Jovens
craques da Alemanha optam por outras seleções
Estes
jogadores têm um grande futuro pela frente: Ibrahim Maza e Malik Tillman, do
Bayer Leverkusen; Can Uzun, do Eintracht Frankfurt; ou ainda Josip Stanišić,
que acaba de conquistar a Copa da Alemanha e o Campeonato Alemão com o Bayern
de Munique.
Somam-se
a eles craques como Kenan Yıldız, que atua pela Juventus, na Itália; Salih
Özcan, do Borussia Dortmund; e Paul Wanner, do PSV Eindhoven. Todos disputarão
a Copa do Mundo de 2026 no Canadá, México e nos Estados Unidos. Mas nenhum
deles entrará em campo com a camisa da seleção alemã.
Esses e
outros talentos do futebol alemão possuem dupla cidadania e decidiram não
defender a equipe da Federação Alemã de Futebol (DFB), comandada pelo técnico
Julian Nagelsmann. Em vez disso, preferiram Turquia, Argélia, Estados Unidos ou
Croácia – e isso apesar de muitos deles terem feito toda sua formação
futebolística na Alemanha.
Ainda
assim, optaram conscientemente contra a Alemanha – por razões esportivas,
emocionais ou familiares ou porque esperam impulsionar suas carreiras.
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A DFB está perdendo talentos demais?
Muitos
desses jogadores são titulares em seus clubes, onde também foram formados. Eles
estão entre os melhores em suas posições. Todos poderiam desempenhar papéis
importantes na seleção alemã e passaram por grande parte das categorias de
base. Os jogadores das seleções juvenis passam entre 50 e 70 dias por ano sob
os cuidados da DFB.
Essa
situação despertou a atenção do diretor executivo da DFB, Andreas Rettig, que
se preocupa com o número crescente de potenciais jogadores da seleção que optam
por jogar por outras nações. "É preciso lidar seriamente com esse tema
para que não cheguemos a uma situação em que muitos dos formados aqui acabem
buscando seu futuro em outro lugar."
Ele
evita falar em esvaziamento da seleção alemã, mas admite que a tendência causa
preocupação. "Mais de 40% das crianças na Alemanha com menos de 5 anos têm
origem migratória. Isso significa que, mais tarde, terão a opção de jogar por
este ou aquele país", afirma.
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Plano para valorizar a formação
Já no
ano passado, Rettig apresentou um plano de "indenização de formação"
para mudar essa situação. "A formação precisa valer a pena, tanto para
quem é formado quanto para quem forma", defende.
Rettig
quer criar um sistema em que a formação seja recompensada e no qual essa
compensação possa ser reinvestida no trabalho de base. A ideia é simples:
calcular com precisão o custo diário de formação por jogador. A partir disso,
seria definido um direito de compensação transparente e compreensível para
todas as partes. Assim ficaria mais difícil que jogadores fossem aliciados por
outras federações.
Rettig
enfatiza que não se trata apenas de compensação financeira para a DFB, mas de
um conceito que beneficiaria todo o futebol. "Precisamos deixar claro que
todas as federações devem investir em formação."
O que
mais o incomoda é uma tendência observada nos últimos anos: algumas federações
investem mais dinheiro, tempo e empenho no scouting de jogadores do que na
formação deles. Uma compensação justa pela formação ajudaria a conter esse
comportamento e incentivaria novamente o investimento nas categorias de base.
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Oferecer perspectiva aos jogadores
Casos
como o de Maza (13 jogos nas categorias de base da Alemanha), que optou pela
Argélia; Tillman (21 jogos), que preferiu a seleção dos EUA, ou Özcan (61
jogos), que defenderá a Turquia na Copa, geraram debates dentro da DFB.
Ainda
assim, Rettig afirma respeitar todas as decisões, desde que não sejam
precipitadas. "Não dizemos que a águia no peito é mais importante que o
crescente ou qualquer outra nacionalidade", explica. "Mas faço um
apelo para que essa decisão [de mudar de seleção] não seja baseada apenas em
‘onde terei mais chances de jogar logo'."
Segundo
ele, é importante oferecer aos jogadores uma perspectiva crível: "Não acho
que seja adequado criar ilusões para jovens atletas desde cedo."
A
formação nem sempre é linear, e nem todo jogador precisa estar numa final de
Champions League ou Copa do Mundo aos 17 anos. Por isso, Rettig pede mais
paciência por parte dos atletas que cogitam mudar de federação.
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Fifa agora está sob pressão
"Representar
seu país é o maior feito que um jogador pode alcançar. E é assim que essa
decisão deve ser encarada. Não pode ser uma escolha baseada num torneio de
curto prazo", afirma Rettig. "Deve ser uma decisão do coração – pelo
país com o qual o jogador mais se identifica."
A DFB
quer fortalecer esse sentimento de pertencimento e identificação com a
Alemanha, em parceria com os clubes, para reduzir o troca-troca de seleções. O
objetivo é evitar que os jovens sequer considerem mudar de equipe.
O plano
de "indenização de formação" da DFB ainda precisa ser discutido com a
Fifa. "Deve fazer parte de uma estratégia global", afirma Rettig.
"A Fifa também não tem interesse em que, com o aumento das mudanças de
nacionalidade, a identificação com suas competições seja enfraquecida e
desvalorizada."
Rettig
não quis comentar o estágio atual das discussões, mas deixou claro que a DFB
espera que a "corrida por talentos" mude logo.
Fonte:
DW Brasil

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