terça-feira, 9 de junho de 2026

Liana Cirne Lins: Já passou da hora de investigar Flavio Bolsonaro

A vereadora do Recife e professora de Direito Liana Cirne Lins afirmou que já existem elementos suficientes para a abertura de uma investigação sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em entrevista ao programa Bom Dia 247, ela citou uma série de suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse e a contratos firmados por uma produtora com administrações públicas em São Paulo.

Segundo Liana, as informações que vieram a público nos últimos meses ampliaram o conjunto de indícios que justificariam a atuação dos órgãos de investigação. Para ela, o caso deixou de se limitar a especulações e passou a reunir fatos que precisam ser examinados formalmente.

“Está mais do que na hora de investigá-lo”, declarou.

A vereadora destacou que uma das principais questões envolve a produtora responsável pelo filme Dark Horse, que estaria sendo investigada por contratos considerados irregulares com a Prefeitura de São Paulo e com o Governo do Estado. De acordo com Liana, existem suspeitas de que um contrato relacionado à concessão de pontos de internet e redes de Wi-Fi em comunidades periféricas possa ter servido para financiar a produção cinematográfica.

A hipótese levantada é a de um possível financiamento cruzado, situação em que recursos obtidos por meio de contratos públicos teriam sido utilizados para finalidades distintas daquelas previstas originalmente.

Além disso, Liana mencionou questionamentos sobre recursos que teriam sido destinados ao financiamento do filme e cuja origem estaria vinculada a valores descontados de aposentados e pensionistas. Segundo ela, a própria produtora nega ter recebido parte desses recursos, circunstância que, na sua avaliação, torna necessária uma apuração mais aprofundada.

“São muitas as suspeitas”, afirmou.

A professora de Direito argumentou que a combinação desses elementos — contratos públicos sob investigação, suspeitas de financiamento cruzado e divergências sobre o destino de recursos utilizados na produção do filme — configura um conjunto de fatos que demanda esclarecimentos por parte das autoridades competentes.

Durante a entrevista, Liana ressaltou que a abertura de uma investigação não significa atribuição prévia de culpa, mas o cumprimento do dever institucional de verificar a existência ou não de irregularidades. Para ela, os indícios atualmente conhecidos já seriam suficientes para justificar a instauração de procedimentos formais.

“São muitos elementos que já justificam a investigação de Flávio Bolsonaro no possível cometimento de crimes”, afirmou.

A declaração ocorre em meio ao debate político sobre a atuação da família Bolsonaro e sobre denúncias que vêm sendo divulgadas envolvendo projetos ligados ao grupo político. Na avaliação de Liana Cirne Lins, cabe agora aos órgãos responsáveis analisar as informações disponíveis e apurar eventual responsabilidade criminal dos envolvidos.

•        Prisão de Bolsonaro e acesso restrito ampliam poder de interlocutores e geram insatisfação no PL

A prisão domiciliar e as restrições de contato impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro têm provocado mudanças na dinâmica interna do PL e ampliado o protagonismo de seus interlocutores mais próximos. Embora continue influenciando decisões estratégicas da direita para as eleições, a dificuldade de acesso ao ex-presidente tem gerado desconforto entre aliados e criado obstáculos nas articulações políticas em diferentes estados.

Segundo reportagem publicada por O Globo, temas centrais da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como um dos possíveis nomes do grupo para a disputa presidencial, continuam passando pela avaliação do ex-presidente. Entre eles estão a formação de palanques estaduais, alianças regionais e definições envolvendo candidaturas ao Senado.

Com o contato presencial limitado a familiares, advogados e profissionais autorizados pela Justiça, a comunicação entre Bolsonaro e o restante do grupo político passou a ocorrer principalmente por intermédio dos filhos e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Nos bastidores, aliados relatam que essa nova configuração vem alterando o equilíbrio de forças dentro do partido.

<><> Ruídos na comunicação interna

Embora dirigentes e parlamentares evitem reconhecer publicamente qualquer problema na interlocução com Bolsonaro, integrantes da pré-campanha admitem reservadamente que a situação trouxe dificuldades práticas para parte do grupo político.

Segundo relatos feitos à reportagem, tornou-se mais difícil confirmar avaliações e posicionamentos atribuídos ao ex-presidente que circulam entre aliados. Em muitos casos, decisões e orientações chegam ao restante da equipe acompanhadas da justificativa de que representam a vontade de Bolsonaro.

O cenário, afirmam interlocutores, ampliou o peso político daqueles que mantêm acesso direto ao ex-presidente. Como consequência, cresceu a dependência das informações transmitidas por esse núcleo mais próximo.

<><> Aliados divergem sobre impacto das restrições

As críticas, porém, não encontram consenso dentro do PL. Integrantes ligados diretamente a Flávio Bolsonaro rejeitam a existência de qualquer problema e afirmam confiar integralmente na interlocução realizada pelo senador com o pai.

Procurado por O Globo, Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre o tema.

Entre os que minimizam os questionamentos está o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ). Para ele, a influência política de Bolsonaro continua evidente e qualquer orientação relevante do ex-presidente rapidamente se torna conhecida entre aliados, na imprensa ou nas movimentações da própria pré-campanha.

<><> Bolsonaro segue isolado em casa

Bolsonaro está em prisão domiciliar desde o fim de março, quando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que ele permanecesse em casa por 90 dias após uma internação relacionada a complicações de saúde.

Antes disso, quando esteve custodiado na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal e posteriormente na unidade conhecida como Papudinha, o ex-presidente podia receber visitas de políticos e aliados.

Atualmente, os contatos presenciais estão restritos a Michelle Bolsonaro, aos filhos, advogados, médicos, fisioterapeutas e funcionários responsáveis pelos cuidados da residência, o que reduziu significativamente a interação direta com lideranças partidárias.

<><> Flávio assume protagonismo nas articulações

Nesse contexto, Flávio Bolsonaro passou a ocupar posição central na comunicação entre o ex-presidente e o grupo político. Segundo aliados, é por meio dele que chegam a Bolsonaro informações sobre negociações eleitorais e retornam orientações relacionadas à estratégia da pré-campanha.

O senador Izalci Lucas (PL-DF), pré-candidato ao governo do Distrito Federal, afirmou que o filho do ex-presidente mantém consultas frequentes durante as visitas realizadas ao pai.

"É evidente que ele (Flávio) consulta o pai nas visitas semanais que faz, porque é um absurdo o que acontece hoje com Bolsonaro, que tem acompanhamento policial dentro de casa", declarou Izalci.

A fala reforça a percepção de que, mesmo submetido às restrições impostas pela prisão domiciliar, Bolsonaro continua participando das principais decisões políticas do grupo.

<><> Definições eleitorais dependem do aval do ex-presidente

A influência de Bolsonaro é especialmente percebida nas negociações para a formação dos palanques estaduais. O ex-presidente acompanha de perto as discussões envolvendo candidaturas majoritárias e as chapas para o Senado.

Nos últimos meses, o próprio Flávio Bolsonaro tem afirmado publicamente que parte dos impasses enfrentados pela pré-campanha depende de uma manifestação do pai para ser resolvida.

Entre os estados onde as definições aguardam uma posição do ex-presidente está o Rio de Janeiro. O cenário político fluminense precisou ser revisto após o ex-governador Cláudio Castro (PL), pressionado por investigações da Polícia Federal, desistir de disputar uma vaga ao Senado.

<><> Mapa eleitoral será levado a Bolsonaro

Outro foco das articulações é Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, onde também existem negociações em andamento envolvendo candidaturas e alianças.

Para auxiliar nas decisões, a equipe coordenada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) prepara um diagnóstico detalhado dos palanques estaduais. O levantamento deverá ser apresentado a Bolsonaro ainda neste mês.

A expectativa dos aliados é que a avaliação final do ex-presidente ajude a destravar acordos regionais, reduzir disputas internas e orientar a estratégia eleitoral do PL para os próximos pleitos. Mesmo isolado em prisão domiciliar, Bolsonaro segue sendo o principal fiador político das decisões do grupo e mantém influência decisiva sobre os rumos da legenda.

•        Filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro e com milhões de Vorcaro, é totalmente baseado em desinformação

A produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi marcada por uma série de questionamentos dos roteiristas sobre episódios da trajetória política e militar do personagem central, além do envio de informações que já haviam sido desmentidas por investigações e agências de checagem. A revelação é da Agência Pública, que teve acesso exclusivo a documentos internos relacionados ao desenvolvimento do projeto cinematográfico.

Segundo a reportagem, os documentos, datados de março de 2024, registram trocas de mensagens entre os irmãos Cyrus e Mark Nowrasteh — respectivamente diretor e coautor do roteiro — e integrantes da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo longa ao lado do deputado federal Mário Frias. O financiamento do projeto contou com participação de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente.

Os registros mostram que os roteiristas buscaram informações adicionais sobre diversos episódios da vida de Bolsonaro, incluindo sua passagem pelo Exército, sua relação com a Amazônia, povos indígenas, a perseguição à guerrilha durante a ditadura militar e o atentado a faca sofrido durante a campanha presidencial de 2018.

<><> Questionamentos sobre indígenas e Amazônia

Entre os temas levantados pelos roteiristas está a alegação de que Bolsonaro teria atuado em defesa dos povos indígenas e da Amazônia. Nos documentos analisados pela Pública, Cyrus e Mark Nowrasteh perguntam se o então militar chegou a trabalhar diretamente com comunidades indígenas durante sua carreira no Exército.

Os roteiristas questionam: “Ele teve contato com elas? Ele as utilizou em suas operações? Recebeu ajuda delas? Elas serviram como guias?”.

A reportagem destaca que Bolsonaro serviu principalmente em unidades militares localizadas no Rio de Janeiro e em Mato Grosso. Também relembra que o ex-presidente construiu sua trajetória política como crítico de políticas de proteção ambiental e de direitos indígenas.

Durante seu mandato presidencial, Bolsonaro foi alvo de críticas por medidas relacionadas à fiscalização ambiental. Segundo levantamento citado pela Agência Pública, o desmatamento na Amazônia aumentou significativamente durante seu governo, atingindo recordes em áreas protegidas.

<><> Visão distorcida sobre a trajetória militar

Outro aspecto apontado pela reportagem é a suposta falta de familiaridade dos roteiristas norte-americanos com a história política brasileira.

Em uma das mensagens, eles pedem esclarecimentos sobre os episódios envolvendo Bolsonaro e o Exército durante os anos finais da ditadura militar. Os autores perguntam se a detenção e o julgamento de Bolsonaro por publicar um artigo crítico à instituição ocorreram durante o regime militar e se ele chegou a ser visto como uma ameaça ao governo da época.

A Pública observa que Bolsonaro jamais foi considerado uma ameaça ao regime militar e que, ao longo de sua carreira política, tornou-se um dos principais defensores do golpe de 1964 e da ditadura instalada no país.

<><> A narrativa sobre Carlos Lamarca

Os documentos também mostram interesse dos roteiristas em uma versão frequentemente citada por Bolsonaro, segundo a qual ele teria ajudado militares a localizar o guerrilheiro Carlos Lamarca quando ainda era adolescente.

Os autores perguntam: “Um Jair Bolsonaro adolescente que levou o Exército de sua comunidade para encontrar o acampamento deles?”.

A reportagem lembra que essa narrativa já foi contestada diversas vezes. Registros históricos apontam que Lamarca conseguiu escapar das operações realizadas no Vale do Ribeira e só seria localizado mais de um ano depois.

Segundo a Pública, não há evidências de que Bolsonaro tenha fornecido informações que contribuíram para a perseguição ao guerrilheiro. A própria versão apresentada pelo ex-presidente contém inconsistências temporais, já que o confronto citado por ele ocorreu durante a noite, quando não havia aulas na escola que afirmou frequentar.

<><> Facada de 2018 e teorias conspiratórias

O episódio que mais chama atenção nos documentos analisados diz respeito ao atentado sofrido por Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018.

De acordo com a reportagem, a equipe ligada ao filme encaminhou aos roteiristas conteúdos que sustentam teorias conspiratórias sobre o caso, incluindo a hipótese de envolvimento de grupos de esquerda e do narcotráfico.

A Pública ressalta que três investigações realizadas pela Polícia Federal concluíram que Adélio Bispo agiu sozinho e que sofria de transtornos psiquiátricos.

Mesmo assim, os materiais enviados aos irmãos Nowrasteh incluíam vídeos e conteúdos digitais que propagam versões já desmentidas. Entre eles estão produções que alegam depósitos financeiros a Adélio Bispo e supostos mandantes do crime — afirmações que foram rejeitadas pelas investigações oficiais e por agências independentes de checagem.

Também foi encaminhado aos roteiristas material produzido pela Brasil Paralelo, organização frequentemente citada em debates sobre desinformação política.

<><> Busca por uma narrativa heroica

A reportagem afirma que diversas perguntas feitas pelos roteiristas demonstram o interesse em construir uma narrativa cinematográfica de caráter heroico para Bolsonaro.

Em uma das mensagens, os autores descrevem uma cena em que o então candidato apareceria após uma longa caminhada entre apoiadores e subiria sozinho ao palco para um “retorno triunfal”.

“Após essa longa caminhada, ele chegou a um pódio onde subiu — sozinho, sem ajuda — e fez um discurso de retorno triunfal para mostrar ao mundo e aos seus oponentes que ele ainda não desistiu!”, escreveram

Na mesma mensagem, os roteiristas afirmam: “Essas respostas são cruciais para a história e para nossa capacidade de torná-la o mais precisa e cheia de suspense possível, e o mais dramaticamente gratificante.”

A Agência Pública observa que os documentos não registram a resposta dada a essa pergunta específica.

<><> Novas revelações sobre a produção do filme

A reportagem integra uma série de investigações sobre a produção de Dark Horse. Em publicações posteriores, a Agência Pública revelou documentos que indicariam tentativas de contratação de serviços financeiros na Hungria para viabilizar pagamentos ligados ao projeto.

Os registros também apontariam uma possível transferência de US$ 57,5 mil ao diretor Cyrus Nowrasteh, além de negociações envolvendo direitos sobre a história de vida de Bolsonaro.

A Agência Pública informou que procurou Cyrus Nowrasteh e a Go Up Entertainment para comentar as informações reveladas nos documentos, mas não recebeu resposta até a publicação da reportagem.

<><> Aportes milionários para o projeto

Segundo documentos obtidos pelo The Intercept Brasil, o planejamento financeiro previa quase US$ 24 milhões em aportes para o projeto de Dark Horse, valor que correspondia a aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época.

A investigação revelou ainda que, até maio de 2025, pelo menos US$ 10,6 milhões já haviam sido transferidos ao fundo Havengate, responsável pela produção do filme. O fundo é controlado por Paulo Calixto, advogado do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

 

Fonte: Brasil 247

 

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