Liana
Cirne Lins: Já passou da hora de investigar Flavio Bolsonaro
A
vereadora do Recife e professora de Direito Liana Cirne Lins afirmou que já
existem elementos suficientes para a abertura de uma investigação sobre o
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em entrevista ao programa Bom Dia 247, ela
citou uma série de suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse
e a contratos firmados por uma produtora com administrações públicas em São
Paulo.
Segundo
Liana, as informações que vieram a público nos últimos meses ampliaram o
conjunto de indícios que justificariam a atuação dos órgãos de investigação.
Para ela, o caso deixou de se limitar a especulações e passou a reunir fatos
que precisam ser examinados formalmente.
“Está
mais do que na hora de investigá-lo”, declarou.
A
vereadora destacou que uma das principais questões envolve a produtora
responsável pelo filme Dark Horse, que estaria sendo investigada por contratos
considerados irregulares com a Prefeitura de São Paulo e com o Governo do
Estado. De acordo com Liana, existem suspeitas de que um contrato relacionado à
concessão de pontos de internet e redes de Wi-Fi em comunidades periféricas
possa ter servido para financiar a produção cinematográfica.
A
hipótese levantada é a de um possível financiamento cruzado, situação em que
recursos obtidos por meio de contratos públicos teriam sido utilizados para
finalidades distintas daquelas previstas originalmente.
Além
disso, Liana mencionou questionamentos sobre recursos que teriam sido
destinados ao financiamento do filme e cuja origem estaria vinculada a valores
descontados de aposentados e pensionistas. Segundo ela, a própria produtora
nega ter recebido parte desses recursos, circunstância que, na sua avaliação,
torna necessária uma apuração mais aprofundada.
“São
muitas as suspeitas”, afirmou.
A
professora de Direito argumentou que a combinação desses elementos — contratos
públicos sob investigação, suspeitas de financiamento cruzado e divergências
sobre o destino de recursos utilizados na produção do filme — configura um
conjunto de fatos que demanda esclarecimentos por parte das autoridades
competentes.
Durante
a entrevista, Liana ressaltou que a abertura de uma investigação não significa
atribuição prévia de culpa, mas o cumprimento do dever institucional de
verificar a existência ou não de irregularidades. Para ela, os indícios
atualmente conhecidos já seriam suficientes para justificar a instauração de
procedimentos formais.
“São
muitos elementos que já justificam a investigação de Flávio Bolsonaro no
possível cometimento de crimes”, afirmou.
A
declaração ocorre em meio ao debate político sobre a atuação da família
Bolsonaro e sobre denúncias que vêm sendo divulgadas envolvendo projetos
ligados ao grupo político. Na avaliação de Liana Cirne Lins, cabe agora aos
órgãos responsáveis analisar as informações disponíveis e apurar eventual
responsabilidade criminal dos envolvidos.
• Prisão de Bolsonaro e acesso restrito
ampliam poder de interlocutores e geram insatisfação no PL
A
prisão domiciliar e as restrições de contato impostas ao ex-presidente Jair
Bolsonaro têm provocado mudanças na dinâmica interna do PL e ampliado o
protagonismo de seus interlocutores mais próximos. Embora continue
influenciando decisões estratégicas da direita para as eleições, a dificuldade
de acesso ao ex-presidente tem gerado desconforto entre aliados e criado
obstáculos nas articulações políticas em diferentes estados.
Segundo
reportagem publicada por O Globo, temas centrais da pré-campanha do senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como um dos possíveis nomes do grupo para a
disputa presidencial, continuam passando pela avaliação do ex-presidente. Entre
eles estão a formação de palanques estaduais, alianças regionais e definições
envolvendo candidaturas ao Senado.
Com o
contato presencial limitado a familiares, advogados e profissionais autorizados
pela Justiça, a comunicação entre Bolsonaro e o restante do grupo político
passou a ocorrer principalmente por intermédio dos filhos e da ex-primeira-dama
Michelle Bolsonaro. Nos bastidores, aliados relatam que essa nova configuração
vem alterando o equilíbrio de forças dentro do partido.
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Ruídos na comunicação interna
Embora
dirigentes e parlamentares evitem reconhecer publicamente qualquer problema na
interlocução com Bolsonaro, integrantes da pré-campanha admitem reservadamente
que a situação trouxe dificuldades práticas para parte do grupo político.
Segundo
relatos feitos à reportagem, tornou-se mais difícil confirmar avaliações e
posicionamentos atribuídos ao ex-presidente que circulam entre aliados. Em
muitos casos, decisões e orientações chegam ao restante da equipe acompanhadas
da justificativa de que representam a vontade de Bolsonaro.
O
cenário, afirmam interlocutores, ampliou o peso político daqueles que mantêm
acesso direto ao ex-presidente. Como consequência, cresceu a dependência das
informações transmitidas por esse núcleo mais próximo.
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Aliados divergem sobre impacto das restrições
As
críticas, porém, não encontram consenso dentro do PL. Integrantes ligados
diretamente a Flávio Bolsonaro rejeitam a existência de qualquer problema e
afirmam confiar integralmente na interlocução realizada pelo senador com o pai.
Procurado
por O Globo, Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre o tema.
Entre
os que minimizam os questionamentos está o líder do PL na Câmara, deputado
Sóstenes Cavalcante (RJ). Para ele, a influência política de Bolsonaro continua
evidente e qualquer orientação relevante do ex-presidente rapidamente se torna
conhecida entre aliados, na imprensa ou nas movimentações da própria
pré-campanha.
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Bolsonaro segue isolado em casa
Bolsonaro
está em prisão domiciliar desde o fim de março, quando o ministro Alexandre de
Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que ele permanecesse em
casa por 90 dias após uma internação relacionada a complicações de saúde.
Antes
disso, quando esteve custodiado na Superintendência da Polícia Federal no
Distrito Federal e posteriormente na unidade conhecida como Papudinha, o
ex-presidente podia receber visitas de políticos e aliados.
Atualmente,
os contatos presenciais estão restritos a Michelle Bolsonaro, aos filhos,
advogados, médicos, fisioterapeutas e funcionários responsáveis pelos cuidados
da residência, o que reduziu significativamente a interação direta com
lideranças partidárias.
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Flávio assume protagonismo nas articulações
Nesse
contexto, Flávio Bolsonaro passou a ocupar posição central na comunicação entre
o ex-presidente e o grupo político. Segundo aliados, é por meio dele que chegam
a Bolsonaro informações sobre negociações eleitorais e retornam orientações
relacionadas à estratégia da pré-campanha.
O
senador Izalci Lucas (PL-DF), pré-candidato ao governo do Distrito Federal,
afirmou que o filho do ex-presidente mantém consultas frequentes durante as
visitas realizadas ao pai.
"É
evidente que ele (Flávio) consulta o pai nas visitas semanais que faz, porque é
um absurdo o que acontece hoje com Bolsonaro, que tem acompanhamento policial
dentro de casa", declarou Izalci.
A fala
reforça a percepção de que, mesmo submetido às restrições impostas pela prisão
domiciliar, Bolsonaro continua participando das principais decisões políticas
do grupo.
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Definições eleitorais dependem do aval do ex-presidente
A
influência de Bolsonaro é especialmente percebida nas negociações para a
formação dos palanques estaduais. O ex-presidente acompanha de perto as
discussões envolvendo candidaturas majoritárias e as chapas para o Senado.
Nos
últimos meses, o próprio Flávio Bolsonaro tem afirmado publicamente que parte
dos impasses enfrentados pela pré-campanha depende de uma manifestação do pai
para ser resolvida.
Entre
os estados onde as definições aguardam uma posição do ex-presidente está o Rio
de Janeiro. O cenário político fluminense precisou ser revisto após o
ex-governador Cláudio Castro (PL), pressionado por investigações da Polícia
Federal, desistir de disputar uma vaga ao Senado.
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Mapa eleitoral será levado a Bolsonaro
Outro
foco das articulações é Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país,
onde também existem negociações em andamento envolvendo candidaturas e
alianças.
Para
auxiliar nas decisões, a equipe coordenada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN)
prepara um diagnóstico detalhado dos palanques estaduais. O levantamento deverá
ser apresentado a Bolsonaro ainda neste mês.
A
expectativa dos aliados é que a avaliação final do ex-presidente ajude a
destravar acordos regionais, reduzir disputas internas e orientar a estratégia
eleitoral do PL para os próximos pleitos. Mesmo isolado em prisão domiciliar,
Bolsonaro segue sendo o principal fiador político das decisões do grupo e
mantém influência decisiva sobre os rumos da legenda.
• Filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro e
com milhões de Vorcaro, é totalmente baseado em desinformação
A
produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro,
foi marcada por uma série de questionamentos dos roteiristas sobre episódios da
trajetória política e militar do personagem central, além do envio de
informações que já haviam sido desmentidas por investigações e agências de
checagem. A revelação é da Agência Pública, que teve acesso exclusivo a
documentos internos relacionados ao desenvolvimento do projeto cinematográfico.
Segundo
a reportagem, os documentos, datados de março de 2024, registram trocas de
mensagens entre os irmãos Cyrus e Mark Nowrasteh — respectivamente diretor e
coautor do roteiro — e integrantes da produtora Go Up Entertainment,
responsável pelo longa ao lado do deputado federal Mário Frias. O financiamento
do projeto contou com participação de Eduardo Bolsonaro, filho do
ex-presidente.
Os
registros mostram que os roteiristas buscaram informações adicionais sobre
diversos episódios da vida de Bolsonaro, incluindo sua passagem pelo Exército,
sua relação com a Amazônia, povos indígenas, a perseguição à guerrilha durante
a ditadura militar e o atentado a faca sofrido durante a campanha presidencial
de 2018.
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Questionamentos sobre indígenas e Amazônia
Entre
os temas levantados pelos roteiristas está a alegação de que Bolsonaro teria
atuado em defesa dos povos indígenas e da Amazônia. Nos documentos analisados
pela Pública, Cyrus e Mark Nowrasteh perguntam se o então militar chegou a
trabalhar diretamente com comunidades indígenas durante sua carreira no
Exército.
Os
roteiristas questionam: “Ele teve contato com elas? Ele as utilizou em suas
operações? Recebeu ajuda delas? Elas serviram como guias?”.
A
reportagem destaca que Bolsonaro serviu principalmente em unidades militares
localizadas no Rio de Janeiro e em Mato Grosso. Também relembra que o
ex-presidente construiu sua trajetória política como crítico de políticas de
proteção ambiental e de direitos indígenas.
Durante
seu mandato presidencial, Bolsonaro foi alvo de críticas por medidas
relacionadas à fiscalização ambiental. Segundo levantamento citado pela Agência
Pública, o desmatamento na Amazônia aumentou significativamente durante seu
governo, atingindo recordes em áreas protegidas.
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Visão distorcida sobre a trajetória militar
Outro
aspecto apontado pela reportagem é a suposta falta de familiaridade dos
roteiristas norte-americanos com a história política brasileira.
Em uma
das mensagens, eles pedem esclarecimentos sobre os episódios envolvendo
Bolsonaro e o Exército durante os anos finais da ditadura militar. Os autores
perguntam se a detenção e o julgamento de Bolsonaro por publicar um artigo
crítico à instituição ocorreram durante o regime militar e se ele chegou a ser
visto como uma ameaça ao governo da época.
A
Pública observa que Bolsonaro jamais foi considerado uma ameaça ao regime
militar e que, ao longo de sua carreira política, tornou-se um dos principais
defensores do golpe de 1964 e da ditadura instalada no país.
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A narrativa sobre Carlos Lamarca
Os
documentos também mostram interesse dos roteiristas em uma versão
frequentemente citada por Bolsonaro, segundo a qual ele teria ajudado militares
a localizar o guerrilheiro Carlos Lamarca quando ainda era adolescente.
Os
autores perguntam: “Um Jair Bolsonaro adolescente que levou o Exército de sua
comunidade para encontrar o acampamento deles?”.
A
reportagem lembra que essa narrativa já foi contestada diversas vezes.
Registros históricos apontam que Lamarca conseguiu escapar das operações
realizadas no Vale do Ribeira e só seria localizado mais de um ano depois.
Segundo
a Pública, não há evidências de que Bolsonaro tenha fornecido informações que
contribuíram para a perseguição ao guerrilheiro. A própria versão apresentada
pelo ex-presidente contém inconsistências temporais, já que o confronto citado
por ele ocorreu durante a noite, quando não havia aulas na escola que afirmou
frequentar.
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Facada de 2018 e teorias conspiratórias
O
episódio que mais chama atenção nos documentos analisados diz respeito ao
atentado sofrido por Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018.
De
acordo com a reportagem, a equipe ligada ao filme encaminhou aos roteiristas
conteúdos que sustentam teorias conspiratórias sobre o caso, incluindo a
hipótese de envolvimento de grupos de esquerda e do narcotráfico.
A
Pública ressalta que três investigações realizadas pela Polícia Federal
concluíram que Adélio Bispo agiu sozinho e que sofria de transtornos
psiquiátricos.
Mesmo
assim, os materiais enviados aos irmãos Nowrasteh incluíam vídeos e conteúdos
digitais que propagam versões já desmentidas. Entre eles estão produções que
alegam depósitos financeiros a Adélio Bispo e supostos mandantes do crime —
afirmações que foram rejeitadas pelas investigações oficiais e por agências
independentes de checagem.
Também
foi encaminhado aos roteiristas material produzido pela Brasil Paralelo,
organização frequentemente citada em debates sobre desinformação política.
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Busca por uma narrativa heroica
A
reportagem afirma que diversas perguntas feitas pelos roteiristas demonstram o
interesse em construir uma narrativa cinematográfica de caráter heroico para
Bolsonaro.
Em uma
das mensagens, os autores descrevem uma cena em que o então candidato
apareceria após uma longa caminhada entre apoiadores e subiria sozinho ao palco
para um “retorno triunfal”.
“Após
essa longa caminhada, ele chegou a um pódio onde subiu — sozinho, sem ajuda — e
fez um discurso de retorno triunfal para mostrar ao mundo e aos seus oponentes
que ele ainda não desistiu!”, escreveram
Na
mesma mensagem, os roteiristas afirmam: “Essas respostas são cruciais para a
história e para nossa capacidade de torná-la o mais precisa e cheia de suspense
possível, e o mais dramaticamente gratificante.”
A
Agência Pública observa que os documentos não registram a resposta dada a essa
pergunta específica.
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Novas revelações sobre a produção do filme
A
reportagem integra uma série de investigações sobre a produção de Dark Horse.
Em publicações posteriores, a Agência Pública revelou documentos que indicariam
tentativas de contratação de serviços financeiros na Hungria para viabilizar
pagamentos ligados ao projeto.
Os
registros também apontariam uma possível transferência de US$ 57,5 mil ao
diretor Cyrus Nowrasteh, além de negociações envolvendo direitos sobre a
história de vida de Bolsonaro.
A
Agência Pública informou que procurou Cyrus Nowrasteh e a Go Up Entertainment
para comentar as informações reveladas nos documentos, mas não recebeu resposta
até a publicação da reportagem.
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Aportes milionários para o projeto
Segundo
documentos obtidos pelo The Intercept Brasil, o planejamento financeiro previa
quase US$ 24 milhões em aportes para o projeto de Dark Horse, valor que
correspondia a aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época.
A
investigação revelou ainda que, até maio de 2025, pelo menos US$ 10,6 milhões
já haviam sido transferidos ao fundo Havengate, responsável pela produção do
filme. O fundo é controlado por Paulo Calixto, advogado do deputado federal
licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Fonte:
Brasil 247

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