terça-feira, 9 de junho de 2026

O que é Psyllium e por que ele é chamado de "Mounjaro de pobre"?

Soluções boas e baratas viralizam todos os dias na internet. Fórmulas que prometem baixa dificuldade de adesão e custos acessíveis costumam atrair entusiastas preocupados com a saúde ou estética de seus corpos. Dentro desse universo, surge o mito do "Mounjaro de pobre", que atribui a uma fibra em pó o sonho do manequim idealizado.

De origem indiana, o Psyllium tem se popularizado por ser um bom aliado na perda de peso. Com efeito que se assemelha ao inibidor de apetite mais famoso do mundo, a fórmula não funciona propriamente como um medicamento.

<><> O que diz a ciência

Um estudo publicado pela Wolters Kluwer Health - empresa especializada em estudos científicos no setor de saúde - traz uma revisão abrangente que investiga o impacto do psílio (psyllium) no peso corporal, no IMC (Índice de Massa Corporal) e na circunferência da cintura em indivíduos com sobrepeso ou obesidade.

A pesquisa descobrir que a fibra natural é predominantemente solúvel e que, quando hidratada, forma um gel viscoso não digerível nem fermentado.

Esse gel aumenta a viscosidade do quimo no intestino delgado, o que retarda a degradação e a absorção de nutrientes. O efeito causa uma "sensação de estufamento" e pode aumentar a saciedade, se consumido antes das refeições.

Além de facilitar a perda de peso, o psílio demonstra efeitos significativos no controle glicêmico (em pacientes com diabetes tipo 2 e síndrome metabólica) e na redução do colesterol.

<><> Mito do remédio barato

O uso da adjetivação do "Mounjaro de pobre" tem apelo exclusivamente financeiro, uma vez que nada tem de medicamento.

Enquanto a caneta emagrecedora é encontrada por volta de R$ 1 mil reais nas farmácias, a fibra é vendida na internet, por valores entre R$ 30 e R$ 100, a depender do estado que será consumido.

Embora seja reconhecida como bom auxílio, o uso do Psyllium deve ser ministrado respeitando uma dieta orientada por um profissional de nutrição. O uso desorientado do alimento pode causar efeitos reversos aos desejados.

•        Molécula identificada em pítons pode auxiliar na perda de peso, diz estudo

Uma molécula identificada na digestão da serpente Píton pode ser capaz de reduzir o apetite em mamíferos e auxiliar no enfrentamento da obesidade em humanos, segundo uma pesquisa publicada pela revista britânica Nature.

O estudo utilizou camundongos para a pesquisa e concluiu que um tratamento duradouro com a mólecula causou perda de peso corporal sem efeitos colaterais nos animais.

A pesquisa, publicada na semana passada, ainda mostra presença da molécula em mamíferos após digestão e auxílio na regulação de hormônios com o controle da alimentação.

Na pesquisa, houve uma comparação dos padrões de jejum de mamíferos, nesse caso, de camundongos, e de pítons para analisar o nível de açúcar no sangue dos dois animais. O primeiro costuma consumir pequenas refeições com mais frequência, enquanto o réptil possui uma adaptação extrema relacionada à alimentação e ao jejum, podendo ficar de 12 a 18 meses sem se alimentar.

Segundo a medição pós-prandial, que ocorre após duas horas do início de uma refeição, a substância relacionada à sensação de saciedade utilizada no estudo, chamada pTOS (para-tiramina-O-sulfato nas pítons), concluiu que ela aumenta 1.000 vezes em pítons após a refeição. Além disso, observou-se um aumento de mais de 40 vezes no gasto energético no animal.

Nos mamíferos, o pTOS estão presentes e revelaram uma resposta inibidora de apetite, mas em menor escala.

O estudo analisou 24 homens jovens saudáveis que seguiram uma dieta habitual ou rica em gordura de curta duração. A substância aumentou em até cinco vezes após as refeições.

Em outra análise, outros dez homens saudáveis ficaram 6,5h em jejum e, posteriormente, realizaram três refeições com líquido e sólido. Foi possível constatar o dobro de pTOS presente na corrente sanguínea.

A pTOS ativa o VMH (hipotálamo ventromedial) que atua no cérebro ativando a sensação de saciedade.

<><> Efeitos da aplicação em mamíferos

Na constatação da ação inibitória, pesquisadores fizeram uma aplicação oral diária de pTOS em camundongos e perceberam uma redução de 9% no peso corporal sem comprometer ingestão de água, atividade física, gasto energético. Além disso, a resposta do teste não afetou a absorção de nutrientes após a ingestão alimentos contendo glicose, lipídios e proteínas.

Por outro lado, não houve mudança no nível de insulina entre uma e três horas após a aplicação da molécula. Vale lembrar que a insulina é um hormônio produzido no pâncreas e que regula os níveis de glicose no sangue, permitindo a transformação de açúcar em energia. Porém, algumas pessoas possuem falhas na produção desse hormônio e apresentam diabetes.

Portanto, o estudo concluiu que a aplicação em doses controladas de pTOS pode aumentar o nível da molécula no corpo humano e auxiliar justamente no tratamento de obesidade e perda de peso sem efeitos danosos para uma vida saudável.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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