João
dos Reis Silva Júnior: Eleição brasileira - O que fica?
Decidi
acompanhar semanalmente as eleições de 2026. Não para transformar a política em
corrida de cavalos, nem para repetir, a cada domingo, quem subiu, quem caiu,
quem errou ou quem ocupou melhor a cena pública. Tudo isso importa, porque a
conjuntura também fala. Pesquisas, alianças, crises, frases, silêncios, reações
do mercado, interpretações da mídia nacional e leituras da imprensa
internacional compõem o campo visível da disputa.
Mas a
eleição brasileira nunca se esgota no visível. Ela carrega algo mais fundo: a
longa história de um país que muda muito e, ainda assim, preserva formas de
poder, desigualdade, tutela, dependência e medo popular. Por isso, a pergunta
que orientará esta série é simples: o que fica?
A
eleição presidencial de 2026 não será apenas uma disputa entre candidatos.
Nenhuma eleição brasileira é apenas isso. Em sociedades de formação
institucional mais estabilizada, ela pode parecer alternância regular entre
projetos distintos dentro de uma moldura consolidada.
No
Brasil, a eleição é também um teste histórico. Ela condensa rupturas passadas,
fragilidades institucionais, expectativas populares, ressentimentos sociais,
promessas de futuro e a suspeita recorrente de que esse futuro será novamente
bloqueado. O eleitor vota no presente, mas vota atravessado por séculos de
formação incompleta. Por isso, acompanhar 2026 exige olhar para cada fato da
semana sem perder a longa duração que o torna inteligível.
O
Brasil tem enorme capacidade de mudar sem se transformar. Mudam personagens,
partidos, slogans, tecnologias de campanha, modos de comunicação, alianças e
instrumentos de disputa. Mas certas formas atravessam essas mudanças. A
cidadania segue incompleta. O Estado segue tutelando a sociedade mais do que
sendo por ela controlado. A desigualdade segue administrada, não superada.
A
conciliação segue aparecendo como virtude nacional, mesmo quando bloqueia a
transformação. A dependência segue reorganizando economia, política, cultura e
imaginação pública. A democracia segue formalmente afirmada, mas tensionada por
forças que aceitam o voto apenas quando o voto não ameaça a estrutura.
Perguntar
“o que fica?” não significa negar a mudança. Ao contrário, só se pergunta pela
permanência quando se leva a sério aquilo que muda. O Brasil de 2026 não é o
Brasil colonial, imperial, oligárquico, varguista, ditatorial, neoliberal ou
bolsonarista em sua forma original. Cada período reorganizou a vida nacional,
produziu novos atores, novas linguagens e novas contradições.
Mas a
mudança brasileira frequentemente altera a aparência sem romper a lógica
profunda. O país se moderniza preservando hierarquias, democratiza-se
preservando tutela, inclui preservando dependência e fala em futuro enquanto
grande parte da população vive submetida à urgência da sobrevivência.
A mídia
nacional será indispensável, não porque diga a verdade inteira, mas porque
organiza a cena visível da disputa. Ela seleciona o que aparece, define o ritmo
da urgência, transforma falas em crise e crises em sensação de inevitabilidade.
Ao destacar pesquisas, alianças, denúncias, gestos e frases, ajuda a formar o
horizonte de percepção do eleitor. Na escolha das palavras, na centralidade
dada ao mercado, na ansiedade diante da política social, na naturalização da
austeridade e na moralização seletiva da corrupção, a mídia nacional revela
muito sobre o Brasil que permanece.
A mídia
internacional permite outro ângulo. Ela olha o Brasil de fora, ainda que nem
sempre compreenda sua formação. Muitas vezes, vê o país como ativo geopolítico,
mercado emergente, potência ambiental, risco institucional, problema fiscal,
democracia em recuperação ou economia a ser estabilizada. Esse olhar externo é
limitado, mas útil. Ele mostra como o Brasil é situado no mundo. A imprensa
internacional costuma perguntar se o país será confiável, estável e previsível.
Essas perguntas revelam que o Brasil continua sendo interpretado menos como
sujeito soberano de um projeto nacional e mais como peça de uma ordem
internacional que exige estabilidade periférica.
Entre a
mídia nacional e a internacional, forma-se uma dupla lente. A nacional mostra a
disputa por dentro, com afetos, ressentimentos, cálculos e memórias internas. A
internacional mostra o país como problema de governabilidade, mercado, ambiente
e geopolítica. Nenhuma das duas basta. Mas as duas, lidas criticamente, ajudam
a acompanhar a eleição como sintoma. O que a imprensa nacional chama de crise
pode ser manifestação de uma contradição estrutural. O que a imprensa
internacional chama de risco pode ser a dificuldade histórica de um país
dependente afirmar soberania real. O que ambas chamam de moderação pode ser a
velha conciliação brasileira com outro vocabulário.
A
primeira permanência é a cidadania incompleta. O Brasil produziu cidadãos
juridicamente reconhecidos, mas desiguais em sua capacidade real de exercer
direitos. A cidadania brasileira sempre foi atravessada por filtros: renda,
raça, território, escolaridade, gênero, posição social, acesso à informação,
estabilidade no trabalho, relação com o Estado e redes de proteção.
A
Constituição prometeu universalidade, mas a vida social distribuiu
desigualmente as condições de uso dessa promessa. Em 2026, cada candidatura
falará a um tipo de cidadão: consumidor endividado, trabalhador precarizado,
eleitor ressentido, sujeito religioso-moral, democrata assustado, jovem sem
expectativa, morador de periferia, servidor público, estudante, aposentado e
cidadão digital.
A
segunda permanência é o medo da participação popular. O Brasil nunca resolveu
plenamente sua relação com o povo. O povo é invocado, celebrado, fotografado,
disputado e romantizado, mas raramente aceito como sujeito pleno de decisão.
Quando participa demais, assusta. Quando exige demais, é acusado de
irresponsabilidade. Quando vota contra as expectativas das elites, é tratado
como manipulado. Quando reivindica direitos, é visto como custo. Quando se
organiza, é interpretado como ameaça. A democracia brasileira aceita o povo
como eleitor, mas hesita diante do povo como força histórica.
A
terceira permanência é a conciliação. O Brasil aprendeu a transformar conflitos
profundos em acordos por cima. A conciliação aparece como prudência,
maturidade, equilíbrio, responsabilidade e moderação. Às vezes, ela é
necessária para impedir rupturas destrutivas. Mas, historicamente, também
funcionou como técnica de preservação das estruturas. Em 2026, a palavra
moderação será repetida muitas vezes. Será preciso perguntar: moderação para
quê? Para impedir o autoritarismo ou para impedir mudanças sociais? Para
reconstruir instituições ou para desmobilizar demandas populares?
A
quarta permanência é a dependência. A eleição será nacional, mas seu horizonte
não será apenas nacional. O Brasil votará sob pressão de juros, mercados,
cadeias globais, disputas geopolíticas, crise ambiental, plataformas digitais,
capital financeiro e expectativas externas. A soberania brasileira aparece
sempre condicionada. Todo projeto nacional precisa responder a perguntas que
vêm de fora: como garantir estabilidade fiscal, atrair investimento, preservar
confiança, proteger a Amazônia, equilibrar relações internacionais e crescer
sem romper pactos financeiros? A dependência não significa ausência de escolha,
mas estreitamento histórico das escolhas.
A
quinta permanência é a desigualdade naturalizada. O Brasil se acostumou a
conviver com desigualdades extremas sem tratá-las como escândalo permanente. A
pobreza aparece como problema social, raramente como acusação contra a forma
histórica do país. A precariedade aparece como dificuldade individual, não como
estrutura. A violência aparece como problema de segurança, não como produto de
uma sociedade fundada na exclusão. A educação aparece como solução, mas muitas
vezes sem as condições materiais que permitiriam torná-la solução real. A
eleição terá de falar aos pobres, aos endividados, às famílias comprimidas pelo
custo de vida e aos que vivem entre trabalho, dívida e medo.
A sexta
permanência é a moralização seletiva da política. O Brasil frequentemente
transforma problemas estruturais em dramas morais personalizados. A corrupção
costuma ser tratada como vício de indivíduos ou grupos, não como relação
histórica entre Estado, capital, favor, financiamento político, privilégios e
apropriação privada do público. A moralização seletiva permite condenar
adversários enquanto preserva a estrutura. Em 2026, falar-se-á em honestidade,
família, Deus, povo, trabalho, mérito, responsabilidade, liberdade e ordem. O
problema não está nessas palavras em si, mas no uso político que delas se faz.
A
sétima permanência é o autoritarismo latente. O Brasil não precisa declarar-se
autoritário para funcionar autoritariamente em muitos planos. Há autoritarismo
na violência policial seletiva, na hierarquia social naturalizada, no desprezo
pelos pobres, no racismo cotidiano, na misoginia, na homofobia, na defesa
abstrata da ordem contra direitos concretos, na saudade de soluções de força,
na impaciência com instituições e na transformação da política em guerra moral.
Em 2026, o autoritarismo poderá aparecer com rosto explícito ou moderado.
Poderá vestir a roupa da indignação, da eficiência, da segurança, da religião,
da defesa da liberdade ou do combate ao sistema.
A
oitava permanência é a fragilidade da mediação democrática. Partidos,
sindicatos, movimentos sociais, universidades, imprensa, parlamento, tribunais,
escolas e organizações civis são mediações fundamentais da vida democrática.
Mas o Brasil vive um longo processo de desconfiança dessas mediações. Parte da
população passou a vê-las como obstáculos, privilégios ou aparelhos distantes.
As
redes sociais intensificaram esse processo ao criar a sensação de contato
direto entre líder e povo. A política tornou-se mais imediata, emocional,
visual e fragmentada. Quem conseguir traduzir a vida concreta das pessoas em
linguagem compreensível terá vantagem. Mas há diferença decisiva entre traduzir
a experiência popular e explorá-la.
A nona
permanência é o Estado ambíguo. O brasileiro desconfia do Estado, mas recorre a
ele. Critica impostos, mas precisa de saúde, escola, segurança, previdência,
infraestrutura, crédito, proteção social e estabilidade. O Estado brasileiro
foi, ao mesmo tempo, instrumento de dominação e espaço de conquista. Foi
máquina de tutela, mas também garantidor de direitos. Foi apropriado por
elites, mas também pressionado por movimentos populares. Foi violento, mas
também necessário.
Em
2026, as candidaturas disputarão essa ambiguidade: que Estado está sendo
prometido? Um Estado para controlar os pobres, garantir negócios, proteger
direitos, organizar a transição ambiental, administrar a dependência ou ampliar
a soberania democrática?
A
décima permanência é a dificuldade brasileira de produzir futuro comum. O país
vive de futuros interrompidos. Prometeu civilização, progresso,
desenvolvimento, modernização, democracia, inclusão, estabilidade, crescimento,
inovação e protagonismo internacional. Em cada promessa, algo se realizou e
algo foi bloqueado.
O
futuro brasileiro costuma chegar para alguns como oportunidade e para muitos
como espera. A eleição de 2026 será também uma disputa pelo futuro. Mas será
preciso perguntar que futuro está sendo oferecido: futuro como investimento,
consumo, segurança, ordem, crescimento econômico, proteção social, restauração
moral, democracia, soberania ou vida digna?
Acompanhar
semanalmente a eleição será acompanhar a relação entre conjuntura e estrutura.
Uma semana poderá ser marcada por pesquisa; outra, por fala infeliz; outra, por
crise internacional, decisão judicial, movimento do mercado, tragédia climática
ou disputa nas redes. Cada fato terá importância própria. Mas a coluna
perguntará sempre: que permanência apareceu aqui? Cidadania incompleta?
Conciliação? Dependência? Autoritarismo? Tutela? Desigualdade? Medo do povo?
Fragilidade do Estado? Captura da linguagem democrática? Redução do futuro a
cálculo?
Essa
pergunta impede que a análise se perca na espuma dos acontecimentos. A política
brasileira produz muita espuma. Cria sensação de urgência permanente, como se
cada semana encerrasse o destino do país. Mas a história se move de modo menos
espetacular e mais profundo. O que parece novo muitas vezes é a reaparição de
uma forma antiga. O que parece velho pode retornar com tecnologia nova.
O
coronelismo pode operar por redes, igrejas, influenciadores, máquinas locais,
crédito e pertencimento simbólico. A tutela pode aparecer como algoritmo,
recomendação, dependência financeira, promessa de proteção ou chantagem moral.
A dependência pode aparecer como governança global, métrica fiscal, fluxo
financeiro, plataforma digital e agenda de competitividade.
O
Brasil de 2026 será digital, endividado, religioso, urbano, desigual, ansioso,
desconfiado e fragmentado. Mas será também um país com memória democrática
recente, movimentos sociais vivos, instituições tensionadas, juventudes
disputando linguagem, mulheres ocupando a vida pública, populações negras
reivindicando centralidade, povos indígenas defendendo território e ambiente,
universidades resistindo, trabalhadores tentando reorganizar sua voz e uma
sociedade civil que ainda não desistiu de si mesma. A permanência brasileira
não é apenas a permanência da dominação. Há também permanência da resistência.
Acompanhar
2026 não pode ser exercício de fatalismo. A história brasileira pesa, mas não
decide tudo antecipadamente. As estruturas condicionam, limitam, orientam e
bloqueiam, mas não eliminam a política. Se eliminassem, eleição nenhuma
importaria. A política importa justamente porque a permanência nunca é
absoluta. Ela precisa ser reproduzida, atualizada, defendida e naturalizada.
Isso significa que também pode ser contestada. A cada semana, a disputa
eleitoral mostrará não apenas quem pretende governar o Brasil, mas como cada
força política interpreta aquilo que o Brasil é e aquilo que pode vir a ser.
O
acompanhamento semanal também exigirá atenção à linguagem. Eleições são
disputas por palavras. Quem define o sentido de liberdade, democracia, povo,
família, trabalho, corrupção, responsabilidade, futuro, segurança, soberania e
desenvolvimento ganha parte importante da batalha política. No Brasil, muitas
palavras foram capturadas por usos contraditórios. Liberdade pode significar
direito coletivo ou licença para atacar direitos alheios.
Democracia
pode significar soberania popular ou simples respeito formal ao calendário
eleitoral. Responsabilidade pode significar cuidado com o comum ou submissão a
interesses financeiros. Povo pode significar sujeito histórico ou plateia de
comício. Ordem pode significar garantia de vida ou repressão da diferença.
Outro
ponto decisivo será observar a relação entre economia cotidiana e imaginação
política. O eleitor não vota apenas por ideologia. Vota também pelo preço do
alimento, pelo aluguel, pelo trabalho, pela dívida, pelo medo de perder renda,
pela escola dos filhos, pelo posto de saúde, pela violência do bairro, pelo
transporte lotado, pelo cansaço, pelo ressentimento e pela memória de quando a
vida parecia menos apertada. A política entra na casa antes de entrar na
teoria.
A
eleição de 2026 será decidida também na cozinha, no mercado, no ônibus, na
igreja, no celular, na fila do banco, na escola, no trabalho informal, no
aplicativo de entrega, no condomínio, na universidade, na periferia e no
interior.
A
imprensa internacional tenderá a perguntar se o Brasil continuará estável. A
pergunta brasileira deveria ser mais profunda: estável para quem? Uma sociedade
pode ser estável para os investimentos e instável para a vida popular. Pode ser
previsível para o mercado e insuportável para os trabalhadores. Pode ser
institucionalmente moderada e socialmente brutal. Pode ser fiscalmente elogiada
e humanamente devastada. Quando se pede estabilidade, é preciso perguntar que
conflito se deseja silenciar; quando se pede confiança, confiança de quem;
quando se pede responsabilidade, quem pagará a conta.
A
eleição de 2026 também será atravessada pela questão ambiental. O Brasil é
visto pelo mundo como país decisivo para o clima, a Amazônia, a biodiversidade
e a transição ecológica. Mas, internamente, a questão ambiental se cruza com
agronegócio, mineração, povos indígenas, energia, infraestrutura, soberania,
mercado internacional, violência territorial e desigualdade regional. O
território brasileiro continua sendo tratado como reserva de valor, fronteira
de exploração e objeto de disputa externa e interna. O desafio será saber se a
eleição tratará o ambiente como questão de vida nacional ou apenas como tema de
reputação externa.
A
coluna semanal acompanhará fatos, mas não será prisioneira deles. Seu objetivo
será identificar linhas de permanência. A cada domingo, a pergunta retornará:
que Brasil apareceu esta semana? O Brasil da cidadania incompleta? O Brasil do
povo tutelado? O Brasil da democracia defendida, mas ainda socialmente
estreita? O Brasil da ordem contra direitos? O Brasil da dependência
apresentada como responsabilidade? O Brasil da conciliação que evita ruptura,
mas também transformação? O Brasil da resistência que insiste em abrir futuro?
O Brasil que se moderniza para conservar? Ou o Brasil que tenta transformar
mudança em história?
Essa é
a razão de acompanhar 2026. Não se trata de prever resultado. Previsões
envelhecem rápido. Trata-se de compreender processo. A eleição é uma forma
concentrada de revelação nacional. Ela obriga o país a falar de si, mesmo
quando tenta esconder o que é. Obriga candidatos a nomear problemas, mesmo
quando os reduzem. Obriga elites a revelar seus medos. Obriga movimentos
populares a testar sua força. Obriga a imprensa a mostrar seus critérios.
Obriga o mundo a olhar para o Brasil. Obriga o cidadão comum a transformar
experiência de vida em decisão política.
Acompanhar
2026 será acompanhar essa disputa entre permanência e possibilidade. Não haverá
ingenuidade. A formação brasileira é pesada demais para permitir ilusões
fáceis. Mas também não haverá desistência. A história não é sentença. O Brasil
permanece, mas não permanece imóvel. Ele repete, mas repete sob novas
condições. Ele bloqueia, mas também produz brechas. Ele conserva, mas também é
atravessado por forças que não aceitam mais caber na velha forma. A eleição
presidencial será uma dessas brechas e um desses bloqueios. Poderá reafirmar
permanências ou tensioná-las. Poderá restaurar medos ou abrir caminhos. Poderá
reduzir o futuro a gestão ou recolocar a pergunta democrática em outro patamar.
Por
isso, a cada semana, diante da avalanche de fatos, convém manter a pergunta
simples. Não apenas quem subiu. Não apenas quem caiu. Não apenas quem ganhou a
manchete. Não apenas quem dominou as redes. Não apenas quem agradou ao mercado.
A pergunta será outra: o que fica? Porque, no Brasil, o que fica costuma
governar mais profundamente do que aquilo que aparece. E talvez a tarefa
crítica seja justamente esta: olhar para o que aparece até enxergar, por trás
da superfície, a forma histórica que insiste em continuar.
No
fundo, acompanhar as eleições de 2026 é acompanhar a velha pergunta brasileira
em sua forma atual: conseguiremos transformar mudança política em transformação
histórica? Ou repetiremos, com novas palavras, a antiga capacidade nacional de
mudar para permanecer?
É essa
pergunta que abrirá a série. É ela que deve orientar a leitura da mídia
nacional e internacional. É ela que permitirá atravessar a espuma da conjuntura
sem perder a densidade da história. O Brasil irá às urnas em 2026. Mas, antes
disso, a história brasileira já estará na urna. A questão é saber se o voto
apenas reorganizará a permanência ou se conseguirá, ainda que parcialmente,
abrir passagem para outro futuro.
Fonte:
A Terra é Redonda

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