israelenses contra o grupo xiita Hezbollah no Líbano.

"A Força Aérea israelense atacou alvos militares (...) no oeste e centro do Irã", disseram as FDI numa breve mensagem em seu perfil na plataforma Telegram.

Já a agência de notícias iraniana Fars informou em suas redes sociais sobre explosões em áreas das cidades de Teerã, Isfahan e Tabriz.

A ofensiva israelense aconteceu após o lançamento no domingo, por parte do Irã, de várias salvas de mísseis contra Israel, de acordo com a rede de televisão estatal iraniana Irib, no primeiro ataque de Teerã a Tel Aviv desde o frágil cessar-fogo firmado em abril.

A emissora mostrou imagens de mísseis sobrevoando o céu na província de Kermanshah e de pessoas comemorando a nova ofensiva nas ruas. Citando as forças armadas iranianas, a TV afirmou que "se Israel responder aos ataques iranianos ou não parar seus ataques ao Líbano, os ataques iranianos continuarão". Um dos alvos visados foi a base aérea Ramat David, ao sul de Haifa.

<><> "Aviso" iraniano

A Guarda Revolucionária iraniana descreveu o ataque como um "aviso", alertando que se o conflito em larga escala for retomado, "as respostas serão mais amplas e incluirão todos os alvos americanos-sionistas na região".

O Exército de Israel disse que interceptou todos os mísseis vindos do Irã, mas alertou que "a defesa não é hermética". Múltiplas explosões foram ouvidas no norte de Israel, mas não houve comentário imediato do Hezbollah, que costuma visar a região. Não há relatos de feridos.

O Irã já havia antecipado que, se os ataques de Israel contra o Líbano continuassem ocorrendo, tomaria represálias, por considerar que o cessar-fogo que alcançou com os EUA em 8 de abril inclui o país árabe. Já as forças israelenses garantiram que interceptaram todos os mísseis lançados pelo Irã no domingo.

<><> Nova salva de mísseis iranianos

Nesta segunda-feira, as FDI afirmaram também que detectaram uma nova salva de mísseis lançados do Irã – a sexta desde o início da recente escalada dos combates, no dia anterior.

"Há pouco, as FDI identificaram mísseis lançados do Irã em direção ao território do Estado de Israel. Sistemas de defesa estão em operação para interceptar a ameaça", declararam as forças militares israelenses.

Esta mais recente escalada nos combates coloca em risco as negociações promovidas pelos Estados Unidos para conter a guerra no Oriente Médio.

Os mísseis iranianos foram lançados no domingo como retaliação o ataque israelense lançado horas antes contra dois edifícios na região suburbana do sul de Beirute conhecida como Dahiye, onde ao menos duas pessoas morreram e 20 ficaram feridas neste domingo. Israel alega que se tratou de uma operação contra um quartel do grupo xiita Hezbollah.

<><> Trump mostra irritação com Israel

O bombardeio de Israel a Beirute, feito sem aviso prévio, contrariou apelos do governo americano, que tenta negociar com o Irã. O regime em Teerã é aliado do Hezbollah, e tem condicionado um acordo de paz ao fim da ofensiva israelense no Líbano.

Israel, por sua vez, afirmou ter reagido em resposta a um ataque do Hezbollah ao norte de Israel mais cedo no mesmo dia.

A escala de tensões ocorre poucos dias após os governos do Líbano e de Israel concordarem com um cessar-fogo em negociações mediadas pelos Estados Unidos – o Hezbollah rejeitou o acordo. 

Após o Irã lançar seus mísseis, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse à emissora Fox News que gostaria de ver Teerã de volta à mesa de negociações. Ele também afirmou que o ataque de Israel ao Líbano mais cedo não foi coordenado com Washington. "Não estou feliz com isso", queixou-se sobre Tel Aviv.

Segundo o portal Axios, Trump falou com o presidente israelense Benjamin Netanyahu logo depois por telefone para pedir que não responda aos mísseis iranianos.

"Cada um deles teve sua diversão. Israel teve seu bombardeio, e o Irã teve seu bombardeio. Não precisamos de outro", disse, acrescentando que estaria "muito perto" de um acordo final com o Irã. "Não quero que vá pelos ares por causa do que está acontecendo agora."

<><> Explosões na Síria

"As forças dos EUA em todo o Oriente Médio permanecem vigilantes e prontas”, publicou o Comando Central dos EUA no X pouco antes dos lançamentos de mísseis iranianos.

Jornalistas da agência de notícias Associated Press relataram fortes explosões no céu sobre Damasco. A mídia estatal da Síria atribuiu os estrondos às defesas aéreas israelenses.

¨      'Seus dias estão contados' diz Irã a Israel; Trump pede a Netanyahu para 'não retaliar'

Após o início formal da ofensiva de Teerã contra Tel Aviv, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou neste domingo (7) que, caso haja ação militar por parte de Israel, haverá represálias.

"A República Islâmica do Irã adverte que qualquer agressão do regime sionista contra o Líbano [ou contra o Irã] receberá uma resposta esmagadora e abrangente por parte das corajosas Forças Armadas iranianas", destacou um comunicado divulgado pelo chanceler Abbas Araghchi.

Neste domingo (7), o Irã atacou Israel em resposta aos bombardeios contra Beirute por parte do governo de Banjamin Netanyahu, que rompeu a trégua no Líbano e atacou prédios em Dahieh, bairro localizado no subúrbio de Beirute, deixando duas pessoas mortas e mais de dez feridas, segundo as autoridades do país.

As medidas tomadas contra o território israelense se devem às "reiteradas violações do cessar-fogo de 10 de abril e às ações agressivas [de Tel Aviv] contra o Líbano e a República Islâmica do Irã, incluindo a cumplicidade com o Exército [dos Estados Unidos] nos ataques contra embarcações e alvos iranianos nas regiões meridionais do país durante as últimas duas semanas".

Ao ser informado sobre os ataques iranianos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou Teerã a retornar à mesa de negociações e alcançar um entendimento para pôr fim ao conflito.

Trump comentou em suas redes sociais que ligaria para Netanyahu para lhe dizer que não retaliasse: "Cada um teve sua vez. Israel fez seu ataque e o Irã fez o seu. Não precisamos de outro", declarou ele ao acrescentar que os ataques iranianos "não prejudicaram ninguém" e alertar que outra resposta israelense poderia prolongar a escalada.

<><> 'Seus dias estão contatos'

O aiatolá Mojtaba Khamenei publicou uma mensagem após o início da ofensiva iraniana contra Tel Aviv, desencadeada pelas ações militares israelenses no sul do Líbano. "Os dias do regime sionista cambaleante estão contados", escreveu ele.

Em 8 de abril, Washington e Teerã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas no conflito americano-israelense contra o Irã. As negociações posteriores realizadas em Islamabad, no Paquistão, terminaram sem acordo definitivo, embora os combates não tenham sido retomados oficialmente.

Ainda assim, os EUA passaram a impor um bloqueio aos portos iranianos, enquanto a trégua acabou sendo prorrogada.

¨      'Não terá escolha': premiê israelense terá que aceitar o acordo EUA-Irã, diz Trump

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu será obrigado a aceitar qualquer acordo dos EUA com o Irã, de acordo com o presidente dos EUA, Donald Trump.

"Ele não terá escolha [...], eu tomo todas as decisões. Ele [Netanyahu] não toma decisões", disse Trump em uma entrevista ao Financial Times.

Ontem (7), em um comunicado, o chanceler iraniano Abbas Araghchi destacou que a "República Islâmica do Irã adverte que qualquer agressão do regime sionista contra o Líbano [ou contra o Irã] receberá uma resposta esmagadora e abrangente por parte das corajosas Forças Armadas iranianas".

No domingo (7), o Irã atacou Israel em resposta aos bombardeios contra Beirute por parte do governo de Benjamin Netanyahu, que rompeu a trégua no Líbano e atacou prédios em Dahieh, bairro localizado no subúrbio de Beirute, deixando duas pessoas mortas e mais de dez feridas, segundo as autoridades do país.

¨      Irã não precisa de dar garantias a ninguém sobre armas nucleares, diz embaixador

O Irã não precisa dar garantias sobre armas nucleares, uma vez que os objetivos de sua criação estão ausentes da doutrina militar do país, disse o embaixador iraniano em Moscou, Kazem Jalali.

O presidente dos EUA, Donald Trump, havia declarado anteriormente que as principais partes do acordo com o Irã deveriam ser acordos para navegação segura no estreito de Ormuz e garantias de Teerã de ausência de planos para desenvolver armas nucleares.

"Não precisamos de dar garantias a ninguém. Em nossa doutrina militar, não há objetivo de criar uma bomba nuclear", disse Jalali ao jornal Izvestia.

O diplomata observou que o falecido líder do Irã, Ali Khamenei, havia repetidamente enfatizado que o país poderia ter desenvolvido armas nucleares há muito tempo, mas não estava perseguindo isso.

De acordo com Jalali, os relatórios da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) indicam que o Irã não estava desenvolvendo uma bomba atômica.

¨      EUA vão retirar urânio do Irã seja qual for o resultado das negociações, diz Trump

Em entrevista, presidente norte-americano diz que Washington está monitorando o material nuclear iraniano e pretende extraí-lo haja acordo ou não; Irã diz que discutirá o destino de seu urânio com a Rússia.

Os EUA vão extrair urânio do território iraniano independentemente do resultado das negociações com a república islâmica. É o que afirmou neste domingo (7) o presidente estadunidense, Donald Trump, em entrevista à NBC News.

"Se fizermos um acordo e agora formos amigos, iremos todos juntos. Agora, se não fizermos um acordo, vamos eliminá-los militarmente com muita força. E vamos esperar até fazer isso antes de irmos [buscar o urânio]", disse Trump.

Ele acrescentou que pretende destruir o estoque de urânio enriquecido após extraí-lo do território iraniano, observando que está monitorando de perto as tentativas de retirada do material nuclear do país persa contornando Washington, usando espaçonaves de vigilância.

"Temos câmeras por toda parte [nas instalações nucleares do Irã]. Se alguém passasse por lá, se você fosse até lá, eu conseguiria ler seu nome na sua lapela", disse ele.

O líder norte-americano afirmou que Washington sabe a localização de todos os estoques de material nuclear do Irã e disse que sua operação contra o Irã presta um serviço ao mundo e aos EUA. Ele chamou o Irã de um país "poderoso" e "muito perigoso".

A Rússia ofereceu seus serviços para remover urânio enriquecido do Irã para armazenamento no país, mas, segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, Washington ainda não aceitou a proposta de Moscou.

 

Fonte: BBC News Brasil/DW Brasil/Sputnik Brasil

 

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